A celebração, promovida pela Diocese do Algarve, decorreu no Santuário de Nossa Senhora da Piedade e contou com a presidência do novo bispo do Algarve, D. Vitorino Soares.

Loulé voltou a acolher anteontem, 27 de setembro, o 26.º Encontro dos Povos Migrantes, uma iniciativa que reuniu representantes de comunidades de mais de duas dezenas de países, numa jornada marcada pela fé cristã, pela diversidade cultural e pelo apelo à solidariedade.

A iniciativa teve início com a Eucaristia que voltou a realizar-se no Santuário de Nossa Senhora da Piedade, conhecido popularmente como «Mãe Soberana», tendo sido presidida, pela primeira vez, pelo novo bispo do Algarve, D. Vitorino Soares. As leituras da celebração foram proferidas em língua portuguesa, ucraniana e inglesa e teve também a participação da diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações, Eugénia Quaresma.

Promovido anualmente, no último domingo de setembro, por ocasião do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, o encontro é organizado pelo Secretariado da Mobilidade Humana da Diocese do Algarve, em parceria com diversas associações e entidades, e com o apoio da Câmara Municipal de Loulé.
Este ano estiveram representadas comunidades imigrantes da Alemanha, Angola, Argentina, Bélgica, Brasil, Cabo Verde, Colômbia, China, França, Guiné-Bissau, Inglaterra, Itália, Moçambique, Nigéria, Roménia, São Tomé e Príncipe, Senegal, Timor-Leste, Suíça, Estados Unidos da América, Venezuela e Ucrânia.
Marcaram igualmente presença representações consulares de Angola, Guiné-Bissau e Itália, bem como diversas associações e organizações que trabalham com imigrantes. O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, e o presidente da Assembleia Municipal, Silvério Guerreiro, também participaram na iniciativa.
“Uma família que nasce dos vínculos”
Na intervenção de acolhimento, o padre Rafael Ferreira, diretor do Secretariado Diocesano da Mobilidade Humana, afirmou que a celebração “nasce do desejo de tornar visível o rosto universal da Igreja”, reunindo “pessoas de diferentes nacionalidades, línguas e culturas à volta da mesma mesa da Palavra e da Eucaristia”.

Dirigindo-se ao novo bispo do Algarve, agradeceu a sua presença, sublinhando que esta “honra” e “fortalece na comunhão da Igreja diocesana”. O sacerdote desejou ainda que D. Vitorino Soares se sentisse “verdadeiramente em casa no meio desta grande família de povos e nações”.

Na homilia, o bispo do Algarve destacou que, apesar das diferenças entre os povos, todos formam “um único povo”, unido pela “linguagem do amor”. Evocando a imagem do poliedro utilizada pelo Papa Francisco para ilustrar uma sociedade onde as diferenças convivem, enriquecendo-se reciprocamente, D. Vitorino Soares explicou que as diferentes cores representam a diversidade de culturas, línguas, hábitos e modos de vida. “É uma variedade, sobretudo, de pessoas. Uma variedade que acaba também por nos enriquecer a todos”, afirmou, defendendo que a Igreja tem a capacidade de congregar, reunir e construir aquilo que, por vezes, parece impossível.

Para o bispo, o Encontro dos Povos Migrantes “gera uma família” e funciona como uma fraternidade que ultrapassa os laços de sangue. Trata-se, acrescentou, de uma família construída através das relações, da partilha, do perdão e do amor, que deve ser continuamente alimentada e preservada.
D. Vitorino Soares apelou ainda à solidariedade como forma de combater a indiferença. Citando a mensagem do Papa para o 112º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, valorizou o trabalho de pessoas, instituições, paróquias, comunidades, juntas de freguesia e Cáritas que promovem o acolhimento e o reconhecimento do outro. “A solidariedade é esta capacidade de eu ver no outro também um irmão, não um adversário, não uma sombra a eliminar, mas uma imagem de Deus a alimentar e a fazer crescer”, afirmou.
Diversidade como riqueza
Também Eugénia Quaresma destacou a riqueza da diversidade presente no encontro, considerando que a comunidade eclesial celebra “o tesouro da fé e o dom da diversidade”. “Somos todos migrantes e cristãos peregrinos de esperança”, declarou, lembrando que o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado coincide, este ano, com o Dia Mundial do Turismo, assinalado pelas Nações Unidas.

A diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações sublinhou que os encontros entre povos ajudam a compreender que a região, o país e o planeta constituem uma “casa comum”. Exortou ainda os participantes a levarem para a sociedade a experiência vivida em Loulé, contribuindo para “um mundo mais justo e mais fraterno”.

A Eucaristia foi também concelebrada pelo diretor do Secretariado de Animação Missionária na Diocese do Algarve das Obras Missionárias Pontifícias, o padre Paulinus Anyabuoke.
Almoço partilhado e expressões culturais
Após a Eucaristia, a jornada prosseguiu no salão de festas municipal, já pequeno para acolher todos os participantes, com um almoço partilhado que incluiu pratos típicos dos vários países representados e momentos de expressão cultural.

Durante a iniciativa, a Associação Amigos da Venezuela promoveu a venda de café, revertendo a receita para o envio de medicamentos para aquele país.

No almoço, D. Vitorino Soares reforçou a importância do encontro e da convivência entre culturas. “Colocarmo-nos no lugar do outro é a melhor aprendizagem que podemos fazer. Estarmos com os outros também é saudável. Não perdemos a nossa realidade e também nos enriquecemos com esta diversidade”, afirmou.

O bispo do Algarve e Eugénia Quaresma receberam uma lembrança oferecida pela Câmara Municipal de Loulé.













