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“No Algarve a água do mar é menos poluída, a água potável é de melhor qualidade e a flora aquática também é melhor”, precisou João Viegas Fernandes, lamentando que a oferta algarvia não esteja ao nível de outros destinos, mas ressalvando que “ainda se está a tempo” de inverter a tendência.

O professor da Escola de Hotelaria e Turismo da Universidade do Algarve garante que se trata de um mercado em crescimento por toda a Europa, em parte devido ao envelhecimento da população. “Hoje, quem viaja são sobretudo pessoas com idades acima dos 50 anos e um bom poder de compra. Ora a partir dessa idade o turista tem a saúde como uma prioridade, daí ser fundamental haver garantias nesta área”, diz.

Assim, o especialista sustenta que, além da pré-existente aptidão do mercado, a decisão política pode fazer toda a diferença. “Na Tunísia foi uma decisão política tomada há 15 anos, numa altura em que os turistas procuravam o país para visitar Tunis e os achados arqueológicos, o resto era incipiente”, afirma.

Segundo o professor, também outros países mediterrânicos estão a apostar fortemente neste nicho de mercado, um exemplo que deveria ser seguido no Algarve. “Na Turquia, por exemplo, cada hospital privado trabalha com vários hotéis. Em caso de necessidade o hospital vem buscar o cliente e leva-o para tratamento”, disse, sustentando que os portugueses “ainda têm muito que aprender com esses exemplos”.

Ao contrário dos turcos e tunisinos, onde o turismo medicinal está disseminado em centenas de hotéis de quatro e cinco estrelas, o Algarve tem apenas 60 unidades de SPA, duas de talassoterapia, nos hotéis Santa Eulália e Vila Lara, e uma de thalgoterapia, no empreendimento Prainha, Alvor.

Apesar disso, são centenas de estrangeiros a escolher os hospitais privados do Algarve para fazer intervenções cirúrgicas. No entanto, tal como para João Viegas Fernandes, para o administrador delegado do grupo Hotéis Particulares de Portugal (HPP) para o Algarve, Paulo Neves, o turismo médico ainda não “disparou” porque o Governo não o têm como prioritário.

"As clínicas e hospitais não têm meios para fazer essa promoção e infelizmente o Turismo de Portugal não criou um orçamento nem tem uma agenda para promover o país nessa área", sublinhou Paulo Neves.

Nos seus dois hospitais algarvios, São Gonçalo em Lagos e Santa Maria em Faro, o grupo realizou no ano passado 320 cirurgias a estrangeiros, o que representa menos de 10 por cento do total de 3.500 cirurgias efetuadas.

O número está a aumentar, mas “com uma promoção adequada, o setor poderia crescer muito mais”, acrescentou Paulo Neves, que apontou o custo como outro dos fatores que até aqui têm impedido o crescimento.

"Os nossos principais concorrentes nesta área são a Espanha, Alemanha, Holanda e Bélgica, que até agora tinham preços mais competitivos", disse, sublinhando que nos últimos dois anos o grupo se tem esforçado para pôr os preços em linha com a concorrência, o que "está a ser conseguido".

Já para o outro grande grupo de medicina privada com unidades na região, o Hospital Particular do Algarve (HPA), o mercado dos seguros de saúde estrangeiros tem sido a principal base de sustentação do turismo médico, reconheceu o administrador João Bacalhau.

Com quatro unidades, em Alvor, Faro, Portimão e, desde sexta-feira, em Albufeira, o HPA tem contratos com 150 seguradoras de vários países europeus, mas aposta também nos estrangeiros residentes no Algarve e seus familiares.

"Vamos desenvolver um hotel de cinco estrelas para dar apoio ao Hospital de Alvor, mas neste momento temos parcerias com unidades de três, quatro e cinco estrelas, onde ficam os familiares dos pacientes ou os doentes em fase de convalescença", adiantou o administrador.

Considerando que o crescimento do turismo médico no seio da empresa tem sido "interessante", João Bacalhau apontou o trabalho em rede, com hotéis ou operadores turísticos, como uma das chaves desse crescimento.

Liliana Lourencinho com Lusa

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