Pároco da paróquia dos Santos Anjos de Coalane, na Diocese de Quelimane, Moçambique, está pela primeira vez no Algarve e também na Europa.
O padre Sereneu Rodrigues Alexandre, sacerdote moçambicano da Diocese de Quelimane, encontra-se pela primeira vez no Algarve, numa visita que representa também a sua estreia em território europeu. A deslocação, inicialmente pensada como um período de férias, constitui igualmente uma oportunidade para conhecer de perto a realidade da Igreja no Algarve e contactar com diferentes formas de viver e organizar a ação pastoral.
Durante a sua permanência na região, o sacerdote está acompanhado pelo vigário-geral da Diocese do Algarve, cónego César Carlos Chantre, pároco da paróquia de São Pedro, em Faro.
“A princípio, vim passar férias. E ter uma oportunidade também de aprender outras práticas litúrgicas e pastorais a partir do Algarve”, explicou o sacerdote, sublinhando a dimensão de aprendizagem que pretende dar à sua visita.
Em Moçambique, o padre Sereneu Rodrigues Alexandre é pároco da paróquia dos Santos Anjos de Coalane, na província da Zambézia, região centro do país. A paróquia integra 14 comunidades e, segundo o sacerdote, reúne cerca de um milhão de católicos, uma dimensão que evidencia a exigência e a complexidade do acompanhamento pastoral.
A dimensão das comunidades exige uma organização pastoral assente numa forte participação dos fiéis. O sacerdote descreve a Igreja moçambicana como “uma Igreja ministerial”, na qual os leigos desempenham um papel fundamental, em articulação com os sacerdotes e as religiosas. “Temos muitos leigos empenhados e coordenados com sacerdotes e algumas irmãs, que estão no dia a dia da vida pastoral das comunidades da diocese”, explicou, destacando o envolvimento dos diferentes agentes pastorais na vida das comunidades cristãs.
Desafios materiais condicionam a ação pastoral
Apesar da vitalidade das comunidades, o trabalho pastoral enfrenta dificuldades, sobretudo ao nível dos recursos materiais e logísticos. “Os grandes desafios são as condições materiais. São paróquias sem transporte. São paróquias, às vezes, sem material litúrgico”, afirmou o sacerdote.
Neste contexto, a ligação a Portugal assume particular importância, nomeadamente no acesso aos materiais necessários para as celebrações e para a vida litúrgica das comunidades. “Nós usamos mais material litúrgico vindo de Portugal. E em Moçambique, quem nos faz chegar esse material é a Paulinas Editora, porque muitas das vezes tem sido difícil ter acesso a esse material”, explicou.
Para o padre Sereneu, esta colaboração tem raízes profundas e encontra fundamento na história e na língua partilhadas pelos dois países. “Temos relações de natureza histórica e linguística. Então não temos como não ter esta colaboração com Portugal”, considerou.
Uma Igreja num país marcado por diferentes realidades
Questionado sobre a situação sociopolítica de Moçambique e os seus reflexos na vida das comunidades cristãs, o sacerdote recordou que a guerra civil terminou em 1992, tendo o país entrado posteriormente num processo de consolidação democrática, com eleições periódicas.
Referiu, contudo, a situação de insegurança que continua a afetar a região norte do país, particularmente a província de Cabo Delgado, marcada pela violência armada. Uma realidade que, segundo explicou, não se faz sentir com a mesma intensidade na Zambézia, onde considera que o ambiente permanece relativamente tranquilo.
Um percurso sacerdotal ligado à Diocese de Quelimane
O percurso do padre Sereneu Rodrigues Alexandre está ligado à Diocese de Quelimane, no centro de Moçambique. O sacerdote nasceu em Macuse, a 5 de novembro de 1979, e foi ordenado sacerdote a 17 de outubro de 2010, também em Macuse.

A sua atividade inclui igualmente uma ligação ao ensino superior. Num trabalho académico do Instituto de Educação à Distância da Universidade Católica de Moçambique, datado de abril de 2025, surge identificado como docente da disciplina de Ética Social.
A visita ao Algarve proporciona-lhe, assim, um contacto com uma realidade eclesial diferente daquela em que desenvolve habitualmente o seu ministério. Mais do que um período de férias, representa uma oportunidade de observação, partilha e enriquecimento pastoral.
O intercâmbio entre as Igrejas de Portugal e de Moçambique, sustentado também por uma história comum e pela língua portuguesa, continua a revelar-se importante para a partilha de experiências, a formação e o apoio às comunidades cristãs.
Para o padre Sereneu Rodrigues Alexandre, esta primeira experiência no Algarve e na Europa constitui mais uma oportunidade de aprendizagem ao serviço da missão pastoral que desenvolve em Moçambique.











