O padre Henrique Marreiros Varela celebrou 60 anos de ordenação sacerdotal na passada sexta-feira, 31 de julho, e a celebração foi assinalada pelas paróquias de Loulé, onde foi pároco durante mais de 30 anos.

Na Eucaristia, que teve lugar ao final da tarde na igreja matriz, o aniversariante agradeceu, sobretudo a Deus. “O Senhor fez grandes maravilhas na minha vida, olhou para a minha pequenez e fez de mim um homem grande, sem mérito da minha parte”, declarou.

O sacerdote passou em revista o seu percurso, lembrando ter sido pároco, a sua ligação à educação cristã e à Pastoral da Família. “Quando vim para esta terra [Loulé] vinha com três intenções. A primeira era estabelecer a paz porque havia algumas coisas que não eram muito boas; a segunda era tratar um bocadinho das crianças porque vinha como diretor do Secretariado da Catequese e sempre me dediquei às crianças; e em terceiro, as famílias. Queria também preparar bem as famílias. Por isso, é que se constituiu uma equipa dos CPM – Centros de Preparação para o Matrimónio que durante bastante tempo serviu nestas paróquias e também nas vizinhas”, referiu.

Em retrospectiva, o padre Henrique Varela disse que, ao olhar para estes 60 anos, “aconteceram coisas muito boas e bonitas”. “E também houve muitos pecados da minha parte. Muitas vezes fiz asneiras por minha culpa e se fiz algumas em relação a vocês desculpem-me também, está bem?”, prosseguiu.

O sacerdote lembrou ainda que, em Loulé, começou por substituir “um homem por quem as pessoas tinham muito apreço: o senhor prior [João Coelho] Cabanita”. “Depois passei a ter por companheiros o padre Nobre [Duarte] e o padre António Martins. E formamos uma equipa que durou alguns anos”, prosseguiu, acrescentando o pedido do então bispo do Algarve D. Manuel Madureira Dias para participar num encontro em Espanha de promoção da nova imagem de paróquia que o Movimento Por um Mundo Melhor estava a implementar. “Eu vim de lá com vontade de iniciar a experiência aqui. E começámos. As irmãs doroteias, que entretanto vieram para aqui, ajudaram-me muito nesse caminho. E muito outros de vocês também participaram”, recordou.

O aniversariante evocou ainda Nossa Senhora da Piedade, popularmente conhecida como «Mãe Soberana», referindo ter sido para si “a mãe que não parou”. “Temos de agradecer a Deus e à «Mãe Soberana» tudo aquilo que tem acontecido”, afirmou.

Quase a terminar, e aproveitando a presença do grupo de jovens das paróquias, lamentou não se ter dedicado muito à juventude, mas assegurou ter por ela “uma grande simpatia”. “Espero que continuem sempre uns jovens às direitas, jovens de Jesus”, desejou, pedindo aos presentes para o ajudarem a cantar uma canção que repetiu na sua letra que “o amor do Senhor é maravilhoso”.

Por fim, lembrou ter sido “um homem marcado por muitas doenças” para agradecer a oração de todos. “Senti que a oração do povo foi muito importante para me ajudar. Senti que Deus me segurou, senão eu teria caído como tantos outros”, testemunhou.

O sacerdote agradeceu ainda a presença de todos e, de um modo particular, aos colegas sacerdotes. À celebração da Eucaristia seguiu-se um jantar partilhado no Centro Paroquial de Loulé.

Também a sua paróquia natal vai assinalar os aniversários da ordenação e da «Missa Nova» do sacerdote com a celebração de uma Eucaristia no dia 07 de agosto, pelas 11h, na igreja paroquial de Monchique, juntamente com a celebração dos 50 anos de consagração da irmã Eliete Duarte, ocorrida a 02 de outubro de 1976. Depois da Missa, segue-se um almoço partilhado no salão paroquial.

Natural de Monchique, onde nasceu em 1941, o sacerdote entrou com 11 anos para o Seminário de São José, em Faro. Esteve naquela instituição três anos, tendo passado no quarto ano para o Seminário de Almada porque restavam apenas dois seminaristas no Algarve. Em Almada esteve quatro anos e depois passou para o Seminário dos Olivais, em Lisboa, onde esteve mais seis anos até concluir a sua formação teológica.

Foi ordenado a 31 de julho de 1966 pelo bispo do Algarve de então, D. Júlio Rebimbas, juntamente com o padre João José Sustelo dos Santos (já falecido), natural de Estômbar, e outro sacerdote de Lagares (Penafiel).

Após a ordenação foi nomeado coadjutor da paróquia de Alcantarilha e pároco das paróquias de Armação de Pêra e Porches, tendo tomado posse no dia 17 de outubro de 1966. Esteve como coadjutor da primeira paróquia apenas dois meses, assumindo depois o serviço de pároco por morte do seu antecessor que substituiu também nas restantes duas comunidades.
Após a ordenação foi nomeado coadjutor da paróquia de Alcantarilha e pároco das paróquias de Armação de Pêra e Porches, tendo tomado posse no dia 17 de outubro de 1966. Esteve como coadjutor da primeira paróquia apenas dois meses, assumindo depois o serviço de pároco por morte do seu antecessor que substituiu também nas restantes duas comunidades.

Em 1969 foi nomeado responsável pelo Secretariado da Catequese da Diocese do Algarve e, por via dessa nomeação, acabaria por ser convidado para vir para a equipa formadora do Seminário de Faro, oito anos depois de estar nas suas primeiras três paróquias.
No Seminário diocesano esteve de 1974 a 1988 como perfeito, assumindo também o serviço de diretor espiritual, para além da responsabilidade no Secretariado da Catequese que implicou ainda ter sido o coordenador da zona sul do país por um período de três anos.
A 25 de dezembro de 1987 foi nomeado pároco de São Clemente de Loulé pelo bispo do Algarve de então, D. Ernesto Costa, “por motivo de falta de saúde” do então pároco, padre João Cabanita, considerando que a paróquia se encontrava numa “fase de grande crescimento demográfico” que se estendia “numa extensa área urbana e rural”. O sacerdote tomou posse no dia 3 de janeiro de 1988 e continuou ainda durante dois anos ligado ao Secretariado da Catequese.
Em 1989, D. Manuel Madureira Dias nomeou-o pároco moderador das paróquias de São Clemente e São Sebastião de Loulé e Boliqueime, juntamente com os padres José Nobre Duarte e António Manuel Martins. O serviço na última paróquia estendeu-se até 1992 e nas comunidades de Loulé permaneceu até 2020.
O aniversariante foi também, durante muitos anos, o responsável pelo Secretariado da Pastoral da Família da diocese algarvia e também o assistente dos Centros de Preparação do Matrimónio (CPM).
O sacerdote foi ainda várias vezes eleito vigário da vigararia de Loulé e fez parte do Conselho Presbiteral e do Colégio dos Consultores.
Ordenado em 1966 fez parte das primeiras «fornadas» de padres saídas após o Concílio Vaticano II e o padre António Manuel Martins já considerou que o exercício do seu ministério sacerdotal é um “testemunho vivo” da aplicação conciliar na Igreja do Algarve e um dos “principais protagonistas” da sua implementação.










