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27 de Maio de 1860, nascia Manuel Teixeira Gomes na Vila Nova de Portimão. O segundo Algarvio notável do século XIX. Como sabemos o Poeta-Educador João de Deus nasceu numa diferença de 30 anos (1830). Por isso não deixaram de ser os grandes algarvios do século das luzes. O menino rico de Portimão fez a sua adolescência pelas escolas de Coimbra. Primeiro: Colégio e Universidade. Aos 18 anos não vai ter continuidade. Nenhum ensino, no tempo lhe era considerado ao seu carácter de jovem moderno, de cultura avançada. Este scriban sonha ser, o que quer ser… Nascido na alta burguesia do seu Algarve. Ainda, no seu século de nascimento, publica “Inventário de Junho”. Mas o jovem Manuel vai, aos 30 anos, entrar no século de todas as metamorfoses: Política e Literária. Faz amizades com os Homens de culturas política e literária republicanas portugueses e mais ingleses e franceses. Tem João de Deus, 30 anos mais velho, que o admira nesse empenhamento de pedagogo. Antero de Quental, aquela figura de crente e de sociológico. Homem Irmão dos desafortunados… Como combinaria um jovem burguês com uma família de cariz social, nessa cultura “cheia e vazia”… Andou em deriva!? Certamente que escolheu, decidiu incorporar-se na mudança social e política do século do liberalismo. Entrou no século XX, regressando à sua Portimão da fortuna paterna. Percorreu a Europa e continente vizinho. Depois… fez-se à política republicana, para a mudança… Logo segue para Londres a representar a sua República. Logo é expulso, regressando a Lisboa, durante o consulado do general Sidónio Pais. Morto este, retoma as Embaixadas: Madrid e de novo Londres. E nessas caminhadas diplomáticas, regressa a Lisboa empossado na Presidência da República… Pouco tempo durou o conceito democrático dos senhores da cultura política em Portugal… O Presidente Teixeira Gomes, em silêncio de adeus, deixa a presidência para os vizinhos que se aproximavam, em sopros italianos e alemãs. E, decidido e silencioso, toma um navio num exilio seu, naturalmente. Essa política “nova” e em continuidade contrária, não era a sua política, o seu estar democrático. Fixa-se em Bougie, uma cidadezinha muçulmana, de ocupação francesa. Vai publicando na sua vontade e na nossa admiração. Depois de “Inventário de Junho”, finais do século XIX, inicia novo século, pela diferença, na literatura portuguesa: “Cartas sem moral nenhuma”, “Sabina Freire”(Teatro), “Agosto Azul”, “Gente Singular”, “Cartas a Columbano”, “Novelas Eróticas”, “Regressos”, “Miscelânia”, “Maria Adelaide”, “Carnaval literário”, “Londres Maravilhosa”, e quantas publicações em revistas culturais europeias, numa admiração… Fui admirando nessas “mas Correspondência” – 2 volumes. E assim continuou até à morte, nos silêncios de Portugal. Nas guerras Mundiais. Nas maldições políticas, nas mortes sem Deus, mas cruéis, em nome Dele.

Manuel Teixeira Gomes visita à Nunciatura Apostólica – Lisboa – no aniversário da coroação de Pio XII, com o Cardeal Patriarca de Lisboa, António Mendes Belo. Lisboa 13 de Fevereiro/1925.

Teixeira Gomes foi um Homem do seu tempo, decorrendo o seu tempo, em dois séculos diferentes, e muito iguais. Teixeira Gomes e a originalidade do seu viver, da sua personalidade, do seu sofrimento ausente e impedido no sentido desejado. Morreu odiado pela política do tempo português, mas não esquecido da família, dos amigos. Tivemos exemplos pelos séculos XIX ao XX: Almeida Garret, num vai e vem, perseguido, ofendido. Lendo Garret, encontramos essa “Divisão Climatérica da Vida Humana”. Teixeira Gomes, esse Homem, “QUE ERA RICO E FALAVA INGLÊS”, pouco admirado pelos seus conterrâneos, chegou ao fim sempre com a palavra portuguesa nas suas obras literárias, nos seus discursos, nas suas palavras limpas, num sentido social e de direito para o cidadão, “imperdoável atitude”, para o governar português, que se prolongou em décadas.

Nos meus tempos de trabalhar e viver francês, tive um mestre e Amigo, que fora também de Teixeira Gomes, que o visitava em Bougie. O Professor Armand Guibert que estudou o português exilado, de vontade própria, publicando sobre o “nobre” Teixeira Gomes. Um Mestre que me fez conhecer o “Exilado de Bougie”, na sua língua gaulesa.

1926, Manuel Teixeira Gomes, chega à colónia francesa da Argélia, 40 anos depois de ter visitado esta cidade pela primeira vez. Depois, instalado, foi visitando a Tunísia. Foi uma vida afastado das filhas e da mulher. Foi a sua decisão de homem consciente de que o seu país vivia a ditadura intolerável. Vivia da correspondência familiar e de amigos. Escrevia e publicava. Chega ao fim a sua ausência. A 18 de Outubro de 1941, com a Europa, o Mundo a arderem, o cidadão Manuel Teixeira Gomes, morre, um sábado, pela madrugada das 5 horas., numa crise cardíaca. Foi a enterrar sem acompanhamento religioso, em terra muçulmana. Entre as sete pessoas que acompanharam o funeral, encontrava-se o vice-cônsul de Portugal em Bôme e os seus Amigos de Bougie. O caixão ficou depositado no jazigo da família Berg, proprietários do Hotel de L’Étoile.

No próximo n.º, publicar-se-á, a chegada a Portugal, nos restos mortais de M.T.G. a Portimão, 18/12/1950.

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