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Os festejos de Natal foram mais sóbrios do que o habitual por força das contingências. Para alguns, felizmente, existiu troca de inúmeras chamadas e mensagens carregadas com votos de “feliz Natal” ou de “boas festas”, sobretudo para aqueles a quem custa admitir o verdadeiro significado desse tempo festivo. Depois, seguiram-se as felicitações em catadupa acerca do ano que agora nos é dado viver. Até ao final de Janeiro, ainda vamos ouvindo e desejando “bom ano” aos que connosco se cruzam pela primeira vez no novo ano, e que são da nossa intimidade.

Tratam-se de tempos em que os corações parecem amolecer, o sentido da alteridade é (re)descoberto e as pessoas vivem (aparentemente) mais tranquilas. Porém, passadas algumas semanas do novo ano, fica no ar a sensação de que os efeitos das festividades passaram, qual doente que esteve sedado, e os sentimentos natalícios e de início de novo ano vão-se esfumando como areia que nos foge por entre os dedos.

Todos estes sentimentos, belos e necessários, seriam mais valiosos se estendidos a todo o ano. Na proximidade do Natal fazem-se inúmeras campanhas de solidariedade para múltiplas instituições; recolhem-se alimentos para famílias carenciadas; organizam-se visitas a instituições de solidariedade social e a lares de velhos; o trato com os outros é mais delicado; produzem-se lembranças para ofertar a quem nada costuma receber. Parece que há uma certa magia à volta da época que obriga a um cumprimento protocolar de determinados comportamentos, para que, assim que seja possível, tudo possa ser como antes. Quão bom seria se todas estas acções e sentimentos fossem a regra e não a excepção. Aqueles que recebem alimentos, não têm fome apenas no Natal. Os que usufruem da nossa companhia e carinho, fruto das visitas que lhes fazemos, não se sentem profundamente abandonados e esquecidos só no Natal. As pessoas que porventura tratamos com maior aspereza, não merecem um trato com delicadeza somente no Natal.

Temos verdadeira consciência dos votos formulados a outrem por ocasião do Natal e ano novo? Compreendemos que desejar a alguém “feliz Natal”, é querer que essa pessoa encontre nessa festividade um sentido pleno para a sua vida? Percebemos que os inúmeros votos de “bom ano” nos implicam, porque somos responsáveis por cuidar dos outros a fim de lhes proporcionar o tal ano bom, através da nossa presença, dos nossos gestos e da nossa amizade? Desejar bem aos outros é mostrar-lhes que são indispensáveis na nossa vida.

Oxalá todas estas formulações tenham impacto real e concreto nas nossas existências, fazendo-nos compreender que o que desejamos nos compromete com os outros.

Que 2021 seja um ano de Paz e Esperança para todos nós.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia

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