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Administração do Centro Hospitalar do Algarve assume falhas, mas defende atual modelo

Foto © Samuel Mendonça
Foto © Samuel Mendonça

O presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Algarve (CHA), Joaquim Ramalho, assumiu hoje falhas, embora defenda que o atual modelo “é governável” e que a sua avaliação é competência do Ministério da Saúde.

Joaquim Ramalho, o primeiro a ser ouvido na audição parlamentar da Comissão de Saúde, que decorreu toda a manhã, considerou que o modelo do Centro Hospitalar do Algarve “é viável” e “permitirá criar mais sinergias e diminuir custos estruturais”.

No entanto, o administrador reconheceu que o ambiente interno hospitalar é “de alguma tensão e pouco colaborativo”, com uma “fraca coesão institucional decorrente de um processo de constituição do Centro Hospitalar pouco participado” e com “alguma frustração de profissionais geradora de desmotivações e descontentamento”.

“Temos que, urgentemente, superar este clima e esse é o nosso foco”, acrescentou.

Outros problemas apontados por Joaquim Ramalho estão relacionados com a redução da capacidade do bloco operatório (insuficiência de material cirúrgico, salas inoperacionais por falta de manutenção e fraca rotação de salas operatórias).

“Propomos prestar mais e melhores cuidados de saúde de proximidade com maior integração de cuidados e tornar este Centro Hospitalar como uma referência para o desenvolvimento da região do Algarve e assegurar a sua sustentabilidade técnica e financeira”, sublinhou.

Joaquim Ramalho foi hoje ouvido no parlamento por requerimento do PSD, que considera que a prestação de cuidados de saúde no Algarve se agravou nos últimos meses.

O deputado social-democrata Cristóvão Norte, autor da iniciativa, pediu explicações ao presidente do conselho de administração do CHA sobre o agravamento na prestação de cuidados de saúde na região.

A deputada do CDS-PP Teresa Caeiro sublinhou também “o grave problema de acesso a cuidados de saúde no Algarve” e questionou qual a avaliação feita pela administração sobre o modelo existente.

Já Luís Graça, do PS, questionou sobre a incapacidade de fixar médicos e sobre os investimentos necessários em manutenção e substituição de equipamentos.

A falta de profissionais foi uma preocupação também apontada pelo deputado do Bloco de Esquerda João Vasconcelos e pelo deputado comunista Paulo Sá.

Os diretores de Departamento do Centro Hospitalar do Algarve foram também ouvidos em audição parlamentar, igualmente por requerimento do PSD, e criticaram o modelo.

“O modelo de organização foi mal feito desde o início. A fusão foi feita sem diálogo dos profissionais”, apontou Ulisses Brito, sublinhando que as principais necessidades são “criar boas condições hospitalares, ter especialidades importantes, como a anestesia, e fazer mais investimentos”.

“A minha sensibilidade é que o modelo, nos moldes em que existe, não se deve manter”, disse a diretora clínica adjunta, Ana Lopes.

Já o presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, João Moura Reis, também ouvido mas a requerimento do PS, considerou que o modelo do Centro Hospitalar do Algarve “é viável e isso nem sequer se põe em causa”.

João Moura Reis apresentou aos deputados um ponto de situação dos cuidados de saúde no Algarve e mostrou que a falta de profissionais será revertida com o tempo.

“Eu acho que a dificuldade [em fixar médicos] se deve ao facto de o Algarve ser mais visto como um destino de férias do que de trabalho. Até agora não tem sido visto com a capacidade de formação que realmente tem”, afirmou à Lusa, no final da audição.

O responsável disse ainda ter a certeza de que vai começar a haver uma maior procura de médicos.

“Num futuro próximo, as pessoas vão fazendo a publicidade de que o Algarve é uma região onde se pode aprender, há capacidade para fazer uma boa aprendizagem da especialidade que escolherem e tem ótimas condições de vida”, sustentou.

O clima de descontentamento apresentado pelo presidente do conselho de administração do CHA “não é atrativo”, reconheceu, mas “o paradigma já está a ser mudado”.

“É provável que demore ainda algum tempo até que vejam que isso mudou. Os colegas dos hospitais têm interesse que se mude esse paradigma”, reiterou.

Para o verão, João Moura Reis adiantou que o plano elaborado prevê 32 postos de saúde de praia, num protocolo com a Cruz Vermelha Portuguesa, e a criação da “consulta do turista”, que necessite de cuidados na doença aguda não emergente ou outras para apoio de doença crónica.

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