Embora a celebração tenha ocorrido no sábado, 15 de agosto, o padre António Fernandes da Rocha celebrou ontem os seus 60 anos de ordenação sacerdotal para possibilitar a participação de mais colegas sacerdotes e diáconos na Eucaristia que teve lugar em Faro, na igreja de São Luís, paróquia cuja ereção impulsionou e que serviu durante 48 anos.


Isso mesmo o testemunhou o cónego Rui Barros Guerreiro, seu sucessor e atual pároco daquela paróquia. “Esta comunidade paroquial de São Luís é fruto da entrega e generosidade apostólica do senhor padre Rocha. Num primeiro momento, com o senhor padre Joaquim Beato e depois, começou a pouco e pouco, com um grupo de leigos, a construir esta comunidade. Começou na capela lá em baixo e continuou aqui, na igreja nova de São Luís”, recordou.


O cónego Rui Barros Guerreiro lembrou ainda “o seu zelo pela evangelização, pela formação dos leigos, a preparação cuidada da liturgia e a sua determinação”. “E tudo isto tem um princípio que ele repete muitas vezes: em primeiro lugar, a fé em Jesus Cristo; em primeiro lugar, a adesão a Jesus Cristo”, complementou.


O aniversariante fez uma “reflexão atenta do que foi e como foi a caminhada da Igreja” e o serviço por si nela prestado, lembrando que “envolveu não só boa parte de dois séculos, mas até a mudança singular de milénio, com todas as expetativas que nele se depositaram”. “Decorrido todo este tempo, mais de meio século, desejaria nesta circunstância – e que será certamente a derradeira oportunidade de revelar o que Espírito Santo me foi inspirando – expressar o meu pensar e sentir a respeito da Igreja, da fé e do culto, um pouco em jeito de testemunho ou de exame de consciência, ou se quiserem, de testamento”, afirmou.


Considerando que a Igreja é, em muitas circunstâncias, “mais cultural que cultual”, o sacerdote disse ter procurado contribuir para alterar ao longo do seu ministério essa condição. “Como pároco, tivemos sempre a preocupação de contribuir para a renovação da Igreja, mesmo como protagonistas da mudança”, referiu, enumerando exemplos de algumas iniciativas que levou a cabo para isso e que disse serem “pequenos contributos para uma renovação muito recomendada, sempre difícil, às vezes, adiada”.


“Daí que este testemunho será também exame de consciência e um pedido de perdão por quanto não foi conseguido e o gesto de louvor por tudo aquilo que o Espírito de Deus terá realizado através da minha própria fragilidade. Deverei ter presente todos aqueles que sempre estiveram comigo nos desafios em que nos fomos lançando. Continuo a contar com a misericórdia de Deus que diariamente imploro e também com a vossa”, prosseguiu.


O padre António da Rocha disse ainda nunca ter recebido das paróquias por onde passou “qualquer salário, vencimento ou contribuição”, sendo, ao invés disso, o primeiro contribuinte, prescindindo até dos estipêndios das celebrações. “Talvez por essa razão, para além das obras materiais, deixámos sempre em cada paróquia por onde passámos um generoso e robusto e, no caso, até muito robusto saldo contabilístico”, afirmou.


A celebração da Eucaristia foi concelebrada por vários padres da diocese e contou também com o serviço dos diáconos Luís Galante e Rogério Egídio. Foi participada por muitos paroquianos daquela paróquia de São Luís, mas também das paróquias da Fuseta, Moncarapacho, Montenegro e Pechão, pelos seus familiares vindos de Lisboa.


Após a Missa, decorreu um jantar no salão paroquial que contou com a participação do bispo eleito da diocese do Algarve, D. Vitorino Soares, e do administrador apostólico, D. Manuel Quintas.


O administrador apostólico começou por destacar a “data memorável” de 60 anos da ordenação sacerdotal do aniversariante. “Como sabemos, o senhor padre Rocha não é algarvio. Era, na altura, da ainda Arquidiocese de Braga (agora já Diocese de Viana do Castelo) e veio para aqui como missionário. Soube que havia necessidade [de sacerdotes] no Algarve, disponibilizou-se e aqui temos nós, um «algarvio» perfeito, assumido e que aqui deitou raízes”, lembrou D. Manuel Quintas.


“Esta paróquia ficará para sempre ligada ao senhor padre Rocha. E nós, como Diocese do Algarve, estamos-lhe profundamente agradecidos. É evidente que a ação dele não se resumiu aqui a São Luís, como sabemos, andou por tanto lado, mesmo aqui à volta de Faro, e por isso estamos-lhe muito agradecidos. Foram 60 anos de uma dedicação plena a Cristo, ao Evangelho, à Igreja do Algarve e a todos aqueles que encontrou. E aquilo desejamos é que esta vida entregue aqui na nossa diocese possa frutificar em todos, particularmente nos mais jovens”, disse ainda D. Manuel Quintas.


D. Vitorino Soares dirigiu-se depois às muitas pessoas que o quiseram cumprimentar. “Também estou muito feliz por partilhar 60 anos de vida sacerdotal com o padre Rocha e de poder estar convosco assim de forma espontânea”, afirmou, realçando a celebração de “bodas de diamante”. “Sabemos que diamante é um material precioso, mas é sobretudo um material duro e resistente. Por isso, nestes 60 anos, agradeço por toda uma vida, todo um sacerdócio, a dedicação a esta Igreja do Algarve e, particularmente, a esta paróquia de São Luís”, referiu o bispo eleito, acrescentando ainda a ligação a Maria, pelo facto de o sacerdote ter sido ordenado em dia de solenidade da Assunção de Nossa Senhora. “Que estas sementes possam brotar também em frutos vocacionais. Que estes momentos de festa, alegria e partilha possam deixar também marca”, desejou ainda.
O padre António da Rocha regozijou-se pela possibilidade de celebrar o aniversário “numa conjuntura que não era esperada” ao ter presente “o bispo cessante e o bispo que entra”. Agradeceu as palavras de ambos e também a presença dos sacerdotes e diáconos.
Padre António da Rocha celebra 60 anos de ordenação sacerdotal










