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O apelo foi deixado na apresentação no Algarve do programa “AconteSer – Liderar com responsabilidade”, lançado por aquela organização em outubro passado, que decorreu no Hotel Faro e contou com a participação de cerca de 30 empresários e gestores da região.

António Pinto Leite explicava aos presentes, num vídeo que abriu a sessão, que o objetivo fundamental desta iniciativa é “instalar nas empresas o princípio do amor ao próximo como critério de gestão”. “Significa tratarmos os outros como gostaríamos de ser tratados se estivéssemos no lugar deles, como clientes, fornecedores, trabalhadores ou acionistas”, afirmava o presidente da ACEGE.

Paulo Lopes, do núcleo algarvio da ACEGE, que começou por deixar claro que aquela “não é uma associação empresarial que profere interesses comerciais ou financeiros”, mas uma associação dos que “partilham entre si valores cristãos e que os procuram utilizar no desenvolvimento da sua vida na sociedade”, sublinhou que o desafio consiste em “assumir a responsabilidade pela mudança”.

Aquele responsável considerou a crise como “fonte de oportunidades”, criticou a “cultura da vitimização” perante as adversidades à qual contrapôs a “cultura da responsabilidade”, destacando que se pretende chegar ao final do programa com “organizações mais competitivas”. “O sucesso das organizações tem muito do que é a capacidade de tomar decisões dos seus líderes”, afirmou, exortando estes ao auto-conhecimento para “perceberem as diferenças entre gestão e liderança”, com vista a criarem a sua “marca de liderança”. “Gerir é importante, mas, para chegar mais longe, é preciso liderar”, advertiu.

Apresentado como um “instrumento para auto-implementar boas práticas empresariais”, o kit que dá corpo ao “AconteSer”, aponta à mudança em sete áreas – líder, empresa, colaboradores, comunidade, fornecedores, clientes e eco-eficiência – concretizadas em 14 propostas que vão desde o compromisso organizacional à promoção da ética, passando pela visão, missão e valores, à avaliação de desempenho, aos pagamentos pontuais, à gestão de cobranças, ao processo de seleção de fornecedores, entre outras.

Gonçalo Correia de Oliveira, da direção nacional da ACEGE, explicou que os “três eixos fundamentais” do programa são o “pagamento pontual a fornecedores”, o “projeto vida dos colaboradores” e a “conciliação família e trabalho”.

Sobre o primeiro explicou que visa o problema da falta de pagamento a horas e pretende “transformar um ciclo vicioso num ciclo virtuoso em Portugal”. Segundo a ACEGE, e de acordo com um estudo encomendado a Augusto Mateus sobre as “incidências e consequências” deste problema com base nas transações apenas entre privados, os custos deste incumprimento nos últimos cinco anos deu origem a 72 mil desempregados. “Passou-se de 60 dias a 80 dias, em média, de atraso no pagamento. Se todas as empresas privadas cumprissem a diretiva dos 60 dias seriam criados 150 mil postos de trabalho no primeiro ano”, assegurou Correia de Oliveira, desafiando aqueles que pagam a horas aos fornecedores a assumirem-no publicamente através de um compromisso disponível no site da ACEGE. “Temos já 100 empresas que já o fazem, mas esperamos chegar às 1000”, apontou.

O segundo eixo visa o “desenvolvimento pessoal dos colaboradores”. A este nível, Gonçalo Correia de Oliveira defendeu que “hoje é difícil garantir emprego mas é mais fácil dar empregabilidade” ou seja “competências que aumentam a capacidade dos colaboradores em conseguir emprego”.

Aquele responsável explicou ainda que o terceiro eixo tem como objetivo “compatilibilizar, com o bom senso e o equilíbrio possível, a vida familiar e de trabalho dos trabalhadores”. Segundo a ACEGE, o que está em causa é “fazer colaboradores mais felizes” para ter, consequentemente, “colaboradores mais produtivos”, “empresas mais produtivas”, uma “economia mais desenvolvida” e, por fim, uma “sociedade mais justa”. “É a transformação de pessoas em melhores pessoas que pode fazer a diferença”, justificou Gonçalo Correia de Oliveira, acrescentando que já foram distribuídos em Portugal mais de 750 kits do “AconteSer” que contempla, para além dos cartões das sete áreas a desenvolver, um dvd interativo e a placa do compromisso para o empresário colocar em local visível do escritório.

Estes três “eixos fundamentais” vão dar origem a três seminários qualificados em cada uma das áreas que, no Algarve, se irão realizar a 25 de novembro, 20 de janeiro e 23 de março e, em maio, será realizada uma sessão de balanço em data ainda a agendar. Mensalmente será ainda enviada uma newsletter sobre o que está a acontecer nas empresas aderiram ao projeto.

Samuel Mendonça

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