O docente em Silves evidencia que a disciplina ajuda a ver o outro “como um irmão e um amigo” e “não uma ameaça”

“A Educação Moral e Religiosa Católica [EMRC] tem hoje desafios muito exigentes, sobretudo no Ensino Secundário”. Quem o diz é Adriano Batista, docente da disciplina no Agrupamento de Escolas de Silves.

“Sempre os teve, e ainda bem. Porque os desafios não têm que ser imobilizantes, mas devem-nos fazer ser criativos para que a disciplina, com a sua proposta de formação integral, possa continuar a cativar os alunos, fazendo com que a escolham frequentar porque a mesma os ajuda a pensar mais e melhor, indo além das soluções superficiais que dominam o quotidiano”, acrescenta o educador.

Adriano Batista diz que “alguns destes desafios passam pela diversidade de visões ou crenças” e que “a missão do docente é também a de mostrar que a EMRC é uma casa aberta a todos, todos, todos, independentemente da sua crença ou da sua não crença”. “Na heterogeneidade que são as salas de aula atuais, o professor tem «matéria-prima» para trilhar com os alunos o caminho da verdadeira fraternidade, onde cada qual olha o outro como um irmão e um amigo, compreendendo que as diferenças são uma oportunidade de conhecimento mútuo e não uma ameaça a ninguém”, sustenta.

“Por outro lado, o ritmo acelerado do dia-a-dia e o distanciamento de muitos jovens de tudo aquilo que dê trabalho – e pensar a sério dá muito trabalho – pode causar alguma desconfiança na inscrição numa disciplina que os quer fazer pensar um pouco mais além do básico”, nota, acrescentando: “a relação pessoal torna-se crucial e a sensibilização sobre aquilo que é a disciplina e o modo como é trabalhada também”.

O docente considera que assim que “a EMRC tem de ser capaz de dialogar com as inquietações reais dos alunos: tem que os ajudar na procura de identidades, nas relações, nos valores, na justiça, na fraternidade, na paz”. “Mais do que transmitir conteúdos a EMRC tem que ser um espaço para o questionamento e para a reflexão”, acrescenta.

Adriano Batista diz que “outro dos desafios passa por combater a ideia de que a disciplina é secundária ou pouco relevante”. “Isso exige práticas pedagógicas diferenciadas e próximas das realidades dos alunos, para que compreendam que estamos a falar de temas centrais da vida humana”, considera.

O educador diz que “o mesmo se aplica aos pais, já que há ainda alguns que não permitem a inscrição dos seus filhos na disciplina, quando estes a querem frequentar”. “E isto acontece por puro desconhecimento. Então, é também um dos desafios da disciplina: chegar às famílias e fazer-se compreender de forma clara”, aponta.

O professor refere que as visitas de estudo, como a que realizou o mês passado a Roma, assumem “um papel importante na formação integral dos alunos, pois complementam o que é trabalhado em sala de aula”. “Permitem aos alunos contactar com realidades e culturas distintas, desenvolver a empatia, o espírito crítico, o sentido de comunidade e a fraternidade”, sustenta.

Adriano Batista considera que, concretamente, a visita a Roma “ajudou os alunos a compreenderem a dimensão história e universal do que é trabalhado em sala de aula, mas também a crescerem enquanto seres humanos”. “No fundo, este tipo de atividades são uma extensão da sala de aula: criam experiências marcantes, despertam interesse e ajudam a que a EMRC cumpra a sua missão essencial — contribuir para a formação integral dos alunos, não só como estudantes, mas como pessoas conscientes, livres e responsáveis”, realça.

EMRC: Visita de alunos de Silves a Roma foi experiência de formação humana, cultural, religiosa e relacional