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A substituição do coberto vegetal do Liceu de Faro, o mais antigo do Algarve, ladeado por uma mata, está integrada no projeto de remodelação da escola cujas obras começaram em outubro ao abrigo da modernização do parque escolar.

Pela Internet corre há alguns meses uma petição para “salvar” a atual escadaria e árvores do liceu, nomedamente ulmeiros, oliveiras, alfarrobeiras e eucaliptos vermelhos, presentes na entrada e nos pátios interiores da escola.

Segundo disse à Lusa a ex-professora Rosa Guedes, que integra a comissão de trabalho criada para acompanhar as questões ambientais, o projeto prevê o "abate indiscriminado" de árvores e a introdução de espécies exóticas.

Entre as novas árvores a introduzir na escola contam-se jacarandás, palmeiras, ciprestes e bambus, refere, sublinhando que a manutenção destas espécies requer "cuidados especiais" e "custos acrescidos".

A presidente do Conselho Geral da Escola, Teresa Matias, diz que algumas árvores alegadamente doentes já foram abatidas e mostra-se esperançada de que as mais saudáveis possam ser transplantadas.

"Não sou fundamentalista em relação a manter apenas espécies autóctones mas não concordo que se abata tudo", disse à Lusa, acrescentando aguardar que a equipa de arquitetos paisagistas tenha em conta as sugestões do conselho.

O diretor da escola, Fernando Gomes, diz desconhecer em profundidade o projeto de arquitetura paisagista mas afirma ter confiança nos técnicos e na Parque Escolar, que gere a obra.

"A minha preocupação tem sido mais com a segurança da obra e não tanto as questões ambientais", refere, admitindo que a execução da obra tenha "implicações no que já estava instalado", nomeadamente as árvores.

A intervenção, ao abrigo do Programa de Modernização das Escolas do Ensino Secundário, orçada em 13 milhões de euros, fará com que o liceu fique com mais salas de aula, uma nova biblioteca, um novo campo de jogos e um novo auditório.

Os 830 alunos, 90 professores e o pessoal não docente aguardam agora que lhes sejam devolvidos os dois terços da escola que estão em obras e que obrigaram a que a maioria das aulas e alguns serviços funcionassem em módulos.

Por aquela escola – que em 1929 recebeu o nome do poeta e pedagogo algarvio João de Deus mas que já teve também a denominação de Liceu Central de Faro – , já passaram alunos como a escritora Lídia Jorge ou o poeta António Ramos Rosa.

Lusa
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