Cáritas do Algarve celebrou aniversário com eucaristia e almoço de homenagens

Samuel Mendonça
20 de Novembro de 2019

Igreja

20 de Novembro de 2019

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A Cáritas Diocesana do Algarve escolheu o passado domingo, em que a Igreja celebrou o III Dia Mundial dos Pobres, para assinalar o seu 62º aniversário e os 50 anos do seu Centro Infantil. As efemérides foram comemoradas com a celebração da eucaristia, presidida na Sé de Faro pelo bispo da diocese.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

D. Manuel Quintas lembrou que “faz parte do âmbito de ação da Cáritas a promoção da consciência social na diocese e a partilha de bens, tão importante para esta mudança de mentalidade, de que o bem de cada um será um bem maior e mais pleno se for inclusivo”.

O prelado acrescentou que a instituição tem em conta a “promoção da consciência social a que procura responder com diversas ações de formação, nomeadamente as Jornadas de Pastoral Social” anuais, as “conferências promovidas em cada uma das vigararias” para assinalar aquele aniversário e a celebração do III Dia Mundial dos Pobres.

“Celebrar o III Dia Mundial dos Pobres, e nele o aniversário da Cáritas, deveria significar para todos nós, Igreja no Algarve, à luz da Palavra escutada e da mensagem do papa Francisco, o empenho em nos assumirmos como semeadores de esperança em todas as formas de pobreza que atingem a nossa sociedade, com iniciativas e gestos concretos que possibilitem que essa semente germine, cresça e dê frutos de vida nova em todos os que manifestam incapacidade em a viver com a abundância referida por Cristo”, afirmou D. Manuel Quintas.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Que saiamos daqui mais despertos e mais comprometidos para sermos semeadores de esperança, sobretudo no coração daqueles em que esta possa estar a esmorecer”, pediu na eucaristia concelebrada pelo bispo emérito do Funchal, D. António Carrilho, natural de Loulé – que na altura, enquanto padre na cidade de Faro, foi apoiante da instituição – e pelo pároco da Sé de Faro, padre Rui Barros, e participada pelo presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, pela diretora do Centro Distrital de Segurança Social, Margarida Flores, e pelo presidente da Câmara de Faro, Rogério Bacalhau.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

No almoço que se seguiu à celebração, realizado no salão da paróquia de São Luís de Faro, D. Manuel Quintas destacou o que a Cáritas significa para a Igreja algarvia e para a região. “Como bispo da diocese sinto orgulho na Cáritas Diocesana, por aquilo que ela é e por aquilo que ela faz”, afirmou, alertando, contudo, que a instituição não supre a responsabilidade pessoal. “Ela não nos substitui e não nos devemos dispensar daquilo que é a responsabilidade de cada um”, afirmou. “A sua missão não é substituir-nos, mas despertar-nos e alertar-nos a acolher e recolher esforços e contributos de todos, canalizando-os para minorar o sofrimento daqueles que mais sofrem”, já tinha afirmado na missa. “Gostaríamos de continuar a contar com a Cáritas, mas também gostaríamos que a Cáritas soubesse que pode contar connosco”, sustentou no almoço.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O presidente da Cáritas Diocesana prometeu que a instituição, “centrada na espiritualidade cristã que lhe é própria”, continuará a procurar “contribuir para a promoção da ação social da Igreja do Algarve”.

Carlos Oliveira manifestou igualmente o desejo “de ver a construção” da sede da instituição onde se pudesse “instalar definitivamente o Lar da Mãe, o lar de passantes e muitas outras respostas sociais que possam ir ao encontro das necessidades dos que mais sofrem na sociedade”.

Aquele dirigente referiu também a intenção de continuarem determinados em “melhorar a vida” das crianças do Centro Infantil, “apostando no melhoramento e funcionalidade” do edifício, na “melhoria de conhecimento” dos funcionários “através de ações de formação”.

Carlos Oliveira apresentou uma retrospectiva histórica da Cáritas Diocesana, lembrando que a instituição “nasceu na década de 50 do século passado por iniciativa do bispo de então D. Francisco Rendeiro”, tendo como presidente João Moniz Nogueira, como tesoureiro Rosado Pereira e como assistente espiritual o padre José Nobre Duarte.

“A Cáritas destacou-se nessa altura na distribuição de alimentos provenientes dos EUA”, contou, acrescentando que “já com D. Júlio Tavares Rebimbas foram feitas algumas alterações nos órgãos diretivos” e que “no final da década de 60 foram criadas as condições para iniciar um pequeno infantário destinado a acolher as crianças do bairro da lata existente em Faro, nas traseiras do Estádio de São Luís”.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O dirigente explicou que com o bispo D. Ernesto Gonçalves Costa e com Rosa Larisma, da Sociedade das Filhas do Coração de Maria, como presidente da direção foi lançada a primeira pedra do atual edifício do Centro Infantil, intituição que na altura funcionava “num barracão instalado na Carreira de Tiro.

Carlos Oliveira lembrou ainda as “duas marcas assinaláveis” no tempo de D. Manuel Madureira Dias com a criação da valência do Lar da Mãe, que se destina a acolher grávidas em risco, e o apoio à reconstrução das 13 casas de Monchique ardida nos incêndios de 2003 e 2005.

O presidente acrescentou que com o atual bispo D. Manuel Quintas “surge o Refeitório Social para fazer face às vítimas” da última crise, assim como o Fundo Diocesano Social que distribuiu “mais de 200 mil euros para rendas de casa, água e luz, medicamentos, próteses” e “até propinas de alunos universitários”.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

No almoço, que contou com a presença da provincial da Sociedade das Filhas do Coração de Maria, o presidente da Cáritas Portuguesa defendeu que a instituição também tem “intervenção sociopolítica”, assumida “para procurar intervir nas causas que não estão nos pobres”. “Nenhuma instituição social – muito menos aquelas que maiores responsabilidades têm – se deve assumir como gestoras da pobreza dos pobres. O que somos chamados a fazer é a eliminar essas causas” sustentou Eugénio Fonseca.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A diretora do Centro Distrital de Segurança Social manifestou disponibilidade para continuar a colaboração entre as partes. “Estamos cá para novos desafios. Venham eles”, afirmou Margarida Flores, reconhecendo ser “através das IPSS que o Estado cumpre uma grande fatia da sua obrigação social”. “O Estado social não pode viver sem elas que são o nosso grande parceiro”. “Quebrar os ciclos de pobreza é algo que nos deve preocupar a todos que estamos no terceiro setor e na causa social”, completou.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O presidente da Câmara de Faro, por sua vez, destacou o “papel importantíssimo no país e no mundo” da “ação social da Igreja Católica, no qual a Cáritas está também incluída”. “Se não tivéssemos a sorte de ter a Cáritas no Algarve, certamente teríamos muitos mais problemas”, afirmou Rogério Bacalhau.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A tarde terminou com a homenagem, com atribuição de uma placa a antigos dirigentes, funcionários, voluntários, ex-colaboradores e amigos da instituição.

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