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O programa de comemoração do cinquentenário, que contou ainda com a presença do chefe nacional do CNE, Carlos Alberto Pereira, do presidente do Conselho Fiscal e Jurisdicional Nacional do CNE, José João Marcelo, e do chefe regional do movimento, José João Cercas, teve início à tarde com a inauguração de um busto de Baden-Powell, fundador do escutismo, num jardim atrás da antiga escola primária da Trindade junto aos Bombeiros Voluntários de Lagos, que este ano foi cedida pela Câmara de Lagos para sede do agrupamento escutista.

Na inauguração da obra de autoria de Tolentino Abegoaria, o chefe José António Santana, um dos fundadores do agrupamento juntamente com o então pároco de Lagos, o falecido padre Júlio Tropa Mendes, lembrou que o escutismo chegou àquela cidade com a colaboração do Agrupamento 159 de Portimão e “começou com o desejo de arranjar algo que ocupasse e formasse os jovens”. “Agora a oferta é muita. Os miúdos têm uma série de atividades a todos os níveis e, como tal, temos mais dificuldades em recrutá-los”, constatou, lembrando também as dificuldades em conseguir uma “sede condigna”. “Agora estamos bem”, regozijou-se o dirigente.

O presidente da Câmara de Lagos, Júlio Barroso, exortou à responsabilidade dos que hoje fazem parte daquele agrupamento com 50 anos de história e o bispo do Algarve considerou que o monumento inaugurado é não apenas uma evocação ao passado, mas algo que “aponta para o futuro”. “Estou certo de que o espírito que reina entre vós vai continuar a fazer frutificar ainda mais o caminho percorrido ao longo destes 50 anos”, afirmou D. Manuel Quintas.

O prelado considerou ainda a cedência da antiga escola para a sede escutista como “um reconhecimento de que vale a pena apostar no escutismo, pelo bem que ele dá a tantos jovens (e não só) e pelo bem que todos aqueles que fazem parte deste movimento, passam para a própria sociedade”. “Apostar no CNE é apostar, não apenas nos mais pequeninos, nos jovens e adultos, mas é apostar no futuro e na sociedade em geral”, complementou.

Também Carlos Alberto Pereira considerou na inauguração do monumento, que contou igualmente com a presença do atual chefe do Agrupamento 173 de Lagos, Carlos Sequeira, que “celebrar o cinquentenário de um agrupamento com um ato simbólico como este é um apelo que há-de permanecer para sempre”. “É um apelo a reviver 50 anos, não com saudosismo mas com aquela ideia base de que para honrar o passado temos que saber viver o presente de acordo com os valores que outros deixaram”, concretizou o chefe nacional do CNE.

“Se hoje estamos aqui é porque, ao longo de 50 anos, muitos trilharam este caminho. Essa é também a nossa herança, de deixarmos o movimento mais forte, mais consolidado para que os vindouros possam beneficiar como nós beneficiámos”, complementou, exortando os membros do agrupamento de Lagos a trabalhar com mais empenho. “Se tendes melhores condições, tereis com certeza também mais obrigações de fazerdes mais e melhor”, evidenciou, destacando a “perspicácia do olhar” do fundador do escutismo captada pelo autor do busto.

Seguiu-se depois uma visita à nova sede do agrupamento, onde foi partido o bolo de aniversário e teve lugar um lanche-convívio, e, ao final da tarde, o bispo do Algarve presidiu à missa na igreja de Santa Maria na qual destacou todos quantos usufruíram e continuam a usufruir da “pedagogia, dos valores e da mística” daquele movimento. “Hoje, a herança que nos deixou o fundador do escutismo, Baden-Powell, verificamos como continua profundamente atual pelos valores que propõe, pela pedagogia que é seguida, que motiva e mobiliza de uma maneira surpreendente seja os mais pequeninos, seja os crescidos. Vemos que esse é um modo de hoje anunciar o evangelho”, sublinhou D. Manuel Quintas na eucaristia concelebrada pelo padre Abílio Almeida, pároco local e assistente do agrupamento.

O bispo diocesano desejou ainda que os “valores humanos, cristãos e de cidadania” do CNE possam “ajudar a crescer em harmonia com a natureza e com o mundo”, de modo a que todos possam “estar atentos aos outros, àqueles que mais precisam”. Neste sentido desafiou não só a “vivermos uns com os outros mas uns para os outros”.

No final da celebração, o chefe regional do CNE agradeceu, em nome da Junta Regional, aos pais, amigos e comunidade em geral o apoio que têm dado ao agrupamento e justificou a distinção do chefe José António Santana que foi condecorado pelo chefe nacional do movimento com a Cruz de São Jorge por, ao longo destes 50 anos, ter estado “sempre alerta para servir” e por ser “exemplo a seguir”.

Samuel Mendonça

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