
Há dias acompanhei um grupo de alunos de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) numa visita ao Templo Hindu de Lisboa e à Mesquita Central. Foram momentos de grande aprendizagem para todos, já que acredito profundamente que é preciso conhecer para podermos respeitar.
No final da visita ao Templo Hindu, feita pela simpática Sona, trocámos algumas palavras e ela despediu-se desejando-me um feliz Natal. Também nos momentos finais da visita à Mesquita, estive a conversar com o Sheik David Munir que na despedida, desejou-me um Natal feliz. Estas duas situações não conteriam em si nada de especial, se não vivêssemos tempos em que ser moderado e respeitador das diferenças ideológicas ou religiosas fosse quase um crime, uma afronta ou sinal de fraqueza, já que a polarização social é tal, que quem não defende um dos lados de forma intransigente é amorfo e sem carisma.
Ora, isto vem a propósito de algumas notícias sobre escolas que decidiram, do alto da sua “neutralidade”, eliminar qualquer símbolo referente ao Natal, fosse ele mais cristão ou mais pagão. Algumas explicações para a decisão prendem-se com o respeito por toda a comunidade escolar, já que a mesma é composta por cristãos e por membros de outras religiões e até por quem não acredita em nada. Assim, aboliram-se todos os símbolos culturais e religiosos em nome de uma suposta igualdade. Que igualdade? A de um cristão não poder ter na sua escola um único símbolo que o remeta para uma das principais celebrações da sua fé? A igualdade de apagarmos a história, a cultura e a tradição, já que a celebração do Natal ultrapassa línguas, credos e ideologias?
Gostava de saber se nestas escolas existiu alguém que, não sendo cristão, tenha pedido para que não se fizessem alusões a qualquer símbolo natalício, porque isso ofenderia os seus filhos? Ou terão sido decisões das respetivas direções escolares que, em nome da suposta tolerância, neutralidade e respeito, mais não fizeram do que impor o seu credo ateu ou agnóstico? É legítimo esse credo e merece todo o respeito, mas também não pode nem deve ser imposto.
Integrar e acolher não significa renegar a tradição e cultura de um país, de uma localidade ou de uma escola. Impedir crianças cristãs de celebrarem o Natal nas suas escolas promove a exclusão e não a inclusão. Promove o desrespeito e não a aceitação. Promove a ignorância e não o conhecimento. Permitir que existam símbolos do Natal em cada escola é ajudar os alunos a compreenderem o seu significado, é educar para a tolerância. Ao invés, se os ocultamos, não somos inclusivos e reduzimos as oportunidades de diálogo e de aprendizagem mútua.
Voltando aos dois exemplos referidos no começo: a Sona é hindu e o Sheik David é muçulmano. Nenhum celebra o Natal, pelo menos na sua dimensão religiosa. Isso não os tornou insensíveis à pessoa que tinham diante de si, pois reconheceram a importância da celebração do nascimento de Jesus para mim, e desejaram que a mesma fosse boa, agradável, feliz.
Enquanto não compreendermos que o respeito será sempre a base de todos os entendimentos, continuaremos a ter preconceitos infundados sobre outras culturas, credos ou ideologias.






