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Alargamento das portagens ao sul acaba com as SCUT

Os utentes ainda tentam reverter todo o processo e entre buzinões e congestionamentos nas estradas nacionais utilizadas para fugir aos pórticos de cobrança eletrónica, as comissões continuam a reunir assinaturas para levar o caso à Comissão Europeia.

O Governo iniciou a 15 de outubro a cobrança de portagens nas SCUT Norte Litoral, Grande Porto e Costa de Prata e decidiu que até 15 de abril o regime será alargado às SCUT Interior Norte (A24 Viseu – Chaves), Beiras Litoral e Alta (A25 Aveiro – Vilar Formoso), Beira Interior (A23 Guarda – Torres Novas) e Algarve (A22).

A estas deverão juntar-se os troços das três concessões do Norte não abrangidos na primeira fase de instalação de portagens.

A autoestrada da Beira Interior é a mais extensa das últimas quatro SCUT, com 217 quilómetros. Atravessá-la deverá custar 17,36 euros, a manter-se o valor de referência de oito cêntimos por quilómetro (fixado pelo Governo para as vias onde a cobrança já se iniciou).

A concessionária Scutvias é a única que confirma a instalação dos pórticos de portagem já a partir de janeiro de modo a permitir “a cobrança em 15 de abril, não antes”, disse à Agência Lusa o diretor geral, Levi Ramalho.

As restantes concessionárias contactadas pela Agência Lusa remeteram-se ao silêncio.

A viagem entre Aveiro e Vilar Formoso (173 quilómetros) poderá custar 13,84 euros, 12,4 no caso do percurso Viseu – Chaves (155 quilómetros) ou 10,40 (130 quilómetros) para quem quiser atravessar o Algarve de uma ponta a outra.

No entanto, em todas as vias haverá isenções e descontos para residentes e empresas.

Numa das últimas reuniões de utentes das SCUT, na sexta-feira, em Castelo Branco, colocou-se a hipótese de fazer chegar o caso às instâncias comunitárias, que financiaram a construção.

“Vamos analisar as assinaturas recolhidas e perceber se, juntando todas, do Algarve até ao norte do país, poderemos conseguir forçar uma discussão na Comissão Europeia”, explicou João Pedro Delgado, porta-voz da comissão de utentes.

As principais críticas ouvem-se agora a sul: o presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), Macário Correia, critica a iminente colocação de pórticos na Via do Infante sem haver diálogo com os municípios.

Em outubro, a introdução de portagens motivou vários protestos de utentes e autarcas, levando o caso a debate no Parlamento.

Em Aveiro, por exemplo, a introdução de portagens “está a causar problemas gravíssimos devido ao aumento de tráfego” da EN 109, protesta o presidente da Junta de Cacia, Casimiro Calafate. Já em Viana do Castelo, a câmara queixa-se de uma diminuição de turistas galegos na restauração e hotelaria.

As SCUT foram criadas em 1997 pelo Governo do PS de António Guterres em nome da coesão nacional e para reduzir os desequilíbrios regionais, mas terminam 14 anos depois em prol da contenção do défice público.

Lusa

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