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A assembleia diocesana do Renovamento Carismático Católico (RCC) do Algarve do passado sábado ficou marcada pela reflexão do seu assistente subordinada ao tema do encontro – ‘Eu renovo todas as coisas’ –, tendo como pano de fundo a temática da Diocese do Algarve para o triénio pastoral 2021/2024: ‘Renovar pela transformação do Espírito’.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

No encontro, que teve lugar de manhã na igreja de São Pedro do Mar, em Quarteira, o padre Nelson Rodrigues defendeu que a renovação na Igreja e no mundo tem de partir da renovação pessoal. “A renovação que pretendemos acontece no interior de cada um de nós. Sou eu que me tenho de renovar para uma vida renovada. Sou eu que necessito da mudança”, começou por destacar.

O sacerdote criticou o “triunfalismo” de quem se julga já “renovado” e desespera pela renovação do mundo à sua volta. “É um erro tremendo. É sacrilégio pensar desta maneira. Este triunfalismo em que caímos, tanto pode provir desta ordem civil como também da eclesiástica”, considerou.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Aquele responsável exortou a um “coração puro, santo e imaculado”, que se vai tornando “capaz de contemplar a Deus” e de “ver o mundo com o próprio olhar de Deus” e não só com a razão. “Esta é a maravilha que o Espírito Santo opera em nós. Esta deve ser a nossa luta: combater o meu pecado pela fé que o Espírito Santo opera ao meu coração”, destacou.

O sacerdote acrescentou que Cristo continua a triunfar sobre o mal. “No meio dos combates e das vicissitudes da nossa história está a ser edificada a «nova Jerusalém», ainda que tu não te dês conta disto. O Senhor está a triunfar sobre o mal, não duvidemos disto. Por maiores que sejam as nossas infidelidades e os nossos pecados, Cristo acolhe-nos e transfigura-nos na sua Igreja que é um verdadeiro «hospital de campanha», como diz o Papa Francisco”, referiu.

Por outro lado, defendeu que “a Igreja deveria apresentar sempre o aspeto de peregrina e nunca de celeste”. “Há uma Igreja padecente no purgatório, uma Igreja celeste no céu e uma Igreja peregrina na terra. Nós não somos Igreja celeste ainda. Quando pensamos que somos estes seres acabados, perfeitos, deixamos de peregrinar. E o que é que vemos? Uma Igreja instalada, filhos de Deus instalados. E isto faz-nos um mal terrível. Deixamos de dar qualquer contributo ao mundo. Existirmos no mundo ou não existirmos era a mesma coisa”, alertou.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Quando pensamos que a peregrinação terminou e que já está tudo consumado e que vamos celebrar as «bodas do cordeiro», a Igreja abandona a sua humildade e o seu espírito de serviço. É isso que acontece também na nossa vida. Se, na tua vida, não és humilde e não serves o teu próximo é porque deixaste de peregrinar e caíste na asneira de pensar que as «bodas» já se celebraram na tua vida, mas ainda não foram celebradas”, prosseguiu, acrescentando que os cristãos são “filhos e herdeiros de Deus, possuidores do maior tesouro que se pode imaginar”. “Todos temos debaixo dos nossos pés este tesouro e não o conhecemos ou não o valorizamos. Quando alguém me vem anunciar esse tesouro, olho mais para aquele que me vem dar a notícia do que propriamente para a notícia que esse alguém me vem dar. Não conseguimos acolher a palavra de Deus na nossa vida porque olhamos para vida, temperamento e personalidade daquele que vem trazer essa palavra”, lamentou.

O padre Nelson Rodrigues advertiu então que “ainda que, muitas vezes, o instrumento seja frágil, pecador, Deus serve-se dele para falar”. “O problema não está naquele que transporta a mensagem, está naquele que a recebe”, constatou, acrescentando: “devemos mudar muito esta nossa maneira de ser porque andamos a perder muitas oportunidades para nos convertemos”.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A assembleia prosseguiu com a celebração a adoração ao Santíssimo Sacramento e com a celebração da Eucaristia presidida pelo bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, no final da qual se realizou a renovação da consagração a Nossa Senhora do RCC do Algarve, concluída com o simbólico gesto da deposição de flores aos pés da sua imagem.

No final da Eucaristia, o padre Nelson Rodrigues manifestou a sua disponibilidade para continuar a visitar os grupos e destacou os “quatro pilares para todos os grupos de oração”: “vida comunitária, escuta da Palavra de Deus, celebração da Eucaristia e prática da caridade”. “Com estes quatro pilares a fé cresce e os frutos aparecem”, garantiu.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

No Algarve, o RCC conta com 15 núcleos, nas paróquias de Albufeira, Almancil, Faro (2), Ferragudo, Ferreiras, Lagos, Loulé, matriz de Portimão, Odiáxere, Pechão, Pedra Mourinha (Portimão), Quarteira (2) e Vila Real de Santo António.

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