O bispo do Algarve lembrou esta manhã aos sacerdotes, na Missa Cristal a que presidiu na Sé de Faro, que o seu ministério “não é o de medir resultados, apresentar estatísticas, mas garantir presença”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
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“Presença de Cristo, presença do pastor, presença da misericórdia, presença da esperança”, concretizou D. Manuel Quintas, na Eucaristia concelebrada também pelo bispo emérito de São Tomé e Príncipe, D. Manuel António dos Santos, pertence à congregação dos Missionários do Coração de Maria (claretianos), a colaborar com a Igreja do Algarve.

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Com base na primeira carta apostólica do Papa, do passado dia 08 de dezembro, ‘Uma Fidelidade que Gera Futuro’, da qual quis destacar “três chaves de leitura”, o bispo diocesano lembrou que, perante “tempos exigentes” de “envelhecimento, cansaço pastoral, diminuição do número de presbíteros e mudanças culturais profundas” em que os sacerdotes poderiam “cair facilmente na lógica da sobrevivência ou da nostalgia”, Leão XIV evidencia que “a verdadeira fidelidade é geradora de futuro”.

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“Isto significa que um padre fiel não é aquele que resiste apenas, e não se desvia dos compromissos assumidos, mas aquele que continua a acreditar que Deus continua a agir nele e através dele. Mesmo quando os frutos não são imediatos, mesmo quando falta o reconhecimento, mesmo quando o terreno parece árido, a fidelidade silenciosa está a preparar algo, que talvez ainda não conseguimos vislumbrar, mas que Deus fará germinar, crescer e frutificar”, desenvolveu.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
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Prosseguindo na análise daquele documento do Papa, que aconselhou a todos a incluir nas suas “leituras obrigatórias” “pela sua importância, oportunidade e atualidade”, D. Manuel Quintas destacou que “a fidelidade não é rigidez, nem simples fixação no passado”. “Fidelidade é permanecer em Cristo, de tal modo que a nossa vida, como anúncio de uma permanente primavera, continue a fazer despontar botões, flores e frutos. É isso que hoje renovamos, não simplesmente as palavras ditas um dia, mas sobretudo uma relação viva com o Senhor que continua a chamar-nos para estarmos com ele e para nos enviar, sempre de novo, em missão”, sustentou.

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Naquela celebração, marcada também pela renovação das promessas sacerdotais, o bispo do Algarve chamou a atenção dos padres que a “pergunta decisiva não é: «ainda cumpro o que prometi?», mas sim: «ainda vivo unido Àquele com o qual me comprometi e ao qual consagrei toda a minha vida?»”. “Sem esta união, o nosso ministério torna-se função. Com ela, o nosso ministério torna-se fecundo, a fecundidade do Espírito, a fecundidade que gera futuro”, alertou, acrescentando: “ao renovar as nossas promessas, não estamos a olhar para trás com saudade, mas para diante com confiança. A fidelidade que hoje manifestamos – talvez com fragilidades, talvez com cansaços, mas também com verdade – é precisamente aquela de que Deus se serve para gerar futuro. E esse futuro não depende apenas das nossas forças, mas da graça que recebemos”.

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D. Manuel Quintas prosseguiu, evidenciando que as promessas sacerdotais são renovadas não individualmente como no dia da ordenação, mas “juntos, como grupo coral”. “E isso não é um detalhe. O sacerdócio recebe-se individualmente, mas nunca se vive isoladamente”, frisou, acrescentando: “num tempo em que o individualismo se infiltra em tudo, inclusive na nossa vida pessoal e pastoral, precisamos de redescobrir e de reforçar a amizade fraterna entre presbíteros, nela incluindo os diáconos permanentes e alargada aos leigos mais comprometidos nas nossas comunidades; precisamos de redescobrir e reforçar o apoio mútuo, em todas as situações e circunstâncias; precisamos de redescobrir e reforçar a corresponsabilidade na missão, inspirados no Documento final do Sínodo”.

Neste sentido, advertiu que “um presbitério dividido enfraquece o presente e hipoteca o futuro”. “Um presbitério unido torna-se sinal vivo de que vale a pena seguir Cristo e dar a vida por Ele”, contrapôs, acrescentando ser este o contexto em que os sacerdotes devem “acolher e ler” a publicação do cardeal D. José Tolentino, intitulado “Correção fraterna, uma prova de amor”, que quis oferecer a todos. “Uma correção, quando é fraterna e quando é feita por amor, é sempre uma promoção do outro, uma promoção do irmão”, realçou.

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Na Eucaristia, participada todos os sacerdotes da Diocese do Algarve e por alguns de fora, como o padre Tony Neves, conselheiro geral da Congregação do Espírito Santo, o bispo do Algarve disse ainda que aquela celebração assumiu para si “um significado especial, conhecido por todos”. D. Manuel Quintas lembrou que a diocese aguarda “com grande serenidade” um novo bispo. “Mesmo sem ainda o conhecermos, queremos, desde já, todos sem exceção, rezar também por ele, como vimos fazendo nas nossas comunidades”, afirmou.

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O bispo diocesano pediu ainda que se unissem a ele em “ação de graças” pelos 22 anos de serviço “e por tudo o que neles constituiu ação benfazeja de Deus” em si e no clero, nas consagradas e nos leigos. D. Manuel Quintas destacou os 19 padres que ordenou durante o seu ministério episcopal, 15 dos quais ainda ao serviço da diocese, e os cinco diáconos a que também impôs as mãos.

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O bispo do Algarve quis ter ainda presente os sacerdotes que este ano celebram “jubileus sacerdotais”, concretamente, o padre David Sequeira pelo 70º aniversário de ordenação presbiteral e os padres Henrique Varela e António Rocha pelos aniversários de 60 anos de ordenação presbiteral.

Para além das promessas sacerdotais, a Eucaristia ficou ainda marcada pela bênção dos óleos dos catecúmenos e enfermos e pela consagração do óleo do Crisma, que serão usados durante o próximo ano na administração dos sacramentos do Batismo, Crisma, Ordem ou Santa Unção, ou na dedicação dos altares ou de novas igrejas.