O bispo do Algarve, D. Vitorino Soares, presidiu hoje, 01 de novembro, à Eucaristia da solenidade de Todos os Santos, na Sé de Faro, convidando os fiéis a reconhecerem nos santos companheiros de caminho, filhos de Deus que se deixaram transformar por Jesus e exemplos que mostram ser possível alcançar a santidade.

Na homilia, o bispo diocesano começou por recordar que a solenidade não é uma festa reservada a “eleitos”, “privilegiados” ou a uma “elite”, mas uma celebração “para todos e aberta a todos”. Sublinhou, neste sentido, que a Igreja não recorda apenas os santos oficialmente reconhecidos, mas também uma multidão de homens e mulheres anónimos que fizeram parte das nossas famílias, comunidades e locais de trabalho e que, através da sua vida, testemunharam a fé.

D. Vitorino Soares propôs três dimensões para ajudar os fiéis a aprofundar a sua relação com os santos: companheiros, filhos e caminhantes.
Na primeira dimensão, apresentou os santos como “bons companheiros” que já percorreram o caminho da santidade e podem ajudar os cristãos nas suas próprias dificuldades, fragilidades e quedas. “São companheiros que já atingiram um êxito e por isso são companheiros fortes”, afirmou, acrescentando que o bem e a vitória que alcançaram constituem um tesouro do qual todos podem beneficiar.

A segunda dimensão foi a da filiação divina. Os santos recordam aos cristãos que são filhos de Deus e que é a presença do Pai nas suas vidas que os transforma e renova. “É este Pai também que nos vai transformando, que nos vai renovando e que nos vai também tornando parecidos com Ele”, explicou.
Neste caminho, salientou o papel de Jesus na santidade de cada pessoa, lembrando que, embora seja necessário trabalhar e fazer esforço, há limites e fragilidades que não podem ser ultrapassados apenas pelas capacidades humanas. “Precisamos ali de uma mais-valia que já não depende de nós”, afirmou, referindo-se à ação de Jesus na vida dos cristãos.

Por fim, o bispo do Algarve apresentou os santos como caminhantes que sabem para onde se dirigem e têm uma meta definida: a santidade. Trata-se de um caminho percorrido com esperança, ânimo e entusiasmo, e não de forma contrariada ou desorientada.
“Não é utopia, não é ficção, não é uma questão virtual, é uma questão real”, afirmou D. Vitorino Soares, lembrando que muitos daqueles que hoje são recordados como santos foram pessoas comuns, que não realizaram necessariamente grandes atos heroicos, mas nunca perderam a orientação da sua vida.
Para ilustrar esta ideia, contou a história de uma criança que, ao ser questionada sobre o que era um santo, respondeu que era um vitral. Partindo dessa resposta, explicou que, tal como a luz atravessa o vitral e faz sobressair a imagem nele representada, também “o santo é aquele vidro onde há uma pintura, mas que vem ao de cima quando a luz passa por ele”. “Os santos são estes também, que permitiram que a luz que é Jesus pudesse tocar as suas vidas”, concluiu, apresentando-os como exemplos a seguir e a acompanhar.

No início da celebração, D. Vitorino Soares recordou ainda a Semana de Oração pelos Seminários, que decorre de 01 a 08 de novembro, sob o lema ‘Comunidade que reza, Seminário que floresce’. O bispo apelou à oração pelos seminaristas e pelas comunidades formativas, considerando que rezar pelos seminários é também uma forma de participar na formação e acompanhamento daqueles que se preparam para o sacerdócio.
Referiu, a este propósito, que a Diocese do Algarve conta atualmente com dois alunos no ano propedêutico e três no Seminário Maior de Évora.
No final da celebração, duas crianças da catequese ofereceram lembranças ao bispo diocesano.

A Eucaristia ficou ainda marcada pela iniciativa do “Pão por Deus”, levado a cabo pelos catequizandos da Sé de Faro que percorreram as casas de famílias previamente inscritas para recolher alimentos destinados ao apoio a pessoas em situação de necessidade acompanhadas pela Cáritas paroquial.

Segundo o pároco da Sé de Faro, cónego Rui Barros Guerreiro, os catequizandos visitaram as casas das famílias que se tinham inscrito para participar na iniciativa, recolhendo os alimentos que serão posteriormente encaminhados para o setor sociocaritativo da paróquia.
O objetivo é que os bens recolhidos possam ser distribuídos pelas pessoas mais necessitadas apoiadas pela Cáritas paroquial.
A iniciativa “Pão por Deus” constituiu, assim, uma oportunidade para envolver os mais novos na vida da comunidade e sensibilizá-los para a partilha e a atenção aos que mais precisam.

A solenidade de Todos os Santos recorda a multidão de homens e mulheres que alcançaram a santidade, incluindo aqueles que não foram oficialmente canonizados. A sua celebração conjunta teve origem nas Igrejas do Oriente, no século IV, durante o tempo pascal. No Ocidente, a festa foi introduzida pelo Papa Bonifácio IV, que, a 13 de maio de 610, dedicou o Panteão de Roma à Santíssima Virgem e a todos os mártires.






