Apresentação realizada na reunião do Conselho Regional de Misericórdias do Distrito de Faro destacou a qualificação dos profissionais, a adaptação das respostas sociais e a importância de conhecer as necessidades de cada instituição.

O Centro de Competências para a Economia Social (CCES) apresentou a sua atividade às Misericórdias do Distrito de Faro, no passado dia 26 de outubro, durante a reunião do Conselho Regional realizada no Museu de Portimão, com o objetivo de dar a conhecer os seus serviços e incentivar as instituições a recorrerem ao apoio disponibilizado na área da formação e qualificação dos profissionais.

A apresentação contou com a participação de Júlio Santos, diretor-geral do CCES, Cátia Mota, coordenadora do Departamento de Formação para as zonas do Algarve e Alentejo, e Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP).

Na sessão, foi sublinhada a importância de desenvolver competências que permitam melhorar a prestação de cuidados, adequar as respostas sociais às necessidades das populações e reforçar a capacidade das organizações do setor social.

Manuel de Lemos incentivou as Misericórdias a recorrerem ao CCES, sobretudo perante as exigências crescentes de gestão e funcionamento das instituições. O responsável destacou, em particular, a importância de conhecer e cumprir as regras da contratação pública. “Na dúvida, perguntem”, aconselhou, recordando dificuldades verificadas em algumas instituições na execução de projetos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), relacionadas com o incumprimento de normas de contratação pública.

O presidente da UMP adiantou que aquela organização já promoveu sessões de esclarecimento sobre esta matéria, dirigidas tanto a juristas como a funcionários com responsabilidades nas instituições, e que pretende desenvolver mais ações de formação através do CCES, ajustadas às necessidades dos diferentes grupos de profissionais.

Formação adaptada às necessidades das instituições

Júlio Santos salientou a importância das Misericórdias no setor social e a disponibilidade do CCES para apoiar a formação de trabalhadores e cuidadores.

O diretor-geral explicou que a instituição pretende ir além dos modelos tradicionais de formação, procurando responder a necessidades concretas identificadas no terreno, incluindo as dificuldades relacionadas com a integração de trabalhadores de diferentes origens culturais e linguísticas. “Nós estamos para dar competências, para vos ajudar a formar os vossos colaboradores, os vossos cuidadores e todos aqueles que cuidam dos nossos entes mais velhos e mais queridos”, afirmou.

O responsável acrescentou que o CCES pretende trabalhar em articulação com as instituições, de modo a que a formação corresponda às dificuldades reais dos profissionais e às exigências das diferentes respostas sociais.

Cátia Mota explicou que o CCES resultou da fusão entre o Centro de Competências de Envelhecimento Ativo e o Centro para a Economia e Inovação Social.

A responsável apresentou como missão da nova estrutura a qualificação de profissionais, a melhoria da prestação de cuidados e o fortalecimento das organizações da economia social.

Entre os compromissos destacados estiveram o desenvolvimento das competências dos trabalhadores, a proximidade às instituições e a construção de respostas formativas ajustadas às necessidades identificadas por cada organização.

O processo de trabalho deverá incluir a escuta das instituições, a identificação e priorização das necessidades, o planeamento das ações e a avaliação dos resultados.

Crescimento das respostas sociais aumenta necessidades de formação

Também Armindo Vicente, presidente do Secretariado Regional da UMP, destacou a necessidade de reforçar a formação dos profissionais, tendo em conta o crescimento das estruturas e dos serviços assegurados pelas instituições.

O responsável referiu que, nos últimos cinco anos, as Misericórdias passaram de cerca de 2.050 para 3.000 funcionários, num contexto de abertura de lares, creches e outras unidades e do alargamento de respostas sociais.

Este crescimento implica, segundo Armindo Vicente, o reforço das estruturas existentes e a contratação de novos profissionais, aumentando a necessidade de formação e de preparação para as funções desempenhadas.

O responsável apontou também a abertura prevista de uma estrutura na Mexilhoeira Grande como exemplo da expansão das respostas sociais no distrito.

A sessão permitiu, assim, apresentar às Misericórdias algarvias uma estrutura de apoio à qualificação dos seus profissionais, num contexto em que a adaptação das instituições às novas necessidades sociais exige investimento nas pessoas, formação contínua e maior articulação entre as entidades do setor.