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Os adultos, que vieram agora confirmar a sua intenção de querem ser cristãos, irão celebrar os três sacramentos na Vigília Pascal das respetivas paróquias e, para isso foram aceites pelo bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, depois de propostos pelas paróquias de Altura (1), Conceição de Faro (8), Estoi (3), São Luís de Faro (1), São Pedro de Faro (1), Sé de Faro (3), São Sebastião de Lagos (4), Loulé (3), matriz de Portimão (2), Quarteira (3), Quelfes (4), Santa Bárbara de Nexe (1) e Santa Maria de Tavira (2).

Estes adultos, a sua maioria com idades entre os 30 e os 40 anos, iniciaram uma nova fase do seu catecumenado (preparação para a receção dos sacramentos da iniciação cristã) – a purificação e iluminação, – deixando de ser catecúmenos (designação dos candidatos aos sacramentos da iniciação cristã) para passar a ser eleitos, ou seja, escolhidos.

A Igreja tem um percurso próprio para a iniciação cristã dos adultos que começa com um período de pré-catecumenado, com a manifestação do primeiro desejo de ser batizado. Segue-se o tempo de catecumenado, ligado de maneira particular à catequese, ao conhecimento da pessoa de Jesus, da Igreja e das verdades da fé cristã. Este tempo termina com o rito de eleição dos catecúmenos e a partir desse dia, a preocupação com os adultos já não é de ordem doutrinal, mas de ordem espiritual. São então convidados a uma caminhada mais intensa de ordem interior. Seguidamente à receção dos sacramentos da iniciação cristã, os neófitos (novos filhos) iniciam um período de mistagogia em que são inseridos na vida da Igreja.

Dirigindo-se a cada catecúmeno que com ele se reuniu numa sala anexa ao Seminário de São José, em Faro, D. Manuel Quintas explicou que, no caso dos adultos, “o batismo, em vez de ser celebrado como para os bebés, numa única celebração, vai sendo celebrado, gradualmente, ao longo da Quaresma”.

Ao longo do encontro com os candidatos à iniciação cristã falou sobre o sentido da Páscoa, incluindo a simbologia do período de preparação que a precede – a Quaresma – e da caminhada de iniciação cristã (catecumenado), recuperada após o Concílio Vaticano II, que explicou ter origem nos primeiros séculos do Cristianismo. No encontro, em que participaram também o cónego José Pedro Martins, vigário episcopal para a Pastoral, e o padre Flávio Martins, responsável pelo Sector da Educação da Fé dos Adultos, D. Manuel Quintas incentivou os catecúmenos a “progredir no bem, não só na Quaresma” e elucidou sobre o significado do jejum, da esmola e da partilha neste tempo litúrgico.

Mais tarde, na sé de Faro, acompanhados pelos seus padrinhos – garantes nesta sua caminhada de fé –, os candidatos, depois de apresentados, aproximaram-se do bispo diocesano. Após terem sido interrogados, padrinhos e candidatos, os segundos inscreveram em livro próprio o seu nome, gesto que confirma a sua vontade em receber os sacramentos da iniciação cristã.

O bispo do Algarve manifestou-lhes a certeza da “força do amor de Deus”. “É muito importante saberdes que Deus estará sempre do vosso lado. Se já notastes isso neste caminho que fizestes como catecúmenos, podeis ter a certeza Ele se tornará ainda mais vivo e presente na vossa vida com os sacramentos da iniciação cristã”, sustentou.

Por outro lado, o prelado evidenciou-lhes a responsabilidade e a coerência implícita ao seu pedido. “Não tem sentido nenhum, ser batizado na vigília pascal e depois participar na vida da comunidade só quando tiver tempo e alimentar-se da eucaristia quando não tiver mais nada que fazer. Não precisamos de cristãos desses aqui no Algarve”, advertiu, lembrando que “quem é batizado em adulto tem de ser adulto na fé e tem de alimentar essa fé com a palavra e a eucaristia”.

D. Manuel Quintas, que alertou ainda para a importância da pertença a uma paróquia, desejou que aquela celebração constituísse para todos uma “força interior” que ajude a alicerçar a fé em Cristo e apelou a uma “intensificação espiritual” para assimilarem “de maneira mais consciente e plena o que significa ser batizado”. “Se não nos abrimos àquilo que os sacramentos operam em nós, depressa a nossa fé esmorece”, avisou.

Os eleitos irão agora, durante os próximos domingos da Quaresma, celebrar nas suas paróquias os escrutínios e a tradição das entregas do Credo e do Pai-Nosso e na Vigília Pascal, a mais importante celebração para os cristãos, completarão a sua iniciação sacramental.

A Quaresma é um período de 40 dias – excetuando os domingos -, marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência, que serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário dos cristãos.

Samuel Mendonça

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