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Desde o registo do primeiro caso no Algarve, em 1983, até 30 de setembro de 2012, contabilizaram-se 2.159 casos, embora cerca de um terço dos casos reais possam não estar registados, disse à agência Lusa a coordenadora regional do programa de prevenção do Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH)/SIDA.

Tendo o Algarve cerca de 400 mil habitantes, a taxa de pessoas infetadas é de 478 por cada 100 mil habitantes, um número “razoável”, cuja tendência de crescimento se tem mantido nos últimos anos, refere Helena Ferreira.

Segundo a médica, a maior parte das pessoas são infetadas por via heterossexual e a faixa etária com mais casos é a dos adultos jovens, entre os 20 e os 49 anos.

De acordo com aquela responsável, 69% dos casos em 2011 no Algarve foram transmitidos pela via heterossexual, 19% por via homo ou bissexual e 12% por transmissão intravenosa (sobretudo em toxicodependentes).

“A transmissão por via sexual é a mais difícil de controlar porque abrange toda a população”, refere, adiantando que o uso do preservativo está a aumentar, mas que “ainda não é suficiente”.

Ultimamente tem-se assistido a um aumento do número de casos entre os 50 e os 64 anos, acrescenta, sublinhando que, apesar de as mulheres serem mais vulneráveis, há mais homens infetados.

Helena Ferreira alerta para a importância da deteção precoce do vírus, uma vez que, em 2011, mais de 25% das pessoas que chegaram aos hospitais já estavam a manifestar sintomas da doença (Sida).

“Uma pessoa é infetada mas durante dez anos pode manter-se assintomática, mesmo sem terapêutica”, explica, sublinhando que esse é o período mais crítico, pois a pessoa não sabe que está infetada e transmite o vírus.

Para evitar que isso aconteça, deve fazer-se o teste uma vez por ano ou sempre que se tem algum comportamento de risco, defende.

Segundo Helena Ferreira, só após os dez anos de incubação do vírus é que começam a surgir infeções graves, período após o qual o doente infetado já se encontra na fase de Sida.

Contudo, se o vírus for detetado desde o início, a pessoa nunca chega a entrar na fase de Sida, pois a terapêutica atual já consegue controlar a doença.

A Sida é hoje em dia praticamente considerada uma doença crónica, conclui Helena Ferreira, sublinhando que já é igualmente possível baixar as cargas virais das mulheres para que possam engravidar sem riscos.

Lusa

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