O bispo do Algarve disse na Eucaristia deste Domingo de Páscoa, a que presidiu ao final da manhã na Sé de Faro, que a Igreja precisa “mais do que nunca” de “cristãos pascais”.

“Cristãos que não se deixem vencer pelo desânimo, que não alimentem o ódio, que sejam construtores da paz, que levem luz onde há escuridão”, especificou D. Manuel Quintas, pedindo que sejam também “testemunhas vivas da alegria do Evangelho” e “construtores de justiça” num mundo que “causa grande perplexidade” e que mantém a humanidade “em contínuo sobressalto”.

“Não tenhamos medo de acreditar. Não tenhamos medo de esperar. Não tenhamos medo, apesar de tudo, de deixar que o nosso coração e a nossa vida se inundem da alegria e da esperança que brotam de Cristo Ressuscitado”, pediu ainda na Eucaristia que foi iniciada com o rito da aspersão com a água benzida na Vigília Pascal de ontem à noite.

“Num tempo como o nosso, tão ferido por guerras, violência, divisões e morte, a mensagem da Páscoa não é ingenuidade infantil, é uma urgência sempre atual” prosseguiu, acrescentando: “porque Cristo ressuscitou, o mal não tem a última palavra”, “nenhuma noite é eterna” e “há sempre um caminho novo a abrir-se, mesmo onde tudo parece perdido”.

Evidenciando o exemplo do discípulo João, “que ao entrar no sepulcro vazio «viu e acreditou»”, o bispo diocesano disse que os cristãos são “chamados a dar este salto: ver com os olhos do coração e acreditar”.

“É certo que não viu Jesus ressuscitado naquele momento, não teve todas as respostas… mas viu sinais (as ligaduras no chão e o sudário enrolado à parte), e isso bastou para acender a fé”, desenvolveu, considerando que “o coração, o amor vê melhor e mais longe do que os olhos”. “E se estes muitas vezes se enganam, aquele dificilmente se engana”, acrescentou.

O bispo do Algarve disse ainda que aspirar “às coisas do alto onde Cristo se encontra”, “não significa fugir do mundo, mas viver no mundo com outro olhar, com outro horizonte”. “Significa não ficar prisioneiro do imediato, do medo, do desespero, do desconforto. Significa deixar que a nossa vida seja guiada pela esperança que vem de Deus”, clarificou.

D. Manuel Quintas realçou que “a ressurreição de Cristo é luz que quer chegar a todos os cantos do mundo de hoje, a todas as situações mais obscuras da vida humana”. “Que essa luz ilumine as famílias feridas, os corações cansados, os povos em guerra e todos os que vivem sem esperança. Que a vitória de Jesus Ressuscitado sobre a morte traga luz e paz a todos os lugares do mundo onde reinam o ódio, a guerra e a violência, onde tantos dos nossos irmãos e irmãs são despojados das vestes da sua dignidade”, desejou ainda.

O bispo do Algarve lembrou que “este não é um dia qualquer”, “um domingo que se soma a todos os outros”. “O que nele celebramos – a ressurreição de Cristo – mudou o rumo da história para sempre. Celebramos a vitória da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio e o pecado”, sustentou na Eucaristia, no final da qual foi feito um resumo em língua inglesa da sua homilia para os muitos estrangeiros que nela participaram.










