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“Pela primeira vez no Algarve, e em colaboração com o Instituto de Emprego e Formação Profissional, o curso técnico de gestão da produção da indústria de cortiça está a ser desenvolvido para desempregados”, anunciou ontem Sandra Correia, a presidente executiva da empresa algarvia de cortiça Pelcor, na sua página da rede social Facebook.

A empresária portuguesa, que venceu o Troféu de Melhor Empresária da Europa 2011, atribuído pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho Europeu das Mulheres Empresárias, reconhece que este curso de formação pioneiro, cuja parte prática decorre dentro da fábrica de cortiça, servirá para “dar continuidade ao setor corticeiro” na região algarvia.

Os formandos, homens e mulheres, entre os 25 e 50 anos, estavam todos desempregados. Uns eram cabeleiros, outros empresários, outros vendedores.

Todos estão a aprender a conhecer a cortiça, contou à Lusa António Correia, acionista da empresa de cortiça Pelcor, um negócio familiar que em 2007 aumentou o volume de negócios e faturou meio milhão de euros.

Aprender a conhecer a casca do sobreiro, uma matéria natural e que só a “experiência de anos” permite desvendar o calibre, defeitos, processos de cozedura e preparação, repouso ou o fabrico de discos, é o objetivo do curso pioneiro, adiantou António Correia, arquiteto de formação.

O curso, que vai ser lecionado até março de 2014 e que inclui um estágio prático de 210 horas, tem vários módulos, designadamente o "controle do empilhamento da cozedura e da estabilização da cortiça”, contou à Lusa um dos formadores, António Spínola, de 39 anos e há 15 a trabalhar no setor corticeiro no Algarve.

Com os novos corticeiros a surgir no Algarve, o processo de transformação da cortiça parece ficar assegurado no futuro, designadamente para continuar a fabricar rolhas para vinhos e champanhes exclusivos e para manter a confeção de artigos de moda em pele de cortiça que desfilam nas passerelles de Paris.

Carteiras de negócios, mochilas em pvc com pedaços de casca de sobreiro injetado, chapéus-de-chuva resistentes à água e luxuosos pufes para tornar a sala mais acolhedora ou sandálias em cortiça desenhadas pela consagrada estilista portuguesa Ana Salazar são apenas alguns dos artigos inovadores que os futuros corticeiros podem ajudar a fabricar.

O toque aveludado, a impermeabilidade e o facto de ser um produto ecológico são as principais características das peças feitas em pele de cortiça, que até já viajaram para casa da cantora norte-americana Madona ou do presidente norte-americano Barack Obama.

Lusa

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