D. Andrés Carrascosa Coso encontrou-se com clero, religiosas e leigos

Reportagem de António Rodrigues (Mais Algarve) e Samuel Mendonça (Folha do Domingo)

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O novo núncio apostólico em Portugal veio ontem ao Algarve explicar aos membros da diocese como é que decorre o processo de nomeação de um bispo.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Por vezes, cometemos o pecado de omissão de não explicar”, referiu D. Andrés Carrascosa Coso em declarações ao Folha do Domingo e à Mais Algarve.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O representante diplomático do Vaticano, que quis desfazer entendimentos errados, acrescentou que, “muitas vezes, as pessoas acham que é questão de amizade [com o próprio núncio], como na política”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Sabendo que tenho de fazer esta consulta para ter um bispo depois de D. Manuel, quis passar a manhã toda com os padres, a tarde toda com as consagradas e a noite com os leigos. Acho que é minha obrigação explicar”, prosseguiu, lembrando que a Diocese do Algarve espera a nomeação do sucessor de D. Manuel Quintas, que apresentou em agosto de 2024 a renúncia ao Papa, conforme estabelece o Direito Canónico, após ter completado os 75 anos de idade.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O arcebispo espanhol disse ter querido esclarecer como é o processo “para que as pessoas possam acompanhar, sobretudo na oração, para que o Espírito Santo possa iluminar as pessoas que têm de intervir”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O representante do Papa realçou ainda que “por trás de uma nomeação de um bispo, normalmente há entre 500 a 1000 cartas” que são enviadas pela Nunciatura e as respetivas respostas para analisar. “É um processo enorme”, evidenciou. Ao Folha do Domingo e à Mais Algarve garantiu ainda que o próximo bispo nomeado em Portugal vai ser para a diocese algarvia. “Espero voltar trazendo o bispo. Se for um padre, para participar na ordenação episcopal, ou se for já bispo, para lhe dar posse”, acrescentou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

D. Andrés Carrascosa, que veio também para ouvir, disse que “quis também escutar as perguntas que ficam na cabeça das pessoas”, considerando que “foram três encontros complementares, muito profundos”. “Faço isto há 20 anos”, explicou, quando questionado sobre este modo, pouco usual até agora, de o núncio se relacionar com as dioceses. “Cada um tem o seu estilo e o seu jeito de fazer as coisas, eu tenho o meu. Não é melhor nem pior do que os outros, mas é o meu”, afirmou no encontro com os bispos, padres e diáconos, explicando que escreveu aos bispos a informar que “gostaria de visitar as dioceses” portuguesas. “Não pretendo impor a minha presença, mas se uma diocese quiser encontrar-se com o representante do Papa saiba que estou, mais do que aberto, disponível”, afirmou.

Nos três encontros em Faro ao longo do dia, em que pôde responder a muitas perguntas dos intervenientes, o representante diplomático explicou como funciona o processo de consulta, referindo que são consultados “alguns bispos, alguns padres, alguns religiosos e religiosas e alguns leigos e leigas”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Os candidatos têm de sair da consulta”, acrescentou, realçando que “o núncio tem de fazer um discernimento diante de Deus” e “escolher três nomes” para apresentar a Roma, “sintetizando tudo aquilo que foi dito sobre eles em cerca de 250 páginas”. D. Andrés Carrascosa explicou que o dossiê é depois enviado para o Dicastério para os Bispos (Santa Sé) para ser analisado em assembleia plenária composta por 30 elementos, entre “cardeais, alguns bispos e três mulheres”, para, por fim, o Papa tomar a decisão.

O arcebispo espanhol sugeriu ainda “a elaboração de uma prece na Missa pelo novo bispo” para “pedir a Deus que ilumine todos aqueles que têm de intervir neste processo”. “Acho que essa é a responsabilidade da comunidade cristã nesta altura, pedir a Deus a luz para que o Espírito Santo ilumine as pessoas que têm de intervir”, reforçou, acrescentando: “eu sou providencialista, sei que é a providência de Deus que conduz a história”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O bispo do Algarve, no final do dia, garantiu ao núncio a aprovação da sua sugestão. “Vamos mesmo unir-nos na oração pelo novo bispo. Já combinei com o senhor padre Carlos Aquino, que é o responsável diocesano da Pastoral Litúrgica, para formularmos intenções na oração dos fiéis para nos unirmos na oração pelo novo bispo da nossa diocese”, declarou D. Manuel Quintas.

A equipa da Pastoral Prisional da Diocese do Algarve que visita os Estabelecimentos Prisionais de Faro e Olhão entregou ainda ao núncio um desenho feito por um recluso para que o faça chegar ao Papa Leão XIV.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O encontro com 48 elementos do clero teve lugar no salão da paróquia de São Luís, o encontro com 31 religiosas decorreu no claustro do mosteiro carmelita de Nossa Senhora Rainha do Mundo, no Carmelo do Patacão, e o encontro com cerca de 400 leigos realizou-se na igreja de São Luís.

O núncio apostólico, que veio acompanhado do encarregado de negócios da Nunciatura Apostólica em Portugal, monsenhor José António Teixeira, teve ainda oportunidade de visitar em Faro o Paço Episcopal, a Sé, o Seminário de São José, os Serviços Diocesanos de Pastoral e o Colégio de Nossa Senhora do Alto.

Hoje de manhã, antes de regressar a Lisboa, o núncio apostólico passou ainda pela Casa de Retiros da diocese para se encontrar com os seminaristas que frequentam o Seminário Menor e que ali estão a realizar um retiro.

Bispo do Algarve considerou visita do núncio apostólico à diocese “um grande dia de comunhão eclesial”