Os participantes na ‘Marcha pela Vida’, realizada este sábado em Faro, e os transeuntes que passavam pelo jardim Manuel Bívar foram desafiados a lutar por uma sociedade inclusiva que apoie a maternidade e as “pessoas que estão em sofrimento” que precisam de “carinho” e de “cuidados paliativos”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
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A caminhada, realizada pelo terceiro ano consecutivo, contou com cerca de 150 pessoas de vários pontos do Algarve, associando-se à iniciativa nacional em 12 cidades portuguesas, promovida pela Federação Portuguesa pela Vida, que se começou a realizar anualmente em 2012, embora tenha surgido em 1998 por ocasião do primeiro referendo do aborto.

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O percurso teve início junto à escola secundária João de Deus, prosseguiu pela avenida 5 de Outubro, pela rua de Santo António e pela rua D. Francisco Gomes até ao jardim Manuel Bívar, com os participantes, encabeçados pelos motards da Christian Motorcyclists Association (Associação Cristã de Motociclistas), a empunharem cartazes e faixas e a repetirem palavras de ordem como “toda a vida pede amor!”.

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Junto ao coreto daquele jardim da baixa de Faro, o coordenador da plataforma Algarve pela Vida desafiou então os presentes a “lutar por uma sociedade inclusiva em que haja apoio à maternidade” e aos doentes e outras “com muitas dificuldades”. “Se elas tiverem cuidados paliativos e carinho podem sentir que vale a pena viver em vez de começarem a ter o desejo de morrer”, afirmou Luís Lopes, garantindo que “nalguns países já estão a ser pessoas eutanasiadas porque se sentem deprimidas”.

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Aquele responsável, que apelou também a “políticas concretas de apoio” para “uma sociedade mais solidária”, criticou que se assista “em muitos países à chamada rampa deslizante”. “As leis tornam-se cada vez mais permissivas e há cada vez mais mulheres a abortar e cada vez mais pessoas a serem mortas através da eutanásia”, lamentou, garantindo que em Portugal “mais de metade dos doentes em 2024 no Serviço Nacional de Saúde morreram sem terem conseguido ter acesso a cuidados paliativos”.

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Lamentando a “violência silenciosa que está a acontecer no ventre materno contra o ser humano” que “nenhuma sociedade civilizada pode tolerar”, Luís Lopes assegurou que na Europa “98% das gravidezes em que é detetado síndroma de Down, acabam em aborto”. “São mortos bebés só porque são um pouco diferentes. Falamos muito de inclusão. Isto será inclusão? A inclusão não é para todos, é só para alguns?”, questionou, considerando que “devia haver era mais apoios do Estado e da sociedade”.

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Por outro lado, aquele ativista pró-vida, disse que “no Reino Unido uma em cada três gravidezes terminam em aborto” porque naquele “farol da civilização” “as mulheres podem livremente abortar até ao final da gestação”. “Isto é de bradar aos céus, não podemos aceitar, temos de nos revoltar contra estas leis iníquas porque há pessoas que estão a ser eliminadas e descartadas”, afirmou, considerando que “a mulher tem direito a decidir sobre o seu próprio corpo, mas aquela vida que tem ali dentro não pertence ao corpo da mulher”. “Não é um apêndice, nem um músculo que está ali a crescer. É outra vida e outro ser humano”, evidenciou, reforçando que “cada pessoa começou a existir no momento da conceção”.

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Luís Lopes disse que em Portugal, desde o último referendo ao aborto em 2007, “já foram eliminados entre 250 a 300 mil seres humanos”. “No ano 2024, em Portugal, por cada cinco nascimentos houve um aborto. 49 abortos por dia”, assegurou, garantindo que desses abortos, que “foram mais de 17 mil, só 3% é que foram por malformação do feto, perigo de vida para a mãe ou por violação”. “97% foram apenas a pedido da mulher sem qualquer outra causa. Isto não pode estar certo, não é justo”, considerou, acrescentando que “28,5% dos abortos que ocorreram em 2024 foram repetições” e que “a inclusão é para todos e não só para alguns”.

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Aquele responsável evidenciou assim a “importância das organizações pró-vida”. “As clínicas que fazem o aborto não continuam a acompanhar a mulher porque não estão para a apoiar. Estão para resolver aquela «situação» e acabou. Mas estes movimentos que estão no terreno todo o ano a apoiar a mulher têm salvo muitas vidas”, assegurou, exortando todos a serem “agentes pró-vida o ano inteiro”. “Não podemos desistir porque quando nos calamos o mal avança”, referiu.

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Durante a tarde, foi lido um testemunho de uma das mulheres que foi ajudada por um grupo de apoio à grávida na procura de trabalho e de habitação. Aquela beneficiária, que disse sido obrigada a abortar pela mãe com quem morava, contou como após uma segunda gravidez decidiu ter o filho, mesmo tendo sido expulsa de casa e também pressionada também pelos pais do namorado e pai do seu bebé com quem foi viver. “Hoje o meu filho é amado por toda a gente, é o bebé dos avós. Toda a família lhe dá amor e carinho. Todos ajudam e tudo o que ele precisa arranjam maneira de conseguir. Tudo passou e estamos muito felizes”, acrescentou.

No fim da iniciativa que contou ainda com a atuação do grupo musical da Comunidade Cristã Renovada do Algarve, foi anunciado que quarta ‘Marcha pela Vida’ realizar-se-á no 17 de abril de 2027.