A equipa do Setor da Pastoral Familiar da Diocese do Algarve encontrou-se no passado sábado, 10 de outubro, com o novo bispo diocesano para fazer uma retrospetiva do trabalho realizado com as famílias na última década e refletir sobre os novos desafios e perspetivas de futuro.




O encontro, que teve lugar em Faro no Colégio de Nossa Senhora do Alto, teve início com a oração e a apresentação da equipa, constituída pelo assistente, o cónego Carlos César Chantre, e por sete casais, alguns dos quais ligados também ao Movimento dos Cursos de Cristandade, outros às Equipas de Nossa Senhora e outros Movimento dos Focolares, particularmente ao ramo designado de ‘Famílias Novas’.

Seguiu-se então a apresentação, pelo casal Marco e Cláudia Vieira, do caminho percorrido no Algarve entre 2016 e 2026 pela Pastoral Familiar da diocese. “Procurámos celebrar a família e reforçar a sua presença na diocese”, afirmou Marco Vieira, confirmando que na estruturação da equipa diocesana de que fazem parte houve a “preocupação da heterogeneidade” e “também de dar voz aos movimentos presentes na diocese” na área da Pastoral Familiar.

Marco Vieira destacou ainda “a reflexão sobre os desafios contemporâneos da vida familiar” que foi feita. Segundo aquele membro da Pastoral Familiar, antigo responsável diocesano por aquele setor, na última década as principais marcas do trabalho realizado abrangem cinco dimensões: “a celebração da família com encontros diocesanos, jubileus matrimoniais e a valorização pública do matrimónio; a espiritualidade conjugal e familiar, promovendo retiros, oração, reflexão e procura de tempos de encontro com Deus; a formação e acompanhamento com reflexão sobre a ‘Amoris Laetitia’, os desafios da vida conjugal e as dificuldades das relações familiares; a comunhão e participação com a colaboração entre a equipa diocesana, os sacerdotes, as paróquias e os movimentos ligados à família; e o protagonismo das famílias com a criação de espaços onde os casais partilham experiências e ajudam outras famílias a crescer”.
Tendo em conta o “panorama atual” da família, foram ainda apresentados os “desafios e perspetivas de futuro” e as “principais fragilidades”. Entre elas enumeraram as “assimetrias na dinâmica pastoral entre paróquias, com maior dinamismo no litoral e maiores limitações no interior”; a “oferta, no que às paróquias diz respeito, ainda pouco abrangente de iniciativas de Pastoral Familiar, nomeadamente na preparação de noivos para o Matrimónio e de pais e padrinhos para o Batismo”. “Os dedos de uma mão sobram para o número de paróquias em que existem preparações de noivos para o Matrimónio e de pais e padrinhos para o Batismo. O que não tem necessariamente de ser mau, porque as paróquias vizinhas acabam por encaminhar os pais e padrinhos ou os noivos para as paróquias onde se promove esta atividade e isso é positivo”, afirmou Marco Vieira.
Foram ainda enumerados os “recursos humanos pastorais limitados, com acumulação de responsabilidades pelos mesmos agentes e consequente dificuldade em assegurar a devida atenção à pastoral familiar; a presença ainda pouco consolidada nas paróquias, sendo importante promover a identificação de um casal responsável pela pastoral familiar em cada paróquia ou unidade pastoral; a articulação intersetorial a aprofundar, nomeadamente com a pastoral juvenil, a pastoral vocacional e a catequese; o acompanhamento dos casais e das famílias a reforçar, promovendo maior continuidade e proximidade nas diferentes etapas e circunstâncias da vida; o envolvimento dos sacerdotes a valorizar, incentivando a sua corresponsabilidade na dinamização da Pastoral Familiar e uma participação mais próxima nas iniciativas diocesanas; e a partilha de experiências e boas práticas”.

Relativamente ao programa de atividades para este ano de 2026/2027 foi indicada a realização de uma reunião de trabalho online com os membros das equipas paroquiais e das regiões pastorais da diocese, no dia 23 deste mês, 21h; o 10.º retiro para casais da diocese no Colégio de Nossa Senhora do Alto, a 20 de fevereiro de 2027, com início pelas 9h30; e o Encontro Diocesano de Famílias e Eucaristia com bênção dos casais que celebram o seu jubileu matrimonial em 2027, a realizar em Tavira, no dia 19 de junho de 2027, pelas 16h.

O cónego César Chantre garantiu ao bispo diocesano que “tem sido um trabalho árduo” aquele que se tem realizado naquele setor. “Acho que é das pastorais mais delicadas que temos na diocese. Temos conseguido alguma coisa, mas muito pouco”, constatou.


Concordando, D. Vitorino Soares referiu-se ao “setor delicado da família” para alertar que a Pastoral Familiar “não pode ser uma pastoral de eventos”. “Hoje tem de passar por uma pastoral relacional, uma pastoral de contacto. E, fundamentalmente, a Pastoral Familiar, tendo em conta que hoje em dia não temos uma fórmula única para a família porque temos uma disparidade de modelos familiares”, considerou, alertando que “a realidade está a mudar todos os dias” e “não de ano a ano”.


O bispo do Algarve exortou assim a que possam “lançar essa semente” da “relação próxima”. “Uma coisa é estarmos a viver com as famílias e conhecermos as famílias. Outra coisa é eu estar no gabinete a idealizar um trabalho para a família que não conheço, mas que tenho na minha mente”, sustentou, lembrando que “cada casal e cada família é uma história”.

Neste sentido, D. Vitorino Soares considerou que “grande desafio para a pastoral”, seja ela familiar, vocacional, litúrgica, catequética ou outra é o “evangelizar”. “E evangelizar é continuar a falar de Jesus a estas pessoas, continuar a levar o Evangelho, continuar a levar a Boa Nova. Quando falo em evangelizar é isto. Não é propriamente a doutrina ou a catequese, mas é deixar esta marca: que aquilo que nos move é Jesus e aquilo que tem de mover as pessoas também a quem nos dirigimos é a pessoa de Jesus”, concretizou.
D. Vitorino Soares regozijou-se por os membros daquela equipa estarem inseridos na “base nuclear da Igreja que são as paróquias e as comunidades” e agradeceu o trabalho de todos.










