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Mensagem quaresmal do bispo do Algarve apela a um “renovado impulso missionário”

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Na sua mensagem quaresmal, o bispo do Algarve realça que a Quaresma que hoje se inicia surge “também como tempo privilegiado para adquirir um renovado impulso missionário” num ano dedicado pela Igreja portuguesa à missão (outubro de 2018 a outubro de 2019).

Para isso, D. Manuel Quintas destaca a importância do “testemunho dos santos e mártires da missão”, de se “investir pessoalmente na formação bíblica, catequética, espiritual e teológica sobre a missão”, de se dedicar “mais tempo para o encontro pessoal com Cristo vivo na Igreja, através da participação na Eucaristia, mesmo em dias feriais” e da “escuta da Palavra de Deus e da oração pessoal, familiar e comunitária, sem esquecer a caridade missionária, concretizada na ajuda material a favor do imenso trabalho da evangelização e da formação cristã nas Igrejas mais necessitadas”.

No contexto deste último aspeto, o prelado anuncia que a renúncia quaresmal deste ano dos cristãos algarvios destinar-se-á a “atender um pedido chegado dos missionários dehonianos em Angola”, presentes nas dioceses de Viana e Luena, para “apoiar obras ligadas à educação e ao âmbito social”. “Exorto-vos a que sejais generosos na contribuição para esta partilha fraterna, como expressão da nossa comunhão eclesial com estas duas Igrejas missionárias”, acrescenta o bispo diocesano.

D. Manuel Quintas refere que os cristãos são convidados a “assumir a missão de Cristo”, “de modo a levar o Evangelho a todos”.

“O tempo da Quaresma vem, mais uma vez, recordar-nos o caminho de conversão que somos chamados a percorrer, em ordem à celebração do mistério central da nossa fé: a paixão, morte e ressurreição de Cristo! Um tempo privilegiado de escuta da Palavra de Deus, que a Igreja diariamente nos oferece e de acolher as suas propostas assumidas como caminho de conversão”, começa por escrever o bispo do Algarve.

D. Manuel Quintas lembra ainda a mensagem do papa Francisco para esta Quaresma para realçar que essa conversão implica com a própria criação que “participa do dinamismo do mistério pascal”. “Viver como filhos de Deus, deixar-se guiar pelo Espírito, reconhecer e praticar a lei de Deus gravada no próprio coração e na natureza, beneficia também a criação, cooperando para a sua redenção”, sustenta, alertando que, pelo contrário, a “intemperança” “conduz a um estilo de vida” que “contradiz a condição humana” e “desrespeita a natureza”.

“Quando deixamos de iluminar a nossa vida com a luz pascal de Cristo e perdemos o horizonte da Ressurreição impõe-se «a lógica do tudo e imediatamente, do possuir cada vez mais», conduzindo a uma situação de rutura da comunhão com Deus, com os outros e com a criação”, prossegue, alertando que “a avidez, a ambição desmedida de bem-estar, o desinteresse pelo bem dos outros conduzem à exploração da criação (pessoas e ambiente), movidos pela ganância insaciável, que considera todo o desejo um direito e acabará por destruir até os que se deixam dominar por ela”.

O bispo diocesano exorta então os algarvios a restabelecer a sua “fisionomia” e o seu “coração de cristãos”, “através do arrependimento”, da “conversão” e do “perdão”, para poderem “viver toda a riqueza da graça do mistério pascal”.

D. Manuel Quintas recorda que “a procura do silêncio exterior e interior, a intensificação da oração, a prática do jejum solidário, a esmola e a partilha fraterna constituem referência habitual e critério para avaliar a eficácia do caminho de conversão quaresmal”. “Como nos propõe o papa Francisco devemos jejuar, para aprender a modificar a nossa atitude com os outros e com as criaturas, ou seja, passar da tentação de satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, e preencher o vazio do nosso coração; orar, para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua misericórdia; dar esmola, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos, com a ilusão de assegurarmos um futuro que não nos pertence. Este caminho de conversão proporcionar-nos-á, igualmente, o encontro com a alegria do projeto que Deus colocou na criação e no nosso coração: o projeto de o amar a Ele, aos nossos irmãos e ao mundo inteiro, encontrando neste amor a verdadeira felicidade”, explica.

D. Manuel Quintas, que esta noite preside, pelas 21h, à celebração de Quarta-feira de Cinzas na catedral de Faro, espera que desta Quaresma e da próxima Páscoa possa resultar “uma Igreja diocesana mais fraterna e mais missionária”.

A Quaresma é um período de 40 dias (excetuando os domingos), marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência, que serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário dos cristãos.

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