A Jornada da Juventude Católica do Algarve com o seu bispo teve início esta noite em Faro com uma vigília de oração na igreja matriz da cidade, após a caminhada desde a Escola Secundária Tomás Cabreira, o local onde os mais de 300 participantes ficaram acolhidos.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

E foi mesmo naquela escola que teve lugar o momento de abertura da Jornada Diocesana da Juventude (JDJ) que incluiu uma homenagem à irmã Beatriz dos Santos, recentemente falecida, em sinal de agradecimento pela doação da sua vida ao serviço dos jovens e da Diocese do Algarve durante quase 45 anos. Os participantes aplaudiram aquela carmelita missionária pelo trabalho que realizou na Pastoral Juvenil da diocese.

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De seguida, o coordenador do Setor da Pastoral Juvenil da Diocese do Algarve, que organiza a JDJ em colaboração com as paróquias da cidade – Montenegro, São Luís, São Pedro e Sé -, desejou que aquela atividade possa ser o “pontapé de saída” da participação algarvia na próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2027 em Seul e convidou os jovens a rezar a oração daquele encontro com o Papa na Coreia do Sul.

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Depois da abertura da JDJ, os jovens rumaram pelo centro da cidade até à igreja matriz de São Pedro com a cruz daqueles encontros, que nas últimas semanas peregrinou pelas paróquias farenses. Ali foram recebidos pelo bispo do Algarve que lhes lembrou estarem a celebrar a 40ª JDJ. “É muito bom ter a igreja praticamente cheia com os nossos jovens, oriundos das diferentes paróquias da diocese”, afirmou D. Manuel Quintas, acrescentando: “vou acompanhar-vos nestas 24 horas de JDJ e aquilo que mais desejo é que seja um momento marcante para cada um de vós”. “Nestas jornadas aquilo que mais nos marca e que nos traz depois um retorno de alegria e de felicidade é o encontro com a pessoa de Jesus”, completou, desejando que o grande objetivo desta JDJ seja “abrir o coração à pessoa de Cristo”.

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A vigília de oração que se seguiu teve dois momentos. Na primeira parte da adoração eucarística, os jovens refletiram sobre as sete últimas frases de Jesus na cruz com um exame de consciência em que puderam questionar a sua própria vida. “Convidados a parar, a fazer silêncio, a estar diante de Jesus”, os jovens foram convidados a refletir na sua relação consigo mesmos, com a família, com os outros e com Deus como preparação para a celebração do sacramento da Reconciliação que foi o segundo momento desta noite orante.

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Nesta segunda metade da vigília de oração, ao mesmo tempo que as confissões foram decorrendo, a celebração prosseguiu a partir da reflexão de cinco trechos do Evangelho segundo São João, intercalados com 10 Avé Marias com intenções diferentes para cada um, em que os jovens rezaram pelos seus coetâneos.

“A cruz termina com um gesto de entrega. Hoje Jesus convida-nos a fazer o mesmo: Entregar-lhe os nossos erros, as nossas fragilidades, os nossos pecados. Na confissão, Deus recebe tudo isso com amor. Porque nas mãos do Pai há sempre misericórdia e um novo começo”, introduziu-se.

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Ao longo da oração constatou-se que “muitos jovens vivem hoje com medo de não serem reconhecidos, de não serem suficientes, de não serem valorizados”. “Mas Jesus mostra outra lógica: o valor de uma pessoa não depende do que os outros dizem, mas da capacidade de amar. Quem ama de verdade nunca é pequeno, mesmo quando ninguém vê. Deus não desiste de ti quando falhas. Mesmo quando te sentes fraco, mesmo quando te sentes longe, mesmo quando pensas que já não tens solução, Deus continua a acreditar em ti”, acrescentou-se.

Evidenciou-se ainda que “muitos jovens vivem” com “ansiedade, medo do futuro, medo de falhar, medo de não saber o que fazer da vida”. “Jesus não diz que vai ser fácil. Ele diz algo mais importante: Eu estou contigo. A fé não significa não ter medo. Significa saber que não estamos sozinhos no meio do medo. Mesmo quando não sabemos o caminho, Jesus continua a caminhar connosco”, destacou-se.

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“Deus não nos vê como números, nem como pessoas que têm de cumprir regras.Talvez muitos jovens pensem que a sua vida não tem importância. Mas Jesus diz exatamente o contrário: cada vida tem valor, cada pessoa é amada, cada jovem tem um lugar no coração de Deus”, foi referido.

No final da vigília os jovens regressaram à escola onde estão alojados.

A JDJ subordinada ao tema da mensagem do Papa Leão XIV para a Jornada Mundial da Juventude de 2025, “Vós também haveis de dar testemunho, porque estais comigo (Jo 15, 27)”, prossegue este sábado com uma dinâmica pela cidade inspirada no tema proposto. Depois do almoço, as atividades decorrerão perto da Sé, onde o encontro culminará com a celebração da Eucaristia, presidida pelo bispo do Algarve, com término previsto para as 19h30.