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Organizada em parceria pela Pastoral do Turismo da Diocese do Algarve e o Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, esta foi a terceira edição destas ações de formação, que anteriormente tiveram lugar em Coimbra e Seia.

«Uma igreja não é um museu e os objetos que nela se encontram têm um uso, uma função e é determinante compreender essas funções, bem como o espaço e, ainda, os indivíduos que usam o espaço, para melhor poder entender o que ele alberga e o que nele se pode ler», referiu Nuno Resende, um dos especialistas presentes nesta formação. Oriundo da Diocese de Lamego, onde é membro do Secretariado Diocesano dos Bens Culturais, este investigador de História quase sintetizou as ideias chave debatidas por formadores e formandos, ao longo do dia.

Na verdade, também Vitor Teixeira, professor da Universidade Católica Portuguesa e especialista em iconografia destacou a importância de não nos ficarmos, numa visita a um templo, «ao nível meramente descritivo», referindo que se «não passamos à análise, dificilmente compreendemos como visitar uma igreja e entender uma imagem» e salientou: «Há muitas coisas invisíveis aos olhos e que têm grande significado».

Artur Goulart, da Arquidiocese de Évora, destacou, ainda, a ideia de que «uma igreja e os seus objetos manifestam a Fé de uma comunidade e para compreender os objetos é necessário entender o contexto do seu uso e o tempo em que os mesmos foram usados». O simbolismo dos objetos que se encontram ao serviço do culto e a ornamentar os espaços dos templos escondem simbolismos, que transmitem mensagens de Fé para os crentes e mensagens que também devem ser interpretadas pelos não crentes, para melhor compreenderem o local que visitam, explicou o especialista eborense. A própria «arquitetura é imagem, é mensagem, é texto visual», insistiu Vitor Teixeira. Até mesmo a Liturgia, ou seja, «a celebração dos mistérios de Cristo no tempo» é, nas palavras de Carlos Aquino, pároco de Silves e responsável pelo Secretariado Diocesano Algarvio dos Bens Culturais, realizada por «símbolos, sinais e ritos, atos e palavras» que terão de ser compreendidos, pois eles revelam não apenas a função do espaço e dos seus objetos, mas a forma como as pessoas de um determinado tempo encaram a Fé. «A Igreja é uma estrutura viva; é preciso dizer o que foi na História, mas também é preciso dizer o que ela é no momento atual», salientou Octávio Carmo, jornalista e chefe de redação da Agência Ecclesia.

Maria de Fátima Eusébio, coordenadora do Sector de Bens Culturais da Diocese de Viseu e Varico da Costa Pereira, diretor técnico da TUREL – Cultural e Religioso, CRL, numa visão muito realista e pragmática relativa ao trabalho que envolve a preparação das visitas às igrejas, resultante dos seus longos contatos com os profissionais desta área, apontaram uma série de fatores chave para a melhoria das condições de visita nos templos, um pouco por todo o pais, nomeadamente: a necessidade de garantir o acesso e o estabelecimento de horários que não colidam com as celebrações, mas que possam servir os interesses dos públicos; a melhoria da sinalética, quer de orientação, quer de informação; a necessidade de definir circuitos dentro dos espaços de visita; a fundamental importância da existência de materiais de apoio às visitas (brochuras, folhetos, etc.), entre outros temas.

Presentes neste evento estiveram, ainda, o padre Carlos Godinho, diretor da Obra Nacional da Pastoral do Turismo (ONPT), que destacou a importância de se fazer formação aos guias e agentes turísticos, de modo a que estes possam ser verdadeiros potenciadores da criação de um espírito de defesa do património e da identidade a ele associada, já que se sabe que «segundo a UNESCO, 60% dos bens mundiais estão ligados ao património religioso, valor que sobe para os 70% em Portugal e em algumas regiões pode mesmo atingir os 85%», disse.

Sandra Costa Saldanha, responsável pelo Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, congratulou-se pelo crescente interesse que se tem vindo a sentir relativamente a estes temas, por parte das diversas dioceses portuguesas e destacou a importância de se poderem articular ações relacionadas com património e turismo, no sentido de potenciar e valorizar as riquezas que possuímos.

O padre Miguel Neto, responsável pela Pastoral Diocesana Algarvia do Turismo, afirmou que ações como esta «nos permitirão estabelecer sinergias e pontes com os operadores turísticos e todos os stakeholders diretamente envolvidos no contato e acolhimento dos visitantes, quer nacionais, quer estrangeiros», bem como «apostar na qualidade dos serviços que se prestam e na informação que é transmitida». O sacerdote algarvio, que também integra a equipa da ONPT, mencionou, igualmente, que o papel da Pastoral do turismo do Algarve «é poder colaborar e intervir no sentido de que existam espaços e momentos como este que hoje viveremos, nos quais temos a possibilidade de agir numa clara aposta na melhoria da qualidade do nosso turismo».

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