O bispo do Algarve lembrou esta manhã aos sacerdotes, na Missa Cristal a que presidiu na Sé de Faro, que o seu ministério “não é o de medir resultados, apresentar estatísticas, mas garantir presença”.


“Presença de Cristo, presença do pastor, presença da misericórdia, presença da esperança”, concretizou D. Manuel Quintas, na Eucaristia concelebrada também pelo bispo emérito de São Tomé e Príncipe, D. Manuel António dos Santos, pertence à congregação dos Missionários do Coração de Maria (claretianos), a colaborar com a Igreja do Algarve.



Com base na primeira carta apostólica do Papa, do passado dia 08 de dezembro, ‘Uma Fidelidade que Gera Futuro’, da qual quis destacar “três chaves de leitura”, o bispo diocesano lembrou que, perante “tempos exigentes” de “envelhecimento, cansaço pastoral, diminuição do número de presbíteros e mudanças culturais profundas” em que os sacerdotes poderiam “cair facilmente na lógica da sobrevivência ou da nostalgia”, Leão XIV evidencia que “a verdadeira fidelidade é geradora de futuro”.


“Isto significa que um padre fiel não é aquele que resiste apenas, e não se desvia dos compromissos assumidos, mas aquele que continua a acreditar que Deus continua a agir nele e através dele. Mesmo quando os frutos não são imediatos, mesmo quando falta o reconhecimento, mesmo quando o terreno parece árido, a fidelidade silenciosa está a preparar algo, que talvez ainda não conseguimos vislumbrar, mas que Deus fará germinar, crescer e frutificar”, desenvolveu.


Prosseguindo na análise daquele documento do Papa, que aconselhou a todos a incluir nas suas “leituras obrigatórias” “pela sua importância, oportunidade e atualidade”, D. Manuel Quintas destacou que “a fidelidade não é rigidez, nem simples fixação no passado”. “Fidelidade é permanecer em Cristo, de tal modo que a nossa vida, como anúncio de uma permanente primavera, continue a fazer despontar botões, flores e frutos. É isso que hoje renovamos, não simplesmente as palavras ditas um dia, mas sobretudo uma relação viva com o Senhor que continua a chamar-nos para estarmos com ele e para nos enviar, sempre de novo, em missão”, sustentou.



Naquela celebração, marcada também pela renovação das promessas sacerdotais, o bispo do Algarve chamou a atenção dos padres que a “pergunta decisiva não é: «ainda cumpro o que prometi?», mas sim: «ainda vivo unido Àquele com o qual me comprometi e ao qual consagrei toda a minha vida?»”. “Sem esta união, o nosso ministério torna-se função. Com ela, o nosso ministério torna-se fecundo, a fecundidade do Espírito, a fecundidade que gera futuro”, alertou, acrescentando: “ao renovar as nossas promessas, não estamos a olhar para trás com saudade, mas para diante com confiança. A fidelidade que hoje manifestamos – talvez com fragilidades, talvez com cansaços, mas também com verdade – é precisamente aquela de que Deus se serve para gerar futuro. E esse futuro não depende apenas das nossas forças, mas da graça que recebemos”.



D. Manuel Quintas prosseguiu, evidenciando que as promessas sacerdotais são renovadas não individualmente como no dia da ordenação, mas “juntos, como grupo coral”. “E isso não é um detalhe. O sacerdócio recebe-se individualmente, mas nunca se vive isoladamente”, frisou, acrescentando: “num tempo em que o individualismo se infiltra em tudo, inclusive na nossa vida pessoal e pastoral, precisamos de redescobrir e de reforçar a amizade fraterna entre presbíteros, nela incluindo os diáconos permanentes e alargada aos leigos mais comprometidos nas nossas comunidades; precisamos de redescobrir e reforçar o apoio mútuo, em todas as situações e circunstâncias; precisamos de redescobrir e reforçar a corresponsabilidade na missão, inspirados no Documento final do Sínodo”.
Neste sentido, advertiu que “um presbitério dividido enfraquece o presente e hipoteca o futuro”. “Um presbitério unido torna-se sinal vivo de que vale a pena seguir Cristo e dar a vida por Ele”, contrapôs, acrescentando ser este o contexto em que os sacerdotes devem “acolher e ler” a publicação do cardeal D. José Tolentino, intitulado “Correção fraterna, uma prova de amor”, que quis oferecer a todos. “Uma correção, quando é fraterna e quando é feita por amor, é sempre uma promoção do outro, uma promoção do irmão”, realçou.

Na Eucaristia, participada todos os sacerdotes da Diocese do Algarve e por alguns de fora, como o padre Tony Neves, conselheiro geral da Congregação do Espírito Santo, o bispo do Algarve disse ainda que aquela celebração assumiu para si “um significado especial, conhecido por todos”. D. Manuel Quintas lembrou que a diocese aguarda “com grande serenidade” um novo bispo. “Mesmo sem ainda o conhecermos, queremos, desde já, todos sem exceção, rezar também por ele, como vimos fazendo nas nossas comunidades”, afirmou.



O bispo diocesano pediu ainda que se unissem a ele em “ação de graças” pelos 22 anos de serviço “e por tudo o que neles constituiu ação benfazeja de Deus” em si e no clero, nas consagradas e nos leigos. D. Manuel Quintas destacou os 19 padres que ordenou durante o seu ministério episcopal, 15 dos quais ainda ao serviço da diocese, e os cinco diáconos a que também impôs as mãos.

O bispo do Algarve quis ter ainda presente os sacerdotes que este ano celebram “jubileus sacerdotais”, concretamente, o padre David Sequeira pelo 70º aniversário de ordenação presbiteral e os padres Henrique Varela e António Rocha pelos aniversários de 60 anos de ordenação presbiteral.
Para além das promessas sacerdotais, a Eucaristia ficou ainda marcada pela bênção dos óleos dos catecúmenos e enfermos e pela consagração do óleo do Crisma, que serão usados durante o próximo ano na administração dos sacramentos do Batismo, Crisma, Ordem ou Santa Unção, ou na dedicação dos altares ou de novas igrejas.










