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Quaresma: Bispo do Algarve destaca “tempo de redescoberta anual do amor misericordioso de Deus”

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O bispo do Algarve destacou a presente Quaresma que ontem teve início como um “tempo de redescoberta anual do amor misericordioso de Deus”.

“Tempo oportuno de caminho espiritual que nos conduz à celebração da Páscoa da Ressurreição e que, cada dia, nos pede a conversão, a mudança de vida”, sustentou D. Manuel Quintas ontem à noite na missa de Quarta-feira de Cinzas a que presidiu na Sé de Faro, lembrando que os cristãos são, por isso, “convidados a acolher, a celebrar, a partilhar uns com os outros”.

O prelado evidenciou então que “o que é preciso é mudar o coração, converter-se, mudar de atitudes”. “Adequar a nossa vida aos apelos que a Palavra de Deus nos faz”, complementou, alertando que a “verdade da conversão” “deve estar acima de tudo”. Neste sentido pediu aos cristãos que não se detenham em “coisas secundárias, que, às vezes, só servem para entreter, mas que não conduzem a uma verdadeira conversão”.

O bispo diocesano lembrou, por isso, que no “tripé da oração, do jejum e da esmola”, todos os aspetos “têm que ser praticados com verdade e autenticidade” e que “o caminho de conversão quaresmal exige decisão, persistência, mas sobretudo discrição, silêncio exterior e interior”.

D. Manuel Quintas recordou que “a procura do silêncio exterior e interior, a intensificação da oração, a prática do jejum solidário, a esmola e a partilha fraterna constituem a referência habitual e critério para avaliar a eficácia do caminho de conversão quaresmal”.

O bispo do Algarve aconselhou assim os cristãos a identificarem o que é que precisam mudar nas suas vidas “em relação a Deus”, “aos outros”, “ao mundo” e a si mesmos e a investirem as suas “energias” no “tempo de oração”, de “escuta da palavra de Deus”, “até com um programa, com análise, com reflexão e avaliação”. “É bom fazer a avaliação para ver que correção devemos fazer ao longo destes 40 dias”, sustentou, considerando este como um tempo de maior sensibilidade “para escutar a palavra de Deus”. “É um tempo privilegiado e favorável porque encontra em nós a predisposição para escutar e acolher de outra maneira a palavra de Deus e os apelos que ela faz”, completou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

D. Manuel Quintas recuperou ainda a ideia principal manifestada na sua mensagem quaresmal para este ano, ao afirmar que esta Quaresma “surge assim como tempo privilegiado para adquirir um renovado impulso missionário”. “Apelo a vivermos este ano missionário, aproveitando do tempo quaresmal para um rejuvenescimento do impulso missionário, deste dever que é de todos de sermos missionários sempre e em toda a parte”, pediu.

O bispo diocesano referiu-se ainda à mensagem quaresmal do papa para lembrar que Francisco evidencia que “a própria Criação participa do dinamismo do mistério pascal”. “O papa diz-nos que também depende de nós que a natureza participe plenamente neste ato de uma nova Criação se vivermos como filhos de Deus, se a respeitarmos, se a cuidarmos”, observou.

Por fim, o D. Manuel Quintas abordou o destino da renúncia quaresmal deste ano dos cristãos algarvios: as dioceses angolanas de Luena e Viana. “Quando falamos em dioceses de África, nomeadamente em Angola, precisamos de mudar um bocadinho a perspetiva. A Diocese de Luena é duas vezes e meia maior que Portugal e tem 223 mil quilómetros quadrados de superfície. Os habitantes não chegam a um milhão, mas as enormes distâncias que têm de percorrer os missionários dá-nos já uma ideia de quantas necessidades surgem e é preciso colmatar”, afirmou.

Relativamente à Diocese de Viana, o bispo diocesano acrescentou tratar-se de “uma diocese recente, criada em 2007, desmembrada de Luanda”, situadas nos arredores desta. “Mesmo assim equivale ao território de mais de três dioceses do Algarve e tem dois milhões de habitantes”, acrescentou.

A celebração de ontem à noite contou com a bênção e o rito penitencial de imposição das cinzas aos presentes. Tanto na Bíblia como na prática da Igreja, impor as cinzas sobre a cabeça é sinal de humildade e penitência. A sua imposição lembra aos fiéis a origem do homem – “recorda-te que és pó e ao pó hás de voltar” – e pretende simbolizar a renovação do compromisso de seguir Jesus, fazendo morrer o “homem velho”, ligado ao pecado, para fazer nascer o “homem novo”, transformado pela graça de Deus. Por isso, ao colocar uma pequena porção de cinzas sobre a cabeça, o ministro ordenado pronuncia a frase “arrependei-vos e acreditai no Evangelho”.

A Quaresma, que ontem começou com a celebração das Cinzas, é um período de 40 dias (excetuando os domingos), marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência, um itinerário de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão, que este ano ocorrerá em no dia 21 de abril.

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