Na sua mensagem para a Quaresma deste ano, que tem início já no próximo dia 18 deste mês, o bispo do Algarve exorta à prática de “obras de misericórdia” perante as “tribulações” que têm atingido o país.

No texto, escrito na terça-feira e hoje divulgado pela Diocese do Algarve, D. Manuel Quintas alude a “tantas tribulações” que “ferem a dignidade humana, desfazem tantos sonhos, prostram tantas famílias e comunidades, duramente atingidas pelas intempéries que se têm abatido impiedosamente sobre algumas regiões” de Portugal.

O documento recorda que o programa pastoral da diocese algarvia para este ano pastoral 2025/2026 é dedicado à segunda parte da tripla exortação de São Paulo aos cristãos de Roma que incide precisamente no apelo a que sejam «Pacientes na tribulação». “A tribulação faz parte da condição humana. Conhecemo-la nas fragilidades pessoais, nas dificuldades familiares, nas incertezas económicas, no sofrimento dos doentes, na solidão dos idosos, nas inquietações dos jovens, nas feridas sociais que marcam a nossa região”, começa por referir o bispo diocesano.

Lembrando que “a paciência cristã não é resignação passiva, mas firmeza confiante, sustentada pela esperança que não engana”, D. Manuel Quintas vem convidar a “viver a paciência como expressão de um coração convertido”. “A conversão que nos é pedida não é apenas moral ou exterior; é, antes de tudo, uma conversão à escuta. Escuta do Outro, que é Deus, e escuta dos outros, nossos irmãos e irmãs”, clarifica.

A propósito, constatando que “a vida da Igreja também conhece desafios” que “pedem purificação e renovação”, acrescenta que “o caminho da sinodalidade, que a Igreja tem vindo a percorrer, é precisamente um caminho de conversão à escuta”. “Escutar o Espírito Santo que fala na Palavra, na oração, nos sinais dos tempos; escutar-nos mutuamente, acolhendo com humildade e respeito a voz do que caminha ao nosso lado; escutar o clamor dos pobres e dos que sofrem”, concretiza, alertando que “só uma Igreja que escuta pode ser verdadeiramente missionária e sinal de esperança no meio das tribulações”.

O bispo do Algarve escreve ainda que “escutar Deus implica reservar tempo para a oração, para a meditação da Sagrada Escritura, para a participação mais consciente e ativa na Eucaristia”. “Exorto cada comunidade paroquial, cada movimento ou grupo eclesial, cada família, a redescobrir a centralidade da Palavra de Deus neste tempo quaresmal e a importância central da Eucaristia na nossa vida pessoal e eclesial”, prossegue, acrescentando: “a paciência na tribulação alimenta-se de joelhos, ilumina-se com um coração atento e sensível e fortalece-se em cada gesto solidário e fraterno”.

Lembrando que “escutar os outros significa sair de si mesmo, vencer a indiferença, abrir espaço ao diálogo e à partilha”, o responsável católico realça: “esta conversão à escuta concretiza-se nas obras de misericórdia”. D. Manuel Quintas anunciou, por isso, que a renúncia quaresmal reverterá para um Fundo Solidário que será constituído para ajudar as vítimas das intempéries.

D. Manuel Quintas adverte ainda que «pacientes na tribulação» “significa também acompanhar com ternura os que atravessam momentos de prova, sem julgamentos precipitados, sem respostas fáceis”.

Por fim, o bispo do Algarve convida as comunidades algarvias “a fazer desta Quaresma um verdadeiro laboratório de sinodalidade: promovendo momentos de escuta comunitária, fortalecendo os conselhos pastorais, envolvendo os jovens, valorizando ainda mais o serviço feminino e integrando os mais frágeis”. “Que ninguém se sinta excluído do caminho comum”, pede D. Manuel Quintas.

Diocese do Algarve vai constituir Fundo Solidário para ajudar vítimas das intempéries