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Uma enorme nuvem de cinzas libertadas por um vulcão na Islândia, que entrou em erupção em 14 de abril, tem estado a afetar o tráfego aéreo em quase todo o espaço europeu, tendo sido cancelados milhares de voos.

"Os operadores económicos, as unidades hoteleiras e as empresas de transportes estão a ser responsáveis, mas nós temos a nossa capacidade de escoamento e (…) neste momento já não há condutores para levar os autocarros aos destinos", alerta João Soeiro, da operadora turística Full Services, em declarações aos jornalistas.

À margem de uma reunião entre a direção do Turismo do Algarve e cerca de 40 representantes do ‘trade’ da região algarvia sobre o encerramento do espaço aéreo europeu, João Soeiro reitera que apesar de ainda existirem autocarros no Algarve, a situação é "aborrecida", porque a região está "sem condutores para os mesmos".

Segundo aquele operador turístico tem de "haver um trabalho de concertação e coordenação entre todas as entidades", nomeadamente com o Governo e a CP, coordenação essa que "não tem existido", na opinião de João Soeiro.

"O Governo devia estar a trabalhar ativamente nisto e não apenas as regiões de turismo, não apenas os ‘players’ da zona. Penso que a CP devia estar a assumir – e que seria uma oportunidade estratégica para a CP para se reposicionar e contribuir para um marketing territorial – dizendo nós temos a nossa capacidade de escoamento, temos a capacidade de em conjunto com os ‘players’ internacionais encontrar soluções de escoamento", declarou.

Também Eduardo Magalhães, da Tui, a maior operadora turística da Europa, constata que a falta de motoristas para conduzir autocarros é um "inconveniente" derivado de uma legislação que obriga a que um autocarro tenha quatro motoristas para uma qualquer viagem do Algarve – região periférica – até ao centro da Europa.

O encerramento do espaço aéreo está a provocar também prejuízos nos hotéis algarvios e campos de golfe com o cancelamento de milhares de dormidas e de voltas nos campos de golfe.

A diretora de vendas do grupo hoteleiro Vila Galé, Manuela Ribeiro, declarou hoje que, a nível nacional, o grupo já registou o cancelamento de oito mil ‘room nights’".

"São muitos cancelamentos e vai afetar o final do mês e o ano se o verão não compensar", observou aquela responsável de vendas do Vila Galé, referindo que os preços, todavia, estão a ser mantidos.

O grupo Oceânico, por exemplo, já registou uma redução em cerca de 1.300 as voltas nos seus campos de golfe de Vale do Lobo, referiu Alice Carlota, diretora comercial do Oceânico.

Lusa

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