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Com a participação de 42 catequistas, oriundos das paróquias de Albufeira, Conceição de Faro, Estômbar, Ferreiras, Fuseta, Lagoa, Loulé, Matriz de Portimão, Messines, Moncarapacho, Montenegro, Quelfes, São Luís e São Pedro de Faro e Vila Real de Santo António, a formação, no seu primeiro módulo, foi mais teórica, enquanto o segundo fim-de-semana foi bastante mais prático com experimentação de catequese activa e abordagem às dinâmicas de todos os catecismos. “As pessoas hoje precisam de coisas muito concretas porque estão cansadas de teoria e querem ver como é que se faz”, observou a irmã Alda Rego, responsável pelo Sector da Catequese da Infância e Adolescência da Diocese do Algarve.

A própria estrutura do curso sofreu algumas alterações relativamente a edições anteriores, motivadas pelas actualizações que têm sido feitas nalguns catecismos, como é o caso do 4º ano.

A irmã Alda Rego reconhece a falta de catequistas na Igreja do Algarve e assegura que “as mais dedicadas são pessoas muito ocupadas, que têm vida familiar e profissional muito preenchida e que até não têm grandes possibilidades económicas”. A este nível, a religiosa confessa que houve casos de catequistas que participaram no primeiro módulo em regime de estadia completa, mas neste segundo módulo já evitaram essa despesa. “Agora fazem viagens grandes, vêm de manhã cedíssimo, estão cá durante o dia, mas vão embora à noite para não pagarem o jantar, a dormida e o pequeno-almoço”, testemunha a irmã Alda Rego, defendendo que “as paróquias é que deveriam assumir tudo porque os catequistas estão ao seu serviço”.

Não obstante as dificuldades financeiras de alguns dos participantes, a religiosa destaca a sua “vontade enorme de caminhar, aprofundar a fé e comunicá-la aos outros”. “As pessoas sentem que isto é pouco. O ideal era seguirmos depois para o Curso Geral. Há muita gente que fica só com o Curso de Iniciação e é pouco porque os catecismos exigem muito”, frisou.

Para fazer face às dificuldades financeiras dos participantes e também à contrariedade de terem de deixar as famílias durante dois dias inteiros, o Sector Diocesano da Catequese da Infância e Adolescência pondera a possibilidade de passar a fazer os cursos de iniciação por vigararias, terminando ao final da tarde de cada dia para regresso a casa.

A irmã Alda Rego considera ainda que a falta de catequistas está relacionada com a “perda do sentido de Deus” que constata haver na sociedade. “Há uma falta de motivação. Não vemos comunhão entre as paróquias. Temos de apostar muito nas famílias jovens. Muita da nossa acção perde-se porque não há apoio na família”, complementa.

Por outro lado, a religiosa lamenta que haja catequistas a fazer catequese a dois ou três grupos. “É impossível um catequista ser capaz de preparar, numa semana, três catequeses por forma a que os catequizandos assimilem a mensagem”, adverte, acrescentando que “fazem o que lá está mas não há encontro com a pessoa de Jesus”.

Citando o Papa Paulo VI, lembra que “o grupo de catequistas é o «termómetro» pelo qual se pode medir o grau de «temperatura» da fé de uma comunidade”. “Quando a paróquia não tem os catequistas de que precisa faça um exame de consciência e pergunte-se qual o seu grau de fé”, acrescentou.

Samuel Mendonça

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