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Bispo do Algarve alerta que “caridade não pode confundir-se com o paliativo da consciência”

D_manuel_quintasA propósito das leituras do último fim de semana, o bispo do Algarve advertiu para as “implicações pessoais e consequências sociais de uma má distribuição dos bens, de um coração mesquinho e egoísta que cega e que não deixa ver as necessidades dos outros”, alertando que “a caridade não pode confundir-se com o paliativo da consciência”.

D. Manuel Quintas alertou, na homilia da eucaristia de tomada de posse do cónego Carlos César Chantre na paróquia de São Pedro de Faro, para os “paradoxos” a nível da distribuição dos recursos disponíveis. “Uma pequena parte da humanidade – um quarto – possui cerca de 80% dos recursos disponíveis e três quartos, apenas 20%. E é um fosso que tende a alargar-se”, lamentou.

O prelado considerou, contudo, ser preciso não “pensar apenas em termos globais”. “Devemos situar-nos no nosso ambiente, no nosso meio, no nosso dia-a-dia, tendo presente aqueles com quem nos cruzamos”, sustentou, frisando ser “importante que a comunidade, no seu todo, não delegue nos poucos que pretendem ser o despertar da consciência de todos em relação a ir ao encontro das necessidades dos outros”. “Que todos se sintam, verdadeiramente, corresponsáveis na resposta aos problemas com que a comunidade se debate a esse nível”, pediu.

Com base no evangelho das missas do fim de semana passado, D. Manuel Quintas criticou a atitude daquele rico. “É considerado rico mas o verdadeiro pobre é ele porque a única coisa que tem é dinheiro”, considerou, acrescentando que “não pode considerar-se rico porque é pobre de amor, de sentimentos, de humanismo, de afectos”. “Como é que uma pessoa que lhe falta isto pode considerar-se rico? Sabemos como é importante na nossa vida cristã a partilha, o viver não apenas como os outros mas o viver para os outros”, sublinhou.

Neste sentido, cintando o Papa emérito Bento XVI, o prelado lembrou que “desviar os olhos diante de um pobre é permanecer cego diante de Deus”. “A caridade é a fé em movimento. A fé sem caridade não dá fruto e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida. Fé e caridade reclamam-se mutuamente, de tal modo que uma consente à outra realizar o seu caminho”, complementou.

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