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Alcoutim ‘regressa’ aos tempos do contrabando na fronteira com Espanha

Um ‘regresso’ aos tempos em que a fronteira com Espanha era dominada por contrabandistas, com a possibilidade de atravessar o rio Guadiana a pé, é a atração do Festival do Contrabando, em Alcoutim, que decorre entre sexta-feira e domingo.

A vila do nordeste algarvio, situada na margem portuguesa do Guadiana, e a localidade espanhola vizinha de Sanlucar vão ser durante três dias palco de uma recriação histórica da época em que a divisão administrativa entre Portugal e Espanha era difícil de ultrapassar, pelo que muitos o faziam de forma clandestina, explicou o presidente da Câmara de Alcoutim, Osvaldo Gonçalves, à agência Lusa.

Ao longo do festival, os visitantes poderão contar com “um conjunto de atividades” e uma “recriação histórica desses anos do contrabando, na qual não faltarão os contrabandistas, os guardas-fiscais, mas também as tasquinhas”, referiu o autarca.

O principal atrativo é, contudo, a instalação de uma ponte que irá ligar as duas localidades.

“Vamos ter um ponto alto que é a ligação a pé seco entre Alcoutim e Sanlucar, entre Portugal e Espanha, através de uma ponte que irá abrir no dia 24 e que estará a funcionar até dia 26, a ligar Alcoutim a Espanha”, destacou o autarca.

Osvaldo Gonçalves referiu que a ponte “simboliza a vontade a colaboração entre os dois povos, separados por uma fronteira administrativa mas que têm, desde a primeira hora, procurado estreitar as relações de proximidade”.

Do outro lado da fronteira, os visitantes poderão realizar as atividades que Sanlucar prepara em Espanha, entre elas regressar a Portugal pela tirolesa que liga as duas margens do Guadiana e que tem uma vista privilegiada sobre o rio e as localidades vizinhas.

O autarca explicou que o festival nasceu de um projeto desenvolvido por um técnico camarário “já há algum tempo”, numa altura em que “não estavam reunidas todas as condições financeiras” para o município suportar o orçamento, de cerca de 140.000 euros.

Agora, a situação é diferente e o programa Algarve 365 apoiou a iniciativa.

O programa Algarve 365, orçado em 1,5 milhões de euros, foi apresentado pelo Governo em outubro e abrange os 16 concelhos algarvios, promovendo até maio cerca de um milhar de espetáculos e animações de património para dinamizar a oferta cultural em época baixa e ajudar a combater a sazonalidade no Turismo algarvio.

Osvaldo Gonçalves reconheceu que “seria muito complicado tirar uma fatia tão importante do orçamento [municipal] para conseguir fazer este evento” e sublinhou que só com o apoio do Algarve 365 foi possível a câmara avançar.

O certame procura, “por um lado, aproveitar a história enquanto vila raiana e enquanto território fortemente ligado ao contrabando” e, por outro, criar um evento âncora que tenha Alcoutim como uma referência e destino.

“Não estamos aqui a repetir outro tipo de eventos que já existem, estamos a entrar por outra área, em complementaridade com os outros e numa lógica regional”, concluiu.

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