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"É notória a existência de qualquer coisa que não está bem. Uma situação de que não quero falar agora, mas irei no futuro apresentar com todos os detalhes", disse à Lusa José António Silva, no final da reunião que juntou esta noite cerca de 150 pequenos credores, em Silves.

O empresário escusou-se a revelar com quem mantém o diferendo e negou que o mesmo seja de índole "política ou pessoal".

"É um assunto que contarei mais tarde em livro, até porque vou ter mais tempo para me dedicar a escrever", observou José António Silva, que hoje colocou o seu lugar à disposição dos pequenos credores para que a sua presença "não sirva de pretexto para travar a recuperação do grupo".

Contudo, José António Silva considera "fundamental" a sua continuidade, até porque "a implementação do plano de viabilização depende desta administração".

O grupo Alicoop-Cooperativa de Produtos Alimentares do Algarve detém as empresas Alisuper, Macral e Geneco, detentoras de 87 supermercados Alisuper, 75 no Algarve e 12 em Lisboa, da Fábrica do Inglês, em Silves, do semanário regional Barlavento, e com quase 500 trabalhadores.

Encontra-se em insolvência desde agosto de 2009 com dívidas acumuladas de cerca de 80 milhões de euros.

Perto de 150 dos 300 pequenos fornecedores credores participaram na reunião de terça feira à noite, em Silves, tendo manifestado a disponibilidade para "avançarem na criação de uma empresa ou grupo que possa viabilizar o funcionamento das lojas e salvaguardar os cerca de 500 postos de trabalho".

"É um plano de intenção que será apresentado na comissão aos grandes credores e que vai ao encontro do plano de viabilização entregue no tribunal", destacou José António Silva.

Para proteger a massa insolvente, o Alicoop já encerrou 65 lojas da cadeia Alisuper e prevê fechar até ao final do mês de abril as restantes 16, que ainda se encontram a funcionar no Algarve.

O plano de viabilização prevê a reconversão da cadeia Alisuper numa insígnia internacional, para o que tem o aval do maior credor, o Millennium BCP, mas não da Caixa Geral de Depósitos, que alega já ter "levado o seu nível de apoio até ao limite".

A comissão de credores reúne-se hoje na sede do BCP, em Lisboa, para analisar as propostas do processo de insolvência, entre as quais a eventual liquidação da empresa e a venda do património.

Lusa

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