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O INE divulgou ontem a nona edição do Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio, com dados relativos a 2009, sendo que os últimos disponíveis diziam respeito a 2007.

O Algarve é uma das duas regiões do Continente, juntamente com Lisboa, cujo IpC desceu. A região algarvia teve a maior queda, de 3,25 por cento, ficando nos 100,4 pontos, e Lisboa desceu 2,70 para 134,15 pontos.

Não obstante esta situação, o Algarve regista uma média de poder de compra em linha com a média nacional que é de 100,5. O concelho de Faro encabeça mesmo os dados estatísticos do Algarve relativos ao poder de compra per capita concelhio em 2009 com a melhor média (141,5), apesar de registar uma descida relativamente a 2007, ano em que se situava nos 146,06.

Macário Correia, presidente da Câmara de Faro, manifestou uma “satisfação relativa” por o concelho estar, neste contexto, no topo dos 16 concelhos algarvios. “O concelho de Faro tem um conjunto de empresas e famílias com empregos razoáveis, como o meio académico e outros ramos de atividade, por isso, nessa estatística, aparece naturalmente como o concelho que maior poder de compra tem a nível regional”, afirmou Macário Correia em declarações à Lusa.

O autarca frisou, no entanto, que a “satisfação é relativa”, uma vez que “o Algarve, no seu conjunto, desceu, porque o desemprego na região é galopante, há uma perda de investimento privado e público visível nos últimos tempos e, por isso, o poder de compra dos algarvios em geral não tende a aumentar”.

O também presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) frisou que “Faro tem uma situação relativa em que é o primeiro, mas também em recuo”, e defendeu que gostaria de “ver o Algarve a subir, com Faro na frente, mas com indicadores que indiciassem menos desemprego, menos dificuldades, mais investimento e com poder de compra mais alargado e que fosse crescente, em vez de ser o maior, mas a descer”.

No lado oposto no Algarve está Monchique, que é o concelho da região com indicador per capita de poder de compra concelhio mais baixo, com 53,59 pontos, tendo descido quase dois pontos e sido ultrapassado por Alcoutim, que em 2007 tinha a média menor (52,82) e em 2009 alcançou 56,06.

O presidente da Câmara de Monchique, Rui André, justificou à Lusa esta descida com o impacto que os incêndios de 2003 e 2004 tiveram na exploração da floresta, uma das principais atividades no município.

“Recordo que entrei em funções no final de 2009 e encontrei um concelho com grandes dificuldades económicas, em que o tecido económico local estava empobrecido e com pouca esperança, porque as pessoas ainda não conseguiram recuperar bem das questões dos incêndios”, afirmou o autarca.

Rui André disse que na altura também e “não se verificou, da parte do município, um apoio e incentivos ao comércio local e à criação de emprego”, pelo que estes números “também não são estranhos” para o autarca.

“A época que vai dar algum retorno vai ser agora, em 2011/2012, mas na câmara também temos tentado imprimir algumas dinâmicas que criem retorno, apostando em produtos locais como os enchidos ou o medronho, com legalização de dois produtores e 60 destilarias”, disse ainda o autarca, frisando que essa aposta só agora começa a ser visível.

O Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio visa caracterizar os municípios "relativamente ao poder de compra numa interpretação ampla de bem-estar material", refere o INE.

Redação com Lusa
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