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O bispo do Algarve pediu hoje aos católicos que não cedam ao desânimo e apelou à sua responsabilidade no combate à pandemia de Covid-19, que comparou a uma “guerra surda e silenciosa”.

“Apoiados na coragem e na fidelidade de São Vicente, no testemunho do seu martírio, queremos enfrentar também este tempo como se de uma provação se tratasse porque o é de verdade. Uma guerra surda e silenciosa, mas profundamente eficaz pelos efeitos nefastos e consequências a que todos estamos sujeitos”, afirmou D. Manuel Quintas na eucaristia a que presidiu no oratório do Paço Episcopal de Faro, no dia em que a Igreja algarvia celebrou a solenidade de São Vicente, seu padroeiro principal.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A celebração teve transmissão ‘online’ em direto, levada a cabo pelo jornal Folha do Domingo e pela Mais Algarve, nos canais destas duas entidades e da diocese algarvia, após a suspensão das Missas públicas por causa da pandemia.

“Não podemos desresponsabilizar-nos com o início da vacinação. É certo de que a vacina constitui uma verdadeira esperança de vitória na dura batalha que ainda travamos contra este vírus. Todavia, esta esperança não pode diminuir ou mesmo anular o cumprimento rigoroso de quanto nos é pedido, nomeadamente nas medidas indicadas para este confinamento, assim como nas indicações da Conferência Episcopal no seu recente comunicado, com o qual foram suspensas as celebrações públicas da eucaristia nas nossas comunidades paroquiais, aconselhando a sua transmissão como estamos a fazer pelas redes sociais”, prosseguiu o bispo diocesano.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

D. Manuel Quintas disse ser “um imperativo moral para todos os cidadãos, e particularmente para os cristãos, ter o máximo de precauções sanitárias para evitar contágios, contribuindo deste modo para ultrapassar esta situação”. “Estamos todos juntos, somos todos importantes e necessários, precisamos todos uns dos outros para conter este contágio”, advertiu.

“Vivemos tempos difíceis que geram em nós sentimentos de desconforto, insegurança, talvez mesmo de alguma angústia e desorientação. À luz desta fé enraizada na pessoa de Cristo nunca devemos perder a confiança em Deus que nos ama como filhos, particularmente em situações adversas e de dificuldade”, prosseguiu, garantindo ser “fundamental manter uma atitude de constante oração a Deus pelas vítimas mortais da pandemia, pedindo ao Senhor da vida que as acolha nos seus braços misericordiosos” e manifestando “apoio fraterno aos seus familiares em luto”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O bispo do Algarve quis ainda “exprimir especial consideração, estima e gratidão a quantos nos hospitais e em todo o sistema de saúde continuam a lutar com extrema dedicação para salvar as vidas em risco”. “Que Deus abençoe este inestimável testemunho de humanidade e generosidade e que eles possam contar com a solidariedade e generosidade coerente e responsável de todos os cidadãos a fim de que, com a colaboração de todos, possamos superar esta gravíssima crise e construir um mundo mais solidário, mas fraterno e responsável”, acrescentou.

D. Manuel Quintas lembrou ainda que o martírio de São Vicente “contribuiu para o fortalecimento e a maturidade da fé nas comunidades cristãs do sul da península hispânica, particularmente na Igreja de Saragoça, à qual pertencia e também na Igreja de Valência onde foi martirizado”. “Hoje somos herdeiros do seu testemunho e da sua proteção para o fortalecimento da fé, de quantos aqui, iluminados pelo seu exemplo, a vivem, a celebram, a testemunham e a transmitem também às futuras gerações”, sustentou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O responsável católico referiu-se ainda ao Domingo da Palavra, instituído pelo Papa Francisco em 2019 e que hoje se celebrou em toda a Igreja pela segunda vez, que disse ter como objetivo “melhor conhecer a palavra, o que significa melhor conhecer, seguir e identificar-se com a pessoa de Cristo”. D. Manuel Quintas lembrou que a fé “alimenta-se com a escuta da palavra”, “com a oração como resposta à palavra escutada” e “ também com o anúncio e o testemunho de Cristo, presente particularmente no serviço aos outros”.

O bispo do Algarve teve ainda presente na eucaristia a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos que amanhã se encerra.

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