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CirurgiaOs doentes transplantados no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, residentes no Algarve, já podem ter consultas de acompanhamento e acesso a medicamentos no Centro Hospitalar da região por via de um protocolo celebrado ontem em Faro.

Uma experiência piloto entre dois hospitais a nível nacional elogiada durante a cerimónia de formalização do protocolo tanto por especialistas médicos como por doentes transplantados que vão usufruir das novas condições de acesso a consultas e a medicamentos e que o Ministério da Saúde vai acompanhar para perceber se pode ser replicada a nível nacional.

Segundo o presidente do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Martins Nunes, o protocolo vai permitir que os 47 utentes algarvios que tinham de se deslocar regularmente a Coimbra para serem acompanhados, tratados e receberem a medicação necessária, passem a deslocar-se até àquele hospital com menor frequência.

A cedência da medicação a estes doentes no hospital próximo da sua área de residência é uma das novidades deste protocolo e obrigou à formalização de uma colaboração entre as farmácias de ambos os centros hospitalares.

Segundo o secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, se esta colaboração for bem sucedida, será replicada noutros pontos do país.

O governante disse que a solução encontrada é importante porque apesar da rede nacional de transplantação estar muito concentrada em Lisboa, no Porto e em Coimbra, nada impede que os doentes possam ser acompanhados posteriormente nos hospitais mais próximos onde foram provavelmente diagnosticados e tratados até ao processo cirúrgico.

“Desde a primeira hora que assumimos a reorganização da rede de transplantação em Portugal como um assunto prioritário e desse ponto de vista este é um primeiro passo em que se estabeleceu um tipo de protocolo de cooperação que eventualmente poderá vir a ser replicado por outros centros”, disse à margem do evento.

O presidente do Centro Hospitalar do Algarve (CHA), Pedro Nunes, afirmou que este protocolo é “um primeiro passo de muitos que se seguirão” para dotar a região dos serviços de saúde que sirvam as necessidades da população.

“A aposta no Algarve é essencialmente criar um centro hospitalar com medicina de primeiro mundo que responda primariamente a todas as situações de urgência”, vincou aquele responsável admitindo dificuldade em atrair especialistas para a região e que têm vindo a sensibilizar o Ministério da Saúde para a necessidade de investimento em recursos humanos e técnicos na região.

À margem do evento, Martins Nunes contou que os casos hepáticos pediátricos já estavam a ser seguidos no Algarve e que a diferença está no facto de passarem a receber os medicamentos no CHA.

Os transplantes cardíacos vão ser seguidos no Algarve apenas em algumas consultas, os transplantados renais vão ser seguidos pela equipa de nefrologia do CHA e os transplantados hepáticos também passam a ter algumas consultas no Algarve e a deslocarem-se com menor frequência a Coimbra.

Martins Nunes sublinhou ainda que o CHUC vai ainda apoiar o CHA “com cirurgia vascular para fazer fístulas para os doentes entrarem em diálise” e estar disponível para formação em áreas de cirurgia hepática oncológica e cirurgia vascular.

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