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Os cerca de 500 trabalhadores reuniram-se hoje na sede da empresa em Silves, e manifestaram-se dispostos “a desenvolver todas as ações de luta” que possam viabilizar a empresa e assegurar os postos de trabalho.

Na moção aprovada no encontro convocado pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), os trabalhadores da Alicoop exigem que a comissão de credores “funcione pelas regras legais a que está obrigada, decida em tempo oportuno e elabore as atas das reuniões”.

Para os trabalhadores, o comportamento do administrador judicial também “suscita dúvidas”, porque, por um lado, defende o plano de viabilização apresentado no Tribunal de Silves e, por outro, "mete paus na engrenagem, e tenta apressar o encerramento da empresa com pretexto da defesa da massa falida”.

Segundo a moção, “houve tentativas de forçar a demissão da administração que ficaram de ser feitas pelo administrador judicial, bem como contra a retirada do Plano de Insolvência apresentado no Tribunal de Silves, elaborado pela Deloite, com a participação de alguns credores que prevê as condições e prazos para a viabilização da empresa”.

No encontro, o presidente do CESP apresentou os últimos desenvolvimentos do processo de insolvência, e revelou que as posições expressas na última reunião da Comissão de Credores, “mostram que alguns membros nomeadamente, a Caixa Geral de Depósitos (CGD), apostam tudo no fecho da empresa e na venda ao desbarato de algumas lojas”.

“Tentam com isso minimizar as suas graves responsabilidades na perda de 500 postos de trabalho e dos créditos dos fornecedores e banca, no montante de 80 milhões de euros”, observou Manuel Guerreiro.

Segundo o presidente do sindicato, os trabalhadores apostaram no projeto de insolvência elaborado “a peso de ouro” pela Deloite, por sugestão da CGD e BCP, que garantia a “viabilidade e o pagamento dos créditos a todos”, num prazo inferior a 20 anos, com um investimento inicial de cerca de cinco milhões de euros, e aprovado pela generalidade dos credores.

Contudo, acrescentou, na reunião da comissão de credores, tinha sido solicitado à administração, a apresentação dum plano para a abertura das lojas e a retoma imediata da actividade, mas o “plano foi apresentado e não obteve resposta”.

Para Manuel Guerreiro, “percebe-se agora que nos bastidores eram desenvolvidos contactos destinados a inviabilizar a reabertura do Grupo Alicoop e a abrir caminho para a reentrada em cena da GCT – Distribuição Alimentar, S.A., e do seu famoso projeto de adquirir algumas lojas ao desbarato”.

Depois de ouvirem as explicações do CESP, os trabalhadores decidiram manter a luta contra o encerramento das lojas e contra o bloqueamento e falta de pagamento das rendas, com a consequente perda de direitos, que consideram “ser feita com a passividade dos bancos credores e do administrador judicial”.

Os trabalhadores exigem da comissão de credores uma decisão sobre o pagamento das rendas e a compra de produtos para as lojas abertas que assegure a sua continuidade, e defendem a aprovação do plano de insolvência e a sua apresentação à Assembleia de Credores para ser aprovado e posto em execução.

Ficou ainda decidido no encontro, solicitar reuniões à Presidência da República, ao primeiro ministro, ministros da Economia e do Trabalho, grupos parlamentares e aos membros da comissão de credores, ao mesmo tempo que ameaçam com “ações de luta adequadas e necessárias à execução dos objetivos”.

Lusa

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