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Muito se tem falado da continuidade das celebrações eucarísticas neste segundo confinamento. Curiosamente, uma curta análise, fez-me perceber que não se trata de um confronto entre crentes e não crentes. Mas, como em quase tudo nesta pandemia e noutros aspetos societários, trata-se de um confronto entre “especialistas” em saúde pública que nem uma seringa sabem usar e “especialistas” em analisar se decisões políticas e eclesiásticas estão de acordo com a sua opinião e parecer, fundamentados no seu conhecimento profundo do mundo que existe ao redor do seu umbigo. No entanto, há alguns que, apesar da sua opinião pessoal, tentam acatar as decisões com bom senso, cumprindo o que tem de ser cumprido.

Mais uma vez, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) deu o exemplo de civismo e de cuidado com o próximo, decidindo por livre iniciativa, esta semana, que não fossem realizadas eucaristias públicas, nem outras cerimónias e atividades, aliás, como já havia acontecido a 13 de março, antes do Presidente da República decretar o 1º estado de emergência. Apesar de, na minha opinião, as igrejas terem sido, provavelmente, os espaços mais seguros para se estar coletiva e comunitariamente durante o período da pandemia, pois, na generalidade, melhor ou pior, com mais ajuda ou mais dificuldade, todas aquelas onde se celebram eucaristias adaptaram-se para o poderem fazer comunitariamente, com todos os cuidados e normas de higiene e distanciamento social a serem cumpridas. Prova disso é que não houve nenhum surto que tivesse origem numa celebração eucarística.

Mas este novo “confinamento” alargado à prática religiosa comunitária não significa que deixemos de viver a nossa Fé e de a partilhar, sobretudo com aqueles que nos são próximos. Pelo facto de participarmos nas celebrações através da televisão ou de uma plataforma online não nos estamos a distanciar da presença real de Jesus Cristo. Ser cristão não é afirmar-se cristão; é viver com o como Cristo faria. É partilhar a nossa Fé, em primeiro lugar com a nossa comunidade familiar e, também, com a nossa comunidade de irmãos, estando atentos ao que nos é transmitido nas leituras das eucaristias, orando em família e, até, se for caso disso, oferecendo o que temos para ajudar a minorar o sofrimento de outros. Nem que seja só uma palavra de conforto, dita numa conversa telefónica ou partilhada numa mensagem. Jesus Cristo sempre esteve presente quando os doentes ou quem cuidava deles precisava das suas Palavras, não só de alento, mas sobretudo de Vida e o confinamento não nos deve afastar dessa missão que temos enquanto cristãos.

E se mais não pudermos fazer, usemos os meios ao nosso dispor para dar testemunho, testemunho sincero e verdadeiro de Fé, não aquele testemunho piegas e cheio de imagens piedosas, mas o testemunho que resulta da análise profunda do nosso coração e da partilha generosa do que temos dentro de nós. Um desses testemunhos, que me encantou e tocou verdadeiramente foi dado há dias pela famosa Chef Noélia Jerónimo, quando ainda não se sabia que as igrejas fechariam. Ela afirmou publicamente que «a palavra e a luz de Deus faz falta a muita gente. Sim, as igrejas vão ficar aberta se eu fico muito feliz que assim seja. Um dia experimentem abrir o vosso coração e escutar a palavra de Deus. Vivemos dias tão difíceis e a palavra do Senhor nunca fez mal a ninguém. Não se esqueçam que nas horas mais difíceis é por Deus que todos chamam». Este testemunho revela a nossa necessidade insubstituível da presença de Deus e temos, enquanto cristãos, a missão de partilhar a Sua Palavra, que é o conforto imprescindível para enfrentar estes tempos extraordinariamente difíceis. Que Ele nos dê o discernimento e o bom senso para sermos portadores da verdadeira esperança, que nos anima a enfrentar o vazio deixado pela doença e a morte.

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