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Foto © Samuel Mendonça

A vila de Pêra voltou a receber no último domingo à noite uma imensa multidão para acompanhar ao vivo à Paixão de Cristo, levada a cabo pela Comissão de Festas da paróquia de Pêra e pelo Centro Paroquial local, uma iniciativa que se assume como a maior do género a sul do Tejo e uma das maiores no país.

De facto, a cada dois anos, aquela realização, que conta com uma produção cada vez maior, atrai mais pessoas e no último Domingo de Ramos foram alguns milhares, incluindo alguns estrangeiros, os que não quiseram perder um acontecimento que marca também a celebração da Semana Santa no Algarve.

Como fez questão de esclarecer o pároco de Pêra na introdução à via-sacra, a iniciativa procurou, uma vez mais, ajudar à vivência da Semana Santa que naquele dia teve início. “Não é um espetáculo o que vamos fazer, mas uma vivência para compreendermos melhor aquilo que vamos celebrar na Quinta-feira, Sexta-feira Santas e no Domingo de Páscoa, na Vigília Pascal”, afirmou o padre Manuel Coelho.

A iniciativa teve início no Largo 25 de Abril, onde foi recriada a Última Ceia com os discípulos. A dramatização dos últimos momentos da vida terrena de Jesus continuou no cenário do Monte das Oliveiras onde Cristo rezou e agonizou, desejando não ter de passar pela morte, instantes antes de ser traído por Judas quando o entregou aos soldados romanos.

Depois do interrogatório do sumo-sacerdote Caifás, do “julgamento” no pretório, protagonizado pelo governador Pilatos, e da flagelação executada pelos soldados, o encontro de Jesus com a sua mãe decorreu junto à antiga escola primária. Os momentos particularmente significativos continuaram pelo trajeto até ao Calvário, ao longo do qual o cireneu Simão ajudou Jesus a carregar a cruz e Verónica limpou-lhe, rumo ao amplo terreno, nas traseiras do Mercado Municipal, onde teria lugar a crucificação.

A Paixão de Cristo ao vivo contou ainda este ano com a participação de um grupo coral da própria paróquia, composto por jovens, crianças e adultos, que ajudaram a assistência, oriunda de vários pontos do Algarve e não só, a interpretar os acontecimentos e a interiorizar os momentos de oração, bem como as reflexões proclamadas e as interpelações que lhe foram sendo dirigidas como proposta de conversão de vida e de adesão a Jesus Cristo.

“Toda a vida de Cristo é um ato de amor imenso pela Humanidade”, evidenciou-se, desafiando-se os presentes a seguirem o exemplo de Jesus que “continua a levar a cruz de cada homem que se encontra em necessidade”. “Entre vós que o maior seja como o mais pequeno; e o que manda como aquele que serve. Sede todos para todos, sempre inteiros, prontos a vos servirdes uns aos outros na caridade. Sejamos como Simão de Cirene. Ajudemos os nossos irmãos a levarem a sua cruz e Cristo nos ajudará a levar a nossa”, apelou-se, lembrando que o próximo pode ser também o inimigo.

Foi ainda evocada a instituição da eucaristia e do sacerdócio e lembrado que, também “através dos sacerdotes, Cristo continua a sua missão salvadora”. Foram, por isso, lembradas “aquelas mães cujos filhos, fieis a Cristo, foram escolhidos para Ele, para continuarem a sua paixão e redenção”, bem como “tantas mães dolorosas que perderam os seus filhos ou têm um filho doente ou em distantes terras”.

A multidão foi ainda exortada ao perdão. “Que ninguém saia daqui esta noite sem ter perdoado, de todo o coração e com toda a verdade, aos que o tenham ofendido”, pediu-se, desafiando cada um, “por maiores que sejam” os seus pecados, a aproximar-se de Jesus “com arrependimento e confiança”.

Por último, foi deixada uma mensagem de esperança aos presentes. “Todos os nossos sofrimentos, todos os nossos sacrifícios, a nossa morte são semente para a vida eterna. Depois de Sexta-feira Santa, vem sempre a Páscoa da ressurreição. Todo o sofrimento é fonte de libertação. A própria morte é semente de nova vida para os que seguem Cristo. Como a vida de Jesus não acabou no sepulcro, também a nossa não acaba na terra. Como Ele ressuscitou, também nós ressuscitaremos. E se vivermos como Cristo, fazendo a vontade de Deus e amando-nos uns aos outros, ressuscitaremos com Ele e seremos felizes no Céu, na Glória. Porque a vida não acaba com a morte, mas há-de mudar-se noutra vida melhor, dissolvido e corrompido este nosso corpo, Cristo prepara-nos uma morada eterna e feliz, no Céu”, concluiu-se.

No terreno, emprestado por uma particular para aquele efeito, já as duas cruzes dos ladrões se erguiam quando a multidão chegou seguindo Jesus. Cumpriu-se então ali o acontecimento maior da fé cristã: a crucificação e ressurreição de Cristo. Com recurso a efeitos sonoros e luminosos, depois de crucificado e sepultado, Jesus apareceu triunfante, ressuscitado no alto de um monte.

A iniciativa sem fins lucrativos voltou este ano a contar com a colaboração de 150 voluntários, entre eles personagens, figurantes, assistentes e leitores.

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