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Monchique acolheu o novo pároco em dia de apreensão por causa do incêndio

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Foi ao final da tarde de ontem – um dia complicado para a população de Monchique por estar novamente a ser afetada por um forte incêndio que lavra no concelho desde sexta-feira – que a comunidade paroquial acolheu o novo pároco nomeado pelo bispo do Algarve no passado dia 19 de julho.

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Muito antes da hora da eucaristia, na qual iria iniciar o seu serviço de pároco de Monchique, Alferce e Marmelete, já o padre Tiago Veríssimo, de 30 anos, estava à porta da igreja matriz para receber os cumprimentos de boas-vindas dos seus paroquianos que, apesar de felizes pela sua chegada à paróquia, não conseguiam deixar de manifestar a apreensão pelo fogo que ia consumindo a serra, denunciado pela coluna de fumo que enegrecia o céu e pela luz alaranjada que iluminava o final de tarde.

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Muitos dos que se lhe dirigiram explicaram que outros gostariam também de ali estar, mas por estarem a apoiar os bombeiros e demais combatentes não lhes seria possível.

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No início da eucaristia, o bispo do Algarve, que presidiu à celebração, começou por deixar uma “palavra de gratidão a todos, mas sobretudo àqueles que levaram para a frente o serviço paroquial” nos últimos meses. De modo particular, agradeceu ao padre Nuno Coelho que assumiu o serviço de administrador paroquial desde a saída do anterior pároco.

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D. Manuel Quintas explicou que “o serviço que o bispo confia aos padres é como um prolongamento da sua ordenação”, exercido não só em comunhão com o prelado, mas “com toda a diocese, servindo as comunidades que lhe são confiadas”. “O padre Tiago aceitou desde a primeira hora a este serviço”, contou, sublinhando que o novo sacerdote vai “aprender a ser padre” com aquelas comunidades. “O bispo e os padres são chamados a serem pais e pastores de uma comunidade. É importante aprender com a própria comunidade que somos chamados a servir”, sustentou.

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O bispo diocesano frisou ainda que “o padre é aquele que aponta com a sua vida e também com a sua palavra o caminho de Deus, o caminho do céu”.

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A tomada de posse do novo prior decorreu no início da eucaristia com a leitura do decreto de nomeação, a profissão de fé do pároco com o juramento de fidelidade ao colégio presbiteral, ao bispo, ao papa e a toda a Igreja, a entrega simbólica das chaves da igreja e a leitura e assinatura do auto de posse (ata).

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
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Na homilia, o bispo do Algarve constatou que o início do serviço do novo pároco ocorre no dia em que as leituras da missa sugerem “que o padre deve ser acima de tudo homem da eucaristia”, destacando assim que “um dos principais aspetos da missão do presbítero é a centralidade da eucaristia na sua vida e na vida das comunidades que é chamado a servir”. “É importante todos nos convencermos de que o tempo que passamos diante do sacrário não é tempo perdido e, sobretudo, nós que recebemos este ministério ordenado, convencer-nos que evangeliza mais Jesus na eucaristia do que nós, tantas vezes numa agitação contínua”, afirmou, acrescentando que “para exercer bem qualquer ministério na Igreja é preciso deter-se diante do sacrário, é preciso escutar e aprender a grande lição de entrega, de doação, de serviço que vem do sacrário”.

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Neste sentido, D. Manuel Quintas acrescentou ainda que “a humildade é a condição essencial para escutar que é o primeiro degrau da verdadeira sabedoria”.

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O bispo do Algarve lembrou ainda ao novo pároco que “é importante ter o coração aberto a todos, mas particularmente aos mais fragilizados em tantas situações de vida”. “Parti com muita confiança e com a certeza que encontrarás neste povo de Monchique e nas restantes paróquias que te são confiadas alguém que está para te ajudar”, disse ao padre Tiago Veríssimo, pedindo-lhe que consagre o seu ministério a Nossa Senhora, invocada em Monchique como Nossa Senhora da Conceição e em Marmelete como Nossa Senhora da Encarnação.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
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Depois da homilia, o novo pároco fez a renovação das promessas sacerdotais e foi convidado a passar pela pia batismal, pelo confessionário, pelo sacrário e a sentar-se na cadeira da presidência como “expressões visíveis que traduzem o ministério que o padre é chamado a prestar numa paróquia”.

Na eucaristia, em que tomaram também posse os padres Nuno Coelho e José Chula como vigários paroquiais daquelas paróquias, rezou-se também pelos bombeiros que combatem o fogo. D. Manuel Quintas acrescentou uma prece na oração universal para a rezar por todos os que estão a combater o fogo. “Vamos ter presente todos os bombeiros que estão a combater o incêndio aqui em Monchique, para que o seu esforço seja compensado e possam vencer este incêndio e não permitir que ele se torne um flagelo aqui para a população deste concelho. Que o Senhor lhes dê forças, esteja com eles e torne fecundo o seu esforço e o seu serviço ao bem comum”, pediu o prelado.

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No final da eucaristia, após as boas-vindas de uma paroquiana e o agradecimento ao padre Nuno Coelho, o novo prior disse ir para Monchique com a disponibilidade “para acolher a vida de cada um” com os seus “problemas”, “alegrias” e “tristezas”. “Acima de tudo venho aprender a ser padre e venho para continuar a aprender a ser cristão. E a ser cristão aprendemos uns com os outros, corrigindo-nos uns aos outros. Por isso, sempre que tiverem alguma coisa que corrigir em mim não tenham medo de me chamar a atenção e eu agradeço porque é assim que a gente aprende a crescer”, pediu aos paroquianos que ficaram ainda mais animados quando, ao sair da missa, constataram que tinha começado a chover.

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