Pub

"Neste cenário ficariam afectadas em cerca de 50 por cento unidades hospitalares, escolas, redes eléctricas ou de abastecimento de água, entre outras", precisou Sousa Oliveira, professor do Instituto Superior Técnico e um dos peritos que participou na elaboração do estudo, que hoje foi apresentado na Universidade do Algarve (UAlg) na presença do Ministro da Administração Interna, Rui Pereira.

O ministro considerou que o Estudo de Risco Sísmico e Tsunamis do Algarve (ERSTA) é "um instrumento valiosíssimo que pode significar a preservação de inúmeras vidas e de valiosos bens patrimoniais", porque "abrange um vasto conjunto de áreas, desde a definição e caracterização das estruturas sísmicas da região até à avaliação dos danos associados a cenários sísmicos, passando pela caracterização dos movimentos pendulares da população".

"Com o precioso auxílio tecnológico dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG), podemos agora cruzar um significativo leque de informação técnico-científica que permita uma rigorosa avaliação de danos e que suporte o desenvolvimento de acções que reduzam as vulnerabilidades identificadas", afirmou.

O ministro explicou que o ERSTA "não é puramente teórico ou académico, porque permite prever quais serão as consequências de um tremor de terra ou tsunami na região".

"Com base neste estudo vai agora proceder-se a um plano de acção, de emergência. Vai ser feito pela Autoridade Nacional de Protecção Civil, com a colaboração de inúmeras entidades, e vai fazer um inventário dos meios necessários e das medidas a tomar em caso de catástrofe", explicou.
Rui Pereira precisou que "o plano vai estar pronto durante o primeiro semestre deste ano e vai depois ser sujeito a consulta pública".

O presidente da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), general Arnaldo Cruz, explicou que o objectivo do ERSTA, o segundo estudo do género realizado no país (o primeiro foi sobre a área metropolitana de Lisboa), é "elencar riscos, identificar vulnerabilidades e definir respostas".

Arnaldo Cruz sublinhou que a análise elaborada pelas diversas entidades que participaram no estudo vai ajudar agora na "árdua tarefa de planificar a emergência e o socorro" em caso de sismo ou tsunami, uma vez que o simulador dará dados sobre o nível de destruição dos edifícios, das infra-estruturas básicas, de mortos, de feridos ou das inundações de áreas afectadas por ondas gigantes.

José Oliveira, director nacional de planeamento de emergência, congratulou-se por a aplicação informática utilizada como simulador no estudo ter sido "eficaz na previsão das consequências do sismo registado em Portugal em meados de Dezembro passado".

"Quando colocámos os dados no simulador, vimos que apontava para a inexistência de danos em edifícios ou de vítimas e isso verificou-se, o que nos deu alguma confiança", afirmou.

Pub