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De facto, a cada dois anos, aquela realização, que conta com uma produção cada vez maior, atrai mais pessoas e no último Domingo de Ramos foram alguns milhares, incluindo muitos estrangeiros, os que não quiseram perder um acontecimento que marca também a celebração da Semana Santa no Algarve.

Este ano, a iniciativa partiu de um novo cenário, o Largo 25 de Abril, onde teve lugar a recriação da Última Ceia com os discípulos. A dramatização dos últimos momentos da vida terrena de Jesus continuou no cenário do Monte das Oliveiras onde Cristo rezou e agonizou, desejando não ter de passar pela morte, instantes antes de ser traído por Judas quando o entregou aos soldados romanos.

Depois do interrogatório do sumo-sacerdote Caifás, do “julgamento” no pretório, protagonizado pelo governador Pilatos, e da flagelação executada pelos soldados, o encontro de Jesus com a sua mãe decorreu também num novo local, junto à antiga escola primária. Os momentos particularmente significativos continuaram por um novo trajecto, ao longo do qual o cireneu Simão ajudou a carregar a cruz e Verónica limpou o rosto de Jesus, rumo a um terreno amplo, nas traseiras do Mercado Municipal, que se “transformou” este ano no Calvário.

A Paixão de Cristo ao vivo contou ainda com a participação dos cerca de 30 elementos do coro da Igreja Adventista do 7º Dia de Albufeira que ajudou a assistência, oriunda de vários pontos do Algarve e não só, a interpretar os acontecimentos, a interiorizar as reflexões proclamadas e as interpelações que lhe foram sendo dirigidas como proposta de reconversão de vida e de adesão a Jesus Cristo.

No terreno, emprestado por uma particular para aquele efeito, já as duas cruzes dos ladrões se erguiam quando a multidão chegou seguindo Jesus. Cumpriu-se então ali o acontecimento maior da fé cristã: a crucificação e ressurreição de Cristo. Com recurso a efeitos sonoros e luminosos, depois de crucificado e sepultado, Jesus apareceu triunfante, ressuscitado no alto de um monte.

A iniciativa sem fins lucrativos contou este ano com a colaboração de 150 voluntários, entre eles personagens, figurantes e leitores, e voltou a ser apoiada por diversas entidades, empresas e particulares. Carlos Cristóvão, membro da organização, explicou à FOLHA DO DOMINGO que a presente edição implicou um maior investimento relativamente à de 2010 (que tinha custado cerca de 4000 euros) aplicado em cenários e adereços, guarda-roupa e equipamentos. “Queremos continuar e para isso temos que investir”, justificou aquele responsável.

A preparação desta atividade, – que não é um espectáculo, como fez questão de explicar no seu início o pároco, padre Manuel Coelho, – incluiu a formação catequética dos seus intervenientes, orientada pelo padre Carlos de Aquino, pároco de Silves, durante várias sextas-feiras. Lurdes Cristóvão explicou no final, em nome da organização, que a mesma “só consegue levar a cabo este evento porque não só existe um espírito de voluntariado, como também uma vivência cristã”.

Samuel Mendonça

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