A Câmara Municipal entregou hoje a Chave de Honra da cidade de Faro a D. Manuel Quintas para distinguir o “percurso de vida e atuação” como bispo da Diocese do Algarve “com um compromisso inabalável para com a região e, em particular, para com o concelho de Faro ao longo de mais de duas décadas”.

A entrega ao administrador apostólico da diocese algarvia daquele galardão, “que se destina a agraciar pessoas singulares ou coletivas exteriores, nacionais ou estrangeiras, que pelo seu reconhecido mérito, prestígio, cargo, ação, serviços excecionais ou contributos para a comunidade”, teve lugar esta manhã no, inaugurado há cerca de um ano, Centro Cultural e de Inovação de Bordeira, na freguesia de Santa Bárbara de Nexe, durante a sessão solene que assinalou o Dia do Município, feriado municipal.

“A atribuição da Chave de Honra da cidade de Faro representa simbolicamente o penhorado reconhecimento dos farenses e do Município de Faro pelo percurso de D. Manuel Quintas, marcado por uma profunda dedicação à causa pública, à solidariedade social e à preservação do património histórico e cultural da nossa cidade”, considerou a autarquia, acrescentando que, “ao longo do seu episcopado, estreitaram-se os laços institucionais entre a Diocese do Algarve e o Município de Faro, de que resultaram inúmeros projetos de apoio aos cidadãos mais vulneráveis, na promoção do diálogo intercultural e na valorização do tecido social farense”.

“A sua postura humanista, consensual e de proximidade com a comunidade local faz de D. Manuel Quintas uma figura profundamente respeitada e merecedora do mais elevado reconhecimento público por parte do Município de Faro”, referiu ainda a edilidade.

O presidente da autarquia, que lhe entregou a distinção acompanhado pelo presidente da Assembleia Municipal Macário Correia, considerou ainda que o agora cidadão honorário da cidade de Faro é “um amigo”. “Entrega-se a chave da nossa cidade a um amigo, a alguém que faz parte da nossa família e que a qualquer momento pode regressar sem ter de pedir: é só pôr a chave e abrir a porta, a porta da sua cidade”, afirmou António Miguel Pina.

Neste dia, após a revista aos bombeiros e polícia municipal, ao hastear das bandeiras e à inauguração de uma nova viatura de combate a incêndios e de um veículo de socorro para a ilha da Culatra, a Câmara Municipal de Faro distinguiu igualmente funcionários com a entrega de medalhas de “bons serviços e dedicação – graus cobre e prata”, correspondendo a 20 e 30 anos de serviço.


Foram ainda distinguidos com a Medalha de Mérito – grau ouro o médico Milheiras Rodrigues, dedicado à saúde pública e familiar em Faro, fundador da Unidade de Saúde Familiar Ria Formosa e diretor clínico da Santa Casa da Misericórdia; o engenheiro silvicultor e arquiteto paisagista Fernando Pessoa, “figura central” na conservação da natureza no Algarve e na criação do Parque Natural da Ria Formosa e nas reservas naturais do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António; a médica Assunção Martinez, ex-presidente da Administração Regional de Saúde do Algarve, dedicada à saúde pública e familiar em Faro com “papel fundamental” na formação de novas gerações de médicos; e, a título póstumo, o engenheiro Henrique André, antigo presidente do núcleo de Faro da Liga dos Combatentes falecido em junho passado, com “grande intervenção” cívica e social.
A comemoração do Dia da Cidade ficou ainda marcada pelos discursos dos principais responsáveis autárquicos farenses. Na sua intervenção, o presidente da Assembleia Municipal apelou à reflexão estratégica da “centralidade de Faro no contexto regional”. Macário Correia considerou que a “cidade que tem cada vez mais turistas e que os espalha por toda a região”, “tem de reter mais desta corrente”. Aquele responsável desejou ainda “que a terceira pedra que foi colocada” na construção do Hospital Central do Algarve possa “ser a pedra que estaque de raiz” e que leve a fazer, de facto, aquela unidade.

Macário Correia considerou ainda que o centro histórico da Vila Adentro seja “um espaço esventrado, de edifícios a cair, de edifícios abandonados”. “O coração de Faro não pode ser isto. Temos todos um dever relevante de contribuir de uma forma consensual e relevante para fazer do coração de Faro uma coisa que nos orgulhe, sem latas, nem tábuas abandonados, sem edifícios destelhados e isso é uma coisa que não se pode permitir por muito mais tempo”.
O presidente da Assembleia Municipal defendeu ainda que a frente ribeirinha da cidade tem que ser “um espaço de concertação de vontades, de investimentos e de um esplendor de desenvolvimento qualitativo ribeirinho, turístico e marítimo”. “Aquela frente ribeirinha é das mais ricas que o Algarve pode ter, mas é simultaneamente a mais abandonada, a mais esventrada, mal habitada, mal conservada”, lamentou, apelando a um acordo entre todas as forças políticas para se inverter a situação.

Outra questão que, segundo Macário Correia, “deve unir toda a gente de todos os partidos” é a habitação. “Têm de ser os poderes públicos a empenhar-se e a criar soluções que deem dignidade às pessoas que querem constituir famílias e que são a mão de obra das nossas empresas, da nossa vida e da nossa atividade”, afirmou, lembrando que muitas vêm “da Indostânia, do Nepal, do Bangladesh, da Índia, do Paquistão”, mas também “da América do Sul, do Brasil em particular” e que “sem eles não havia mão de obra para a agricultura, para o turismo, para a hotelaria do Algarve”.
E, referindo-se precisamente ao “problema sério de acesso à habitação”, António Miguel Pina reafirmou o compromisso da construção de “1000 habitações em quatro anos, entre oferta pública e oferta privada”, “habitação a custos controlados e alguma habitação social”, distribuída entre os Braciais e Estoi.

O presidente da Câmara anunciou ainda a criação de mais uma Unidade de Saúde Familiar, a futura ‘Alameda XXI’ com 17 hectares de espaço verde, o “próximo pulmão da cidade”, a norte da cidade, entre o Campus da Penha da UAlg e o Cemitério Municipal, “uma das melhores marinas naturais do país” no caís comercial com “projeto praticamente concluído”, mais um pavilhão municipal desportivo na Lejana, a criação de mais 24 salas do ensino pré-escolar, a aquisição do Teatro Lethes e a intenção de arrendamento de um espaço no passeio ribeirinho para criação do ‘Margem – Centro Cultural e Criativo’ que acolherá a Associação Recreativa e Cultural de Músicos e outras coletividades que libertem o edifício da antiga fábrica da cerveja junto ao parque de estacionamento de São Francisco.

A sessão contou ainda com a atuação da Banda da Associação Filarmónica de Faro e com outro momento musical dedicado em terra de afamados acordeonistas precisamente ao acordeão com as interpretações da jovem Matilde Ramos, de 15 anos, e do seu professor Jorge Alves da Escola de Música da Conceição de Faro. As peças interpretadas foram ‘Anatango’ (Gorka Hermosa), ‘Flick Flack’ (Albert Vossen) e ‘Noltálgica’ (Jorge Alves).

Esta tarde foi ainda prestada homenagem póstuma ao embaixador do atletismo professor Artur Lara Ramos, falecido em janeiro passado, na Pista de Atletismo de Faro.










