O desafio da visita de estudo a Roma tinha sido lançado por um dos professores de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) do Agrupamento de Escolas de Silves no final do ano letivo passado “com o intuito de oferecer aos alunos uma experiência abrangente de formação: ao nível humano, cultural, religioso e relacional”.

O professor Adriano Batista realça que a iniciativa realizada, entre os dias 22 e 25 do passado mês de março com 24 alunos do Ensino Secundário, “teve o intuito de promover o crescimento pessoal e humano”. “Poder levar estes alunos a Roma, foi mostrar-lhes também que naquela cidade se cruzam história, cultura e espiritualidade, possibilitando aos alunos o contacto direto com as raízes da tradição cristã, e perceberem que aquilo que é trabalhado em sala de aula não é abstrato, mas faz parte de uma história viva que tem expressão no mundo atual”, explicou.

Aquele educador, acrescenta ainda “uma dimensão significativa de pertença e universalidade”, proporcionada pela participação na audiência geral de quarta-feira com o Papa, no dia 25 de março, à qual se seguiu o cumprimento a Leão XIV pelo professor e por uma aluna em representação do grupo. “Ali, no meio de milhares de pessoas de inúmeras culturas, os alunos compreenderam que fazem parte de algo maior. Isso alarga os seus horizontes e combate uma visão de gueto, de pequeno grupo, no fundo, uma visão individualista e egoísta da vida, percebendo que somos parte de um corpo muito maior”, referiu.

Adriano Batista considera que aquele momento “certamente confrontou os alunos com perguntas maiores acerca da sua existência”, indo “ao encontro do apelo do Papa a trilhar novos mapas de esperança”. “Esses «mapas» não são geográficos, mas humanos, já que se constroem sempre que procuramos levar cada aluno a sair de si, a abrir-se ao mundo, ao outro e ao transcendente. Oxalá possa ter sido Roma um ponto de partida para esse caminho”, explicou.

O docente refere ainda que a visita teve “uma forte dimensão de sentido”. “Num tempo em que estes jovens sentem falta de referências claras e sólidas, quero crer que, momentos como estes ajudam-nos a parar, a refletir e a colocar questões importantes relativamente aos valores, às escolhas e ao futuro que se revela, por vezes, incerto”, destacou.

“No fundo, ir a Roma com estes alunos foi mais do que levá-los a um lugar – foi dar-lhes a oportunidade de fazerem um caminho interior, de crescimento e de descoberta que desejo, possa marcar o seu percurso escolar e humano, a fim de que contribua verdadeiramente para o seu desenvolvimento integral”, prosseguiu.

O professor realçou assim que, “por tudo isto, este tipo de visitas de estudo ganham um papel importante na formação integral dos alunos” porque lhes permite “contactar com realidades e culturas distintas, desenvolver a empatia, o espírito crítico, o sentido de comunidade e a fraternidade”.

Os alunos testemunham ter acolhido o repto da visita à cidade eterna com emoção e quais as expetativas que tinham. “Acolhi este desafio com muito entusiasmo, pois achei que era uma oportunidade única de conhecer um lugar com tanta importância histórica e religiosa. Fiquei também curiosa por poder aprender fora da sala de aula, de uma forma mais prática e envolvente”, referiu Filipa Cruz, acrescentando que “esperava sobretudo conhecer monumentos importantes e aprofundar os conhecimentos sobre a história da Igreja”.

“Durante a visita, o que mais destaco foi a experiência de ver ao vivo locais que antes só conhecia pelos livros, bem como o ambiente cultural e espiritual da cidade”, contou, acrescentando que a visita completa as aprendizagens porque “complementa os conteúdos teóricos, ajudando a compreender melhor a história da Igreja e a sua presença no mundo”.

Já Gonçalo Rodrigues disse ter acolhido o desafio como uma “oportunidade de sair de Portugal pela primeira vez, para ver o novo Papa” e que as “expetativas baixas” “foram aumentando” ao longo da visita. “Especialmente quando visitámos, no segundo dia, o Vaticano e fomos ver a basílica de São Pedro e os Museus”, complementa, destacando o “património enorme que pertence a todos, independentemente da fé de cada um”.

Tomás Fernandes disse ter ficado “deveras interessado” com a proposta e “imensamente satisfeito” porque a viagem lhe permitiu conhecer “coisas inefáveis” como o Coliseu ou a Fonte di Trevi e também o Papa. Conta ainda que as expetativas que tinha era conhecer mais sobre a história de Roma e o Renascimento.