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A cruz como sinal de amor, os sepulcros que espreitam a nossa falta de esperança e a vida nova trazida por Cristo ressuscitado, vivida e partilhada pelos cristãos, foram os grandes temas das palavras proferidas por D. Manuel Neto Quintas, Bispo do Algarve, nas homilias de Sexta-Feira Santa, da Vigília Pascal e da Missa da Ressurreição, que tiveram lugar este fim de semana.

Sexta-feira Santa: «Adorar e abraçar a cruz de Jesus, significa encontrar a coragem de abraçar todas as contrariedades»
A cruz como âncora, leme e bússola para os cristãos foi o mote da homilia do Bispo do Algarve, na tarde de Sexta-Feira Santa, durante a qual se celebrou a Paixão e Morte de Jesus. Olhar para ela como um suporte que nos dá a capacidade de «encontrar a coragem para abrir espaços onde todos possam sentir-se incluídos e permitir novas formas de hospitalidade, de fraternidade e de solidariedade» é um dos significados maiores deste objeto tão absolutamente simbólico na Fé cristã, segundo explicou o prelado algarvio. Nela está, salientou, a «força da fé, que liberta do medo e dá lugar à confiança», porque ao abraçar a cruz, cada crente está a «abraçar a esperança» e, por isso, ganha, também, a força para «abraçar todas as contrariedades da hora atual, abandonando a nossa ânsia de poder e de posse, para dar espaço à criatividade que só o Espírito é capaz de suscitar».
Assim, o «mais importante não é o sofrimento; o verdadeiramente importante é o amor» e a cruz, considera D. Manuel Neto Quintas, é sinal desse amor, um amor que «mobiliza» e nos leva a transcendermo-nos e «a olhar como Deus olha».

«Quem nos irá revolver a pedra da entrada do sepulcro?»

A interrogação das mulheres que se dirigiram ao sepulcro onde havia sido colocado o corpo de jesus foi o tema central da reflexão do Bispo do Algarve durante a Vigília Pascal deste ano.
«Há sempre um sepulcro, que espreita a nossa falta de esperança e nos quer ver nele sepultados», afirmou e questionou: «Que nome tem o nosso sepulcro? Não tenhamos medo de o nomear. O que é que está a contribuir para o escavar?». D. Manuel Neto Quintas, indicando que há «sempre uma pedra para a remover», uma pedra tantas vezes «superior às nossas forças», também mencionou que essas pedras que fazem parte dos nossos percursos de vida podem ter muitos nomes. «O mais recente», disse, «pode chamar-se Pandemia… Coronavírus… Covid-19 e o mais temido de todos, morte… que Cristo venceu para sempre». Por isso, dizia, a surpresa desta noite de Vigília Pascal é que «afinal a pedra está removida, o sepulcro está aberto e já não é mais sepulcro, porque não sepulta nada, nem ninguém», já que «proclamamos com todo o vigor da nossa fé e da fé da Igreja, que Cristo está no meio de nós, vivo e ressuscitado».

A ressurreição é convite a vida nova e partilhada
«Alegria que constitui verdadeiro antídoto para um coração comodista e triste», foi assim que D. Manuel Neto Quintas definiu aquilo que devem sentir os cristãos perante o facto e a convicção de que Jesus Ressuscitou e está vivo. Essa vida nova é convite à partilha e à oração comunitárias, «necessidade vital para os cristãos», vivida, sobretudo, através «da participação presencial na Eucaristia», destacou. Referindo-se à decisão da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) de suspender a realização de eucaristias comunitárias, num gesto que revelou «grande sentido de responsabilidade», o Bispo do Algarve foi incisivo ao exortar os católicos algarvios para que não cedam «à tentação de transformar o tempo de exceção em tempo de normalidade» e que regressem às igrejas e à prática dominical da Eucaristia presencial. «Gostaria, hoje, de vos exortar a não cairmos na tentação, de nos acomodarmos a seguir a Eucaristia pelos meios digitais (não me atrevo a utilizar o termo participar), quando se nos oferece a possibilidade de nela participar presencialmente, em comunidade», afirmou e prosseguiu, considerando que «não podemos viver, como cristãos, sem a Palavra de Deus que na celebração ganha corpo e se torna palavra viva, pronunciada por Deus» e sem participar no sacrifício de Jesus, na «ceia do Senhor à qual somos convidados como filhos e irmãos, para receber o próprio Cristo Ressuscitado, Pão do céu que nos sustenta nas alegrias e nas canseiras da nossa peregrinação terrena». «Não podemos viver sem a comunidade cristã, a família do Senhor», considerou o prelado algarvio, reforçando que «precisamos de encontrar os irmãos que partilham a filiação de Deus, a fraternidade de Cristo, a vocação e a procura da santidade e da própria salvação na rica diversidade de idades, histórias pessoais, carismas e vocações».

A Casa do Senhor é a nossa casa, o lugar onde crescemos para fé e, sem o domingo, que «que dá luz e sentido ao suceder dos dias do trabalho, de descanso e das responsabilidades familiares e sociais», observou D. Manuel Neto Quintas, reconhecendo, todavia, «o oportuno serviço prestado pelos meios de comunicação, particularmente durante este tempo, em prol dos doentes e de quantos continuam impedidos duma participação presencial na Eucaristia dominical ou, em último recurso, mesmo semanal».

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