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A associação ambientalista Almargem manifestou-se contra o projeto turístico Monte da Ribeira que pretende criar 909 camas no concelho serrano algarvio de São Brás de Alportel.

Em causa está o projeto de loteamento turístico Monte da Ribeira, aprovado em 2008 e que prevê a construção de 909 camas, das quais 816 num aldeamento turístico, 81 num aparthotel, e as restantes 12 em moradias turísticas numa área de intervenção de 50,5 hectares, localizado na proximidade da localidade de Arimbo, junto à ribeira do Alportel.

Segundo a Almargem, trata-se de um projeto urbanístico que “pretende replicar no interior os erros do modelo de desenvolvimento do litoral, desqualificando o ambiente” e que se serve do termo turismo da natureza “como forma de esverdear o que vão ali fazer”, afirmou à Lusa um membro da associação.

“A localização e a magnitude do projeto” são os dois pontos destacados por Manuel Vieira como mais prejudiciais, defendendo que “deveria ser mais pequeno e num outro local”, em conformidade com a lei que “reflete a importância daquele local”.

Contactada pela Lusa, a vice-presidente da Câmara de São Brás de Alportel adiantou que se o projeto fosse executado tal como está previsto ”já seria algo muito importante para a dinâmica da economia circular que geraria na vila”.

Contudo, Marlene Guerreiro defende que “o que está previsto implementar nesta altura é muito melhor”, tendo em conta “a experiência e o conhecimento dos promotores nessa área”.

A consulta pública da Avaliação de Impacte Ambiental terminou a 1 de junho e a Almargem considera que o projeto ”deve obter um parecer fundamentado desfavorável”.

Para os ambientalistas, aquela “não é uma área qualquer”, já que é protegida pela Rede Natura”, a pouco mais de 300 metros da Zona Especial de Conservação Sítio de Interesse Comunitário do Caldeirão.

Por outro lado, alegam, “interrompe um dos corredores ecológicos” reconhecidos pelo Plano Regional de Ordenamento do Território (PROT) do Algarve, “aprovado antes do plano de urbanização”.

Para Manuel Vieira, faria sentido que “10 anos passados da aprovação”, e tendo em conta a importância ambiental houvesse “uma atualização do projeto”, se deslocasse a área de implementação, “com menos dimensão de camas, compatível com o interior algarvio”.

É precisamente essa a posição defendida pela vice-presidente da autarquia quando afirma que “tal como está o projeto não tem nada de inovador”, mas que a nova proposta tem uma visão “mais sustentável, quase autónoma nas infraestruturas, bem integrado na paisagem e menos denso”.

Marlene Guerreiro esclareceu que o Núcleo de Desenvolvimento Turístico da Barragem do Monte da Ribeira está aprovado e “tem um prazo para passar todas as fases”, alertando que “se não for terminado a tempo, fica nulo, perdendo-se a oportunidade de licenciamento e de fazer as alterações”.

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